terça-feira, 24 de março de 2020

"Cordel do Coronavírus", do poeta cearense Tião Simpatia, reflete sobre aprendizados na quarentena


Ruas e avenidas vazias, restaurantes e lanchonetes fechados, praias e parques habitados apenas pela natureza. Tem pouco menos de uma semana que o Brasil se tornou outro País devido à pandemia de coronavírus. É tempo de ficar em casa, resguardando-se da doença, cuidando de si e dos seus. Para muita gente, é verdade, tem sido desafio grande: estar confinado pode ser peleja. Mas a nova criação em versos de um poeta popular cearense bastante atento ao redor vem para dar novo sentido ao cenário.

"Cordel do Coronavírus" é de autoria de Tião Simpatia, cordelista e repentista que aprendeu a ler e escrever no município de Granja, interior do Estado, justamente a partir da literatura que divulga hoje para o mundo. A mais recente produção textual sob sua pena é bastante direta: prevenção é o remédio para o combate do que nos assola atualmente. Com muita engenhosidade e senso crítico, porém, os versos ultrapassam essa questão.

"O objetivo do cordel, para além de esclarecer sobre a doença, é um convite às pessoas para fazerem uma reflexão sobre a vida, sobre o que realmente importa", explica o autor.

Tião é perspicaz: inicia descrevendo a Covid-19 "como um rastilho de pólvora" que se espalha pelo mundo e provoca o pânico. E então, estrofe a estrofe, vai somando mais camadas. Questiona-se, por exemplo: "Mas quando ficar em casa/ Não for uma opção?/ O jeito é entregar a Deus/ E pedir Sua proteção". Igualmente, faz um oportuno casamento de cuidados externos e internos. "Lave as mãos com álcool em gel,/ Ou com água e sabão!/ Também faça uma limpeza/ Na alma e no coração".

"A própria mensagem do cordel diz do desafio para combater o corona e outros males. Porque, na minha opinião, a sociedade está acometida por vários deles, bem mencionados no texto. Inclusive, torço pra que essa crise passe logo, mas pretendo levar a mensagem adiante mesmo quando ela acabar", idealiza.

Desta feita, para Tião Simpatia, é época de mergulho interior e higienização total. Em semelhante compasso, o poeta ainda abraça outros pontos, chamando a atenção para mais variáveis muito importantes nesse processo. No cordel, ele evidencia a necessidade de deixar de lado as arestas políticas que polarizam a nação e pede de nós a consciência cívica de obediência às autoridades públicas.

Na visão do autor, fortalecer essas ideias por meio da literatura de cordel vai ao encontro da função social dos textos escritos sob esse gênero. Não à toa, conforme conta, os cordéis eram conhecidos como o jornal dos sertões, pois chegavam aonde não havia televisão, smartphones e outras tecnologias, nos idos dos anos 1960 e 1970.

Fonte: DN
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