segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Vereadores correm para articular reeleição à Câmara


As conversas sobre o futuro político dos vereadores de Fortaleza, que começaram nos bastidores da Câmara Municipal no fim do ano passado, devem acelerar neste início de 2020, restando apenas dois meses para a abertura da janela partidária, no dia 5 de março. As tratativas visam escolher o partido que ofereça melhor chance para a reeleição.
A janela partidária é o período de 30 dias, que começa sete meses antes da eleição, em que os políticos podem trocar de partido, sem correr risco de perder o mandato.
A costura para voltar ao Legislativo municipal deve envolver diversos fatores, como o fim das coligações para as eleições proporcionais e os critérios impostos por alguns partidos para a filiação, o que na prática deve limitar as alternativas de quem pretende mudar de legenda.
Renovação?
A ampla base aliada ao prefeito Roberto Cláudio (PDT) espera ainda por conversas com o mandatário antes de bater o martelo para onde ir.
A seu favor, esses parlamentares contam com a tendência de obter uma quantidade maior de votos em comparação ao total registrado nas últimas eleições municipais, em 2016. Contra eles, pesa a aposta de alta renovação entre os futuros eleitos em 2020, a exemplo do fenômeno que ocorreu na Câmara dos Deputados em 2018.
No centro das preocupações, está o fim das coligações para as eleições proporcionais. Quem pretende chegar a uma cadeira no Legislativo municipal terá que concorrer em uma "chapa pura", sem a possibilidade de formar uma coligação com dois ou mais partidos. Esta será a primeira eleição proporcional com esta determinação em vigor.
A mudança deve alterar quantos partidos conseguem, sozinhos, alcançar o número mínimo de votos necessários para obter uma vaga, neste caso, na Câmara Municipal. Esse número mínimo é obtido por meio do cálculo do quociente eleitoral, ou seja, a divisão do número total de votos válidos para o cargo pelo número de vagas a serem preenchidas - em Fortaleza, são 43 cadeiras.
Estratégias
O cálculo não muda com o fim das coligações para eleições proporcionais, mas a "chapa pura" pode ter mais dificuldades de alcançar a vaga.
O vereador Eron Moreira (PP) está a caminho do PDT por este motivo. "Não adianta mais eu ficar no PP". Na última eleição, a legenda fez coligação com outros três partidos e, só assim, conquistou uma vaga. Sem a possibilidade de coligar-se, as chances de alcançar o quociente eleitoral são menores, ressalta o parlamentar.
Por conta disso, pré-candidatos a vereador, que estão fora da Câmara, têm rejeitado a presença de parlamentares com mandato nas chapas montadas para disputar uma cadeira no Legislativo. O entendimento é que - com a perspectiva de cada sigla conquistar um número menor de vagas do que, anteriormente, as coligações obtinham - estar na mesma chapa de um parlamentar com mandato é diminuir as próprias chances de ser eleito.
A dificuldade deve ser maior entre vereadores, mas mesmo quem teve uma votação expressiva, apesar de não ter conquistado mandato, deve ter obstáculos, caso queira se filiar a um novo partido. As legendas têm estabelecido, inclusive, "tetos de votos": aceitam apenas aqueles que tenham uma projeção de 3 mil ou de 5 mil votos.
Atrair os pré-candidatos com votação menor é importante porque estes representam ampla maioria dentre os que devem disputar uma vaga como vereador. Pelo menos, é o que apontam os números das eleições de 2016. Dentre os candidatos a vereador, 75% conquistam menos de 1.000 votos. Enquanto isso, apenas pouco mais de 5% dos candidatos obtiveram votação superior a 5 mil votos.
Chapas
A costura deve começar, então, pelo fortalecimento das chapas de vereadores. É o que aponta o vereador Michel Lins, presidente municipal do Cidadania. Ele está licenciado desde o início de janeiro para organizar o partido para as eleições municipais, com a meta de aumentar o número de cadeiras ocupadas pela legenda na Câmara Municipal.
Para isto, com exceção dele próprio, outros candidatos a vereador de Fortaleza devem ter uma projeção de votos de, no máximo, 3 mil votos. A estratégia passa também pela desfiliação do segundo vereador do Cidadania em Fortaleza, Carlos Dummar.
A saída do parlamentar, que foi acordada e deve ocorrer antes do prazo da janela partidária, é uma das condições para os pré-candidatos permanecerem na chapa formada pelo partido.
Encruzilhada
Com essa limitação de possibilidades, os vereadores enfrentam uma encruzilhada. Uma das alternativas é buscar partidos maiores na Capital, como o próprio PDT. Contudo, nesse caso, é necessária uma votação expressiva para viabilizar a reeleição. Segundo as projeções de pedetistas, um candidato deve ter entre 8 mil e 9 mil votos, no mínimo, para conseguir se eleger.
Fonte: DN
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