quarta-feira, 13 de maio de 2020

Novo coronavírus já circulava em janeiro no CE sem ser detectado


Em janeiro, o novo coronavírus já circulava no Ceará sem ser detectado pelas autoridades de saúde do Estado. A secretária executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Magda Almeida, garante que a pasta hoje tem ciência que o tempo de circulação do vírus antecede em mais de dois meses a data em que o Estado conseguiu confirmar os primeiros casos da doença, 15 de março.
No Brasil, o registro inicial de detecção do coronavírus feito pelo Ministério da Saúde é dia 26 de fevereiro, em São Paulo. Magda explica que a constatação ocorreu a partir do acesso e avaliação por parte da Sesa a dados retroativos, sobretudo, de casos atendidos na rede privada. O IntegraSUS, plataforma da Sesa, registra que em janeiro e fevereiro já havia 166 casos da doença em 11 cidades do Estado, sendo o início por Fortaleza.
Dados da Pasta apontam que, se levada em conta a data de início dos sintomas, o Ceará teve caso de Covid-19 no dia 1º de janeiro. Mas, se considerado o resultado dos exames, a data de registro de caso é dia 20 de janeiro. Antes da sistematização desses dados, o dia 15 de março era registrado como o início oficial de detecção de circulação do coronavírus no Estado. Em janeiro, a Sesa aponta que havia casos em Fortaleza, Caucaia, Eusébio, Itaitinga, Horizonte e Sobral. Em fevereiro, além destas cidades, há dados sobre ocorrências também em Itapipoca, Maracanaú, Pacajus, Quixadá e Sobral.
Mas, a partir de que evidências se faz essa projeção? Para chegar a essa estimativa, a Sesa se baseia em, pelo menos, dois indicadores, conforme Magda. Um deles é o relato feito pelos próprios pacientes e registrados no prontuário de notificação dos possíveis casos. Na rede privada, as pessoas contaminadas pelo vírus (ainda em janeiro, quando não se sabia da circulação no Brasil) já alegavam, segundo a Secretaria da Saúde, terem sintomas semelhantes aos hoje ligados à Covid-19.
Outro fator são os testes cuja notificação foi feita pela rede privada de forma atrasada. Segundo a Sesa, é preciso considerar que em janeiro, além da demora nos testes, com semanas de espera pelo resultado, não havia a ideia de que o vírus já circulava no Brasil, portanto, as pessoas buscavam a rede hospitalar acreditando estarem acometidas por outras enfermidades.


Questionada sobre qual o impacto efetivo dessa descoberta, além do estabelecimento de um novo marco temporal para circulação do vírus no Estado, Magda explica que "Hoje não tem mais tanto impacto. Mostra para a gente que, durante dois meses, o vírus circulava já aqui e sem ser surto, em casos restritos". A Sesa identifica também que esses casos eram importados de turistas ou habitantes do Ceará que tinham viajado.
Brasil
Uma pesquisa liderada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e realizada por pesquisadores de Brasil e Uruguai, publicada esta semana na revista Memórias do IOC, aponta que a circulação do novo coronavírus no Brasil foi iniciada até quatro semanas antes dos primeiros casos serem registrados em países da Europa e das Américas. O estudo, baseado em uma metodologia estatística de inferência a partir dos registros de óbitos, constata que enquanto os países monitoravam os viajantes e confirmavam os primeiros casos importados da Covid-19, a transmissão comunitária da doença já estava em curso.
Fonte: DN
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