terça-feira, 7 de abril de 2020

Decisão de não flexibilizar isolamento alivia prefeitos no interior

Presidente da Aprece, Nilson Diniz, aponta que o decreto de flexibilização preocupou os prefeitos

Um dia após o governador Camilo Santana (PT) recuar da decisão de permitir a abertura de alguns tipos de empresas no Estado e manter todas fechadas, por conta da pandemia do novo coronavírus, o sentimento é de alívio entre prefeitos cearenses, que estão preocupados com o avanço da Covid-19 no Interior.
A principal preocupação era em relação à abertura de feiras livres. Nos bastidores, deputados aliados do Governo foram pegos de surpresa com a decisão de flexibilizar o isolamento, já revogada.
Decreto publicado pelo Governo no início da noite do último domingo (5) liberava para o funcionamento 16 tipos de empresas dos setores da indústria, do comércio e de serviços, inclusive feiras livres. O próprio líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Júlio César Filho (Cidadania), confessa que não sabia da medida. No entanto, ele pondera que é difícil para Camilo ter que tomar "várias atitudes, em vários períodos" e acredita que devem existir pressões do setor produtivo.
"O governador, de forma muito humilde e responsável, decidiu manter por mais 15 dias as mesmas regras do decreto anterior. Acreditamos que foi uma medida acertada, devido às projeções de que o pico da pandemia será nas próximas duas semanas".
No entanto, a primeira decisão repercutiu mal, preocupou deputados e prefeitos, tanto que o governador voltou atrás. Em um grupo de deputados da base, no aplicativo de troca de mensagens WhatsApp, nenhum se posicionou em relação ao primeiro decreto. Depois, elogiaram o recuo de Camilo. Antes, reservadamente, parlamentares comentaram entre si que os prefeitos não teriam como fiscalizar medidas sanitárias se fosse liberada a abertura de alguns tipos de estabelecimentos.
Repercussões
Alguns deputados ainda enviaram mensagens a integrantes do Palácio da Abolição, alertando para o "erro" que o Governo cometia ao liberar empresas da quarentena no momento em que o Ceará poderá viver uma "explosão" de casos. Para o deputado Marcos Sobreira (PDT), o importante é que o Governo corrigiu o decreto. Segundo ele, é unânime o apoio ao isolamento total.
Audic Mota (PSB) acredita que a primeira decisão foi tomada por pressão de empresários. "Vejo que havia esse sentimento de retorno, mas no próprio Interior começam a confirmar casos e, sobretudo lá, não temos testes rápidos. Talvez tenha sido acertada a decisão do governador de voltar atrás", avaliou.
Já para Silvana Oliveira (PL), o primeiro decreto publicado no domingo foi "péssimo". Representante da bancada religiosa, ela questiona por que o Governo liberou, àquela altura, o funcionamento das feiras e não o das igrejas. "Ele considerava uma feira mais importante e mais fácil de colocar regra que uma igreja", disse. "O decreto foi loucura, causou uma revolta na igreja".
Municípios
Prefeitos também ficaram apreensivos com a decisão inicial do Governo do Estado. Em um grupo de WhatsApp com vários deles, o ponto que mais preocupava era a liberação das feiras livres. O presidente da Associação dos Municípios do Estado (Aprece) e prefeito de Cedro, Nilson Diniz, reforça que as prefeituras do Interior não teriam condições de atender às exigências do decreto revogado.
"Tinha que colocar os feirantes para lavar as mãos, álcool em gel, como você vai controlar isso numa feira popular? E também criou uma ideia no público de que todo mundo poderia abrir o comércio. O governador fez a coisa certa de voltar atrás".
O prefeito de Baturité, Assis Arruda (PDT), diz que ficou surpreso com a medida, diante do risco de aumento de casos de Covid-19 no Interior, já que a feiras são um ponto de aglomeração.
"Ficaria incontrolável. A gente ficou preocupado de fazer aglomeração e aumentar o risco, mas o governador foi muito ponderado e voltou atrás no momento oportuno. Estamos com dificuldade para segurar as pessoas", conta.
Assis diz que está sendo pressionado para abrir o comércio no município, mas espera que medidas econômicas anunciadas pelo Governo Federal, como o auxílio de R$ 600 para trabalhadores informais, sejam concretizadas e "acalmem" as pessoas.
"Vai atender o pessoal informal agora, com a liberação, acho que vai tirar uma pressão de cima do (trabalhador) informal e do prefeito. Nossa preocupação é não caber todo mundo no hospital".
Pressão no Senado
Nos bastidores, aliados também apontam o peso que teve para o recuo do Governo a crítica do senador Tasso Jereissati (PSDB). Em um vídeo publicado nas redes sociais no domingo à noite, Tasso considerou a flexibilização das regras de isolamento social uma medida “inoportuna” que, para ele, atingiria a população mais vulnerável do Estado. 
Elogio posterior
Ontem, após fazer críticas a Camilo, o senador tucano disse, também nas redes sociais, que a revogação do decreto era “elogiável”. “Com certeza, uma medida técnica, baseada na orientação das autoridades da área da Saúde, que será fundamental para controlar a proliferação do coronavírus em nosso Estado. Sem isso, as consequências para a economia seriam ainda mais graves”.

Fonte: DN
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