sábado, 30 de maio de 2020

Avanço da Covid-19 pelo interior demanda ações conjuntas no Ceará


Ao mesmo tempo em que preparam o retorno gradual das atividades econômicas em Fortaleza, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o secretário da Saúde do Estado, Dr. Cabeto, enfrentaram nesta semana uma maratona de reuniões com prefeitos e prefeitas dos municípios cearenses, divididos a partir das Macrorregiões de Saúde, para alinhar ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19 no momento em que a doença avança pelo interior.

Em todos os encontros, apesar das diferenças de números de casos e das particularidades de cada região, as preocupações se repetem: necessidade de reforço no isolamento social em alguns municípios, foco na atenção básica para acompanhamento do grupo de risco e bloqueio de novos casos, abastecimento de medicamentos do novo protocolo da Secretaria da Saúde (Sesa) e acesso a leitos de UTI.

Aos prefeitos, Camilo Santana ressaltou que a incidência da Covid-19 tem apresentado uma tendência à estabilização em Fortaleza, mas mostra crescimento considerável no interior. "Por isso, é fundamental trabalhar fortemente na atenção primária, de modo a diminuir a necessidade de internação e o colapso do sistema de saúde", ressaltou o governador no encontro com os gestores da Macrorregião de Fortaleza.
A divisão por macrorregiões faz parte da estratégia de regionalização do Sistema Único de Saúde, o SUS. São cinco no Ceará: Fortaleza, Sobral, Sertão Central, Litoral Leste/Jaguaribe e Cariri. Os encontros, mobilizados pela Associação dos Municípios do Estado (Aprece), aconteceram de terça-feira (26) até ontem (29), respectivamente, com os gestores municipais das macrorregiões de Fortaleza, Sobral, Cariri e Sertão Central. Ainda está pendente o encontro com os municípios do Litoral Leste/Jaguaribe.
"O momento agora é de tensão porque a gente precisa mostrar para os prefeitos que há uma perspectiva de aumento da incidência nos municípios e a gente precisa fazer com a que a proteção aumente", ressalta o presidente da Aprece e prefeito de Cedro, Nilson Diniz.
UTI
Um dos pontos que têm preocupado gestores é a disponibilidade de leitos de UTI. O secretário Dr. Cabeto, durante reunião com a Macrorregião Cariri, reconheceu que existem alguns municípios no Ceará com população ainda sem leitos de UTI. "Iremos discutir o ajuste emergencial com a implantação de salas de estabilização e treinamento de profissionais através da Escola de Saúde Pública", afirmou.
O Cariri, no entanto, é a região com menor taxa de contaminação e óbitos por Covid-19, segundo o governador. Para o prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra (PTB), o cenário é resultado de um esforço de isolamento social, suporte de saúde e atendimento à população mais vulnerável desde o início da crise.
Atenção primária
Durante o encontro, o governador reforçou a importância do fortalecimento da atenção primária para controlar o avanço e agravamento da doença, com eventual colapso do sistema de saúde. De acordo com ele, isso só será possível por meio da adoção do protocolo de tratamento na fase inicial da doença disponibilizado pela Sesa. Camilo também enfatizou a importância da identificação, monitoramento e bloqueio de novos casos, com busca ativa dos grupos de risco com visita de agentes comunitários.
A presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE), Sayonara Cidade, que também participou dos encontros, pontuou que o trabalho com a atenção básica é diferente na Capital e no interior devido a estrutura insuficiente de profissionais, mas salientou que o esforço de monitoramento é fundamental. "A interiorização dos casos preocupa, porque é preciso controlar isso. Temos que trabalhar muito com monitoramento e bloqueio", destacou.
Entre as preocupações dos gestores municipais da Saúde, também está o abastecimento dos medicamentos que fazem parte do protocolo da Sesa para pacientes com suspeita de Covid-19. Na reunião, o secretário estadual da Saúde disse que o Governo prepara uma compra dos medicamentos para abastecer as cidades, mas ainda sem data prevista. "Sei que não é fácil, porque, numa pandemia, não tem leito que chegue, em canto nenhum. Leito para todo mundo não vamos ter nunca. Por isso que existe o isolamento social", pontua Sayonara Cidade.
Fonte: DN
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