quinta-feira, 26 de março de 2020

Ceará tem uma das curvas mais altas de contágio de coronavírus no País


Toda epidemia segue um fluxo que tem: um início, um pico e uma fase final. Esta última etapa pode indicar que a doença se extinguiu ou que manterá um número mais ou menos estável de casos. Em relação ao coronavírus, cujo registro começou oficialmente no Brasil há um mês, a fase vivenciada é a de crescimento da transmissão.
Essa dinâmica cria a chamada curva de contágio que, na prática, é a relação entre o registro dos casos ao longo de determinado período de tempo. O ideal é que, para evitar a sobrecarga do sistema de saúde, os casos não atinjam picos em poucos dias, pois a exemplo do que ocorreu em países como a Itália, as unidades de saúde podem ser insuficientes diante da demanda.
No Brasil, que desde o dia 26 de fevereiro registra casos de coronavírus, essa curva de transmissão tem seguido ritmo diferente nos estados. Um levantamento feito pelo Sistema Verdes Mares (SVM), com informações disponíveis na plataforma Brasil.Io - um repositório de dados públicos disponibilizados em formato acessível - revela, com base em todos os boletins oficiais das 26 secretarias estaduais da Saúde e do Distrito Federal, que o Ceará, até o momento, tem uma das curvas de contágio por coronavírus mais altas do País.
Isso significa que, segundo os registros oficiais, há uma alta velocidade de transmissão do vírus no Estado e o número de casos pode rapidamente ultrapassar a capacidade de atendimento. São Paulo registra casos de coronavírus oficialmente há 30 dias. Nesse intervalo, foram detectadas 862 ocorrências. Já no Rio de Janeiro, há 370 pessoas com a doença em 22 dias. O Ceará, segundo o último boletim da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), confirmou 211 casos em 11 dias. Os três estados são os que mais têm pessoas com coronavírus no País em números absolutos.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro há um número elevado de confirmações, mas elas estão distribuídas em um espaço de tempo maior. Com isso, a curva epidêmica é mais estável que a do Ceará que está íngreme devido à velocidade de confirmações em poucos dias.
Se o Ceará mantiver a atual proporção de registro nas próximas semanas, chegará ao 22º dia com mais confirmações do que o Rio de Janeiro (segundo Estado com mais casos) chegou. Além disso, quando analisada apenas a quantidade de casos no 12º dia em cada Estado, São Paulo tinha 16, o Rio de Janeiro 25 e o Ceará tem 211.
Outra comparação é que o Ceará tem mais casos em 11 dias, do que Minas Gerais, que há 20 dias confirma ocorrências. Em Minas Gerais foram 133 confirmações até ontem. O Distrito Federal também tem confirmado muitos casos em pouco tempo. Junto ao Ceará e a Minas Gerais, o Distrito Federal tem as curvas mais altas de transmissão até momento. Em 22 dias, 182 pessoas testaram positivo. No Nordeste, a Bahia cujo tamanho da população supera a do Ceará e o Estado há mais tempo contabiliza casos (17 dias), o total de confirmações, 83 até ontem, é inferior ao Ceará.
Fonte: DN
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