segunda-feira, 13 de abril de 2020

Há 20 anos, Ceará reinaugurava estádio Vovozão, casa do clube até hoje


Há exatos 20 anos o torcedor do Ceará teve a oportunidade de viver um momento marcante. No resgate histórico, muitos puderam, pela primeira vez, ver o Alvinegro jogando, de fato, em casa. Foi no dia 13 de abril de 2000 que o Vovô reinaugurou o Estádio Carlos de Alencar Pinto, em Porangabuçu, sede do clube até hoje. Uma noite especial nos 105 anos da instituição e que guarda muitas lembranças.
Não poderia ter sido diferente. A expectativa da reinauguração do Vovozão era grande antes mesmo da bola rolar. "Um jogo para a história", dizia manchete esportiva do Diário do Nordeste naquela quinta-feira. O adversário era o Quixadá, em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Cearense e que tinha importância para os dois lados.
O Ceará precisava pontuar para continuar aspirando classificação para o cruzamento decisivo do returno, enquanto o Quixadá lutava para fugir do rebaixamento. Por isso, a projeção era de bom público.
Os ingressos variavam entre R$ 5, na geral, e R$ 20, nas cadeiras. Preços considerados "salgados" na época. "O torcedor vai pagar mais caro, mas vai entender que houve um grande investimento. E uma forma dele contribuir com a reforma do estádio", disse o então presidente do clube, Eulino Oliveira.
Teve de tudo naquela ocasião. "A festa em Porangabuçu começou muito cedo e foi bastante organizada", relembra publicação do Diário do Nordeste no dia seguinte. A celebração "contou com números artísticos. Praças e oficiais do 23º BC mostraram malabarismo com tochas de fogo e depois formaram o nome "Ceará". A torcida soltou a voz acompanhando a cantora Daniele Montezuma, que interpretou o Hino do clube", complementa a matéria.

Diário do Nordeste mostrou aprovação do estádio para jogos oficiais
Embora a capacidade para aquela noite fosse para 5.900 pessoas, 3.930 pagaram ingresso e geraram uma renda de R$ 27.854,00 (tícket médio de R$ 7). Mesmo assim, o clima era diferente. Responsável pelo pontapé inicial que marcou a reinauguração, Eulino Oliveira empolgou: "Parece até que estou no Maracanã", disse.
Mas a festa só seria completa se o resultado em campo correspondesse, o que quase foi inviável. Não por mérito do adversário, mas sim pela iluminação. Aos 2 minutos de jogo, faltou energia e o árbitro Carlos Silva teve que esperar 30 minutos até que os refletores reacendessem. No intervalo, uma das torres apagou-se e o Quixadá não queria mais jogar. Até que, após 12 minutos de espera, os refletores voltaram a funcionar.
Em campo, o Ceará, comandado pelo técnico Dimas Filgueiras, passou por sufoco no primeiro tempo, mas venceu por 3 a 0 em grande atuação do atacante Reinaldo, que marcou todos os gols, inclusive recebendo uma taça de homenagem ao fim do jogo.

Diário do Nordeste contou história do jogo histórico no Vovozão
Estádio próprio
Na época, a intenção da diretoria executiva do Ceará era de transformar Carlos de Alencar Pinto em palco dos jogos oficiais do clube. Ao menos os que não teriam públicos tão altos. Seria algo semelhante com o que ocorreu em outras décadas, como em 1951, quando o Alvinegro realizou vários jogos lá, incluindo Clássico-Rei contra o rival Fortaleza, que terminou empatado em 3 a 3.
O jornalista Tom Barros, do Diário do Nordeste, escreveu à época, em sua coluna, que "O Estádio Carlos de Alencar Pinto (ou Vovozão) passa a cumprir nova etapa na vida de Porangabuçu. Mas não pode estancar na atual fase. Esta tem de ser ponto de partida, não ponto final. Alerto: mais importante que inaugurar é mantê-lo".
Porém, o objetivo não tornou-se viável. Pelos altos custos e também pela estrutura. Seria difícil fazer com que o público pudesse comparecer aos jogos lá, bem como uma reforma para acrescentar arquibancadas é inviável.
Hoje, o local segue como sede do clube e espaço para treinamentos do elenco profissional, resguardando as boas memórias do passado e projetando o futuro.
Projeto Ceará 2000
A reforça em Carlos de Alencar Pinto foi possível por parceria entre a diretoria executiva do Ceará e o Projeto Ceará 2000, que surgiu naquela época com a intenção de ajudar na estruturação do clube. E conseguiu, arrecadando quantia financeira que auxiliou na reforma.
Posteriormente, o Projeto ainda contribuiu  com o clube de outras formas, e foi capaz de proporcionar a aproximação de pessoas que tinham intenção de, efetivamente, ajudar na evolução do Ceará.

Fonte: DN
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