quarta-feira, 15 de abril de 2020

170 dos 184 municípios do CE são socialmente vulneráveis à Covid-19


A maior parte dos municípios cearenses, sobretudo no Interior do Estado, está socialmente vulnerável aos impactos do novo coronavírus na saúde. É o que indica um relatório de pesquisadores da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (EMAp/FGV) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sobre o risco de espalhamento da Covid-19 para as microrregiões a partir da transmissão sustentada no maior centro urbano do Ceará: Fortaleza. Conforme a atualização do IntegraSUS, às 18h de terça-feira (14), 60 municípios registraram casos de coronavírus. Com 11.541 casos suspeitos, o Estado confirmou 2.075 casos e 111 óbitos. Além dos 86 óbitos registrados na capital cearense, outros 16 municípios também já contabilizam mortes causadas pela doença.

Segundo a classificação do estudo, 170 dos 184 municípios estão nas faixas C, D e E, consideradas mais vulneráveis. Por outro lado, somente 14 cidades estão incluídas nos grupos A e B, com melhores indicadores sociais - mas sem serem imunes à doença. Até a noite desta terça-feira, 62 cidades tinham casos confirmados do coronavírus, de acordo com a plataforma Integra SUS, da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Destas, 48 - ou 81% do total - se enquadram nos critérios de maior vulnerabilidade da doença.
O grupo C tem 60 municípios cearenses que misturam populações urbanas e rurais. "Em comparação com A e B, eles têm uma expectativa de vida significativamente menor, pobreza significativamente alta e menos infraestrutura", explica o estudo.
Maior do Estado, o grupo D engloba 90 municípios localizados principalmente em áreas mais secas da caatinga, com predominância de populações rurais, alta desigualdade, baixo componente de escolaridade do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e baixo acesso a serviços de água e esgoto.
No grupo E, estão os piores indicadores de educação, além de acesso precário à água tratada, disposição de esgoto e eletricidade. Ao todo, conforme os parâmetros do levantamento, 20 cidades cearenses se enquadram nessa categoria. Embora alerte que as áreas com maior probabilidade de ter ou vir a ter atividade alta de Covid-19 são Fortaleza e sua Região Metropolitana, o relatório chama atenção para o "risco de interiorização da epidemia" em direção a esses municípios.
A presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Sayonara Cidade, afirma que a entidade participou da elaboração dos Planos Regionais de Contingência, que contemplam as necessidades assistenciais e os fluxos para acesso dos pacientes.
Disseminação
De acordo com o modelo probabilístico, o Ceará tem maior nível de vulnerabilidade geográfica para entrada e circulação do vírus na região nordeste do Estado - que abrange todo o Litoral Oeste, o Litoral Leste e o Maciço de Baturité, e parte do Litoral Norte, do Vale do Jaguaribe e dos sertões de Sobral, Crateús, Canindé e Central -, além da região de Juazeiro do Norte, no Cariri.
O cenário de epidemia nesses locais pode se confirmar, afirma a análise, na ausência de medidas de redução de mobilidade. Considerando as ações de redução de mobilidade implementadas nas últimas semanas, com decretos estaduais e municipais restringindo a circulação de pessoas, e se houver manutenção de restrição de fluxo intermunicipal de 50% e 30% de distanciamento social, o risco epidêmico se torna menor.
Seguindo essa projeção, as cidades mais impactadas seriam Maracanaú, Caucaia, Eusébio, Aquiraz, Maranguape, Sobral, Horizonte, Itaitinga e Quixadá. Contudo, o relatório também traça um cenário mais severo de crescimento dos casos, nas mesmas áreas se as medidas de redução de mobilidade e de distanciamento social forem interrompidas nos próximos dias. O Ceará tem um decreto estadual limitando o funcionamento de serviços e comércios até o dia 20 de abril. Nesta terça (14), em entrevista ao Sistema Verdes Mares, o governador Camilo Santana declarou que, ao longo desta semana, conversará com infectologistas e epidemiologistas para avaliar se haverá prorrogação do prazo, a partir de domingo. "É a ciência que precisa orientar os nossos passos dia a dia aqui no Ceará", afirma.
Restrições
Além do decreto estadual, na última semana, pelo menos 25 cidades bloquearam acesso a terceiros, ou seja, apenas moradores poderão entrar mediante comprovação de endereço ou de parentesco. Na lista, estão Paracuru, Guaramiranga, Piquet Carneiro, Beberibe, Fortim, São Luís do Curu, São Gonçalo do Amarante, Icapuí, Aracati, Jijoca, Mulungu, Barroquinha, Trairi, Ipu, Ererê, Senador Pompeu, Paraipaba, Alto Santo, Mombaça, Várzea Alegre, Itatira, Pires Ferreira, Iguatu, Meruoca e Alcântaras.
Secretário da Saúde do Ceará, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, reconhece com preocupação o avanço da doença no Interior, defendendo a necessidade de apoio das 184 Prefeituras e do trabalho dos agentes comunitários de saúde na orientação da população, principalmente na faixa com menor renda per capita. "Nos hospitais públicos, as pessoas estão retardando a busca pelo sistema de saúde. É importante que elas procurem rápido esse sistema", destaca.
Conforme o gestor da Sesa, a expansão de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) por municípios do Interior já estava nos planos de regionalização da saúde no Estado. Por isso, os equipamentos não ficarão ociosos após a pandemia. "Já implantamos 160 em três semanas, e o nível de ocupação vem crescendo. Estamos apenas apressando esses processos. Essas unidades eram necessárias e já estão sendo estruturadas. Tínhamos previsto chegar a 690 leitos extras, mas eles dependem de insumos importados e o Estado está fazendo todo o esforço para adquirir".
O governador Camilo Santana informou que, nesta semana, deve divulgar a abertura de novos leitos de UTI em municípios como Maracanaú, Caucaia, Itapipoca, Iguatu, Icó e Crateús.
Fonte: DN


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