quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Digitalização de serviços bancários reduz espaço de agências físicas


A digitalização dos processos bancários tem sido apontada como a principal causa para o surgimento de programas de demissão voluntária (PDVs)em algumas instituições. Nesta semana, o Banco do Brasil e o Itaú Unibanco anunciaram seus planos. A Caixa já estava com um processo de PDV em andamento, interrompido devido à liberação do saque de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Segundo o Banco Central, desde 2016, quase duas mil agências foram fechadas no País.
Para os clientes de bancos, fica o questionamento. Será possível realizar todos os serviços feitos exclusivamente nas agências físicas pela internet? Muitas instituições já oferecem serviços que antes o usuário encontrava apenas na agência. Exemplo disso é a abertura de conta pelo celular ou mesmo a transferência para contas no exterior. Há ainda serviços de câmbio e consultorias personalizadas.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta que os canais digitais já se consolidaram como o principal meio para realização de transações bancárias. "Desde 2015, internet e mobile banking, juntos, assumiram a liderança na preferência do cliente para suas operações bancárias em detrimento de outros canais", disse em nota.
Segundo a entidade, o número de transações bancárias feitas pelo celular em 2018 cresceu 24% em relação ao ano anterior. "Hoje, a cada 10 transações, com ou sem movimentação financeira, 6 são feitas por meio digital. Em 2018, 2,5 bilhões de pagamentos e transferências foram realizados por mobile banking, que, pela primeira vez, superou o internet banking na preferência do brasileiro".
O Banco do Brasil (BB) informou em nota que "praticamente a mesma gama de serviços que eram realizados em agências físicas podem ser realizados de forma online". Já o Santander disse que "há a oportunidade de escolha do canal do banco com o qual clientes queiram se relacionar". O banco ressalta ainda que permite que os clientes se 'autoatendam' nos produtos e serviços com que possuem mais familiaridade.
Fatores
Cada vez mais comum no Brasil, o fechamento de agências físicas é visto com preocupação pelo presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra, que avalia que essas instituições devem cumprir papéis sociais. "A redução de agências tem a ver com movimentos de adequação tecnológica de alguns sistemas, de adequação de quadro para implantar sistemas que não vão exigir a mesma quantidade de funcionários". Ele aponta que, só no primeiro semestre, o Ceará perdeu 183 postos de trabalho nas agências.
"Nós tivemos redução de agências na quantidade de trabalhadores. Algumas funcionam com poucos funcionários, com redução no horário de atendimento. Isso traz prejuízo ao atendimento. Além de que os bancos privados não têm tido atuação de abrir agências no interior".
O consultor econômico Henrique Marinho, porém, avalia que o movimento tecnológico é uma tendência mundial. "A inovação leva a uma menor utilização de mão de obra física. Normalmente, essas demissões voluntárias estão acontecendo nas estatais e nos bancos públicos porque eles têm uma mão de obra mais qualificada, com salários mais elevados. É uma estratégia fazer a mudança de pessoas que têm muito tempo de serviço para chamar novos concursados com salários menores".
O BB informou que não reduziu o número de agência no Ceará entre julho de 2018 a julho de 2019. O banco possui 190 dependências no Estado, em 146 municípios.
O Santander disse que está na contramão do mercado e abrindo agências. No Ceará, o banco aumentou em 15% o número de funcionários em julho, ante igual período do ano passado. Além disso, abriu mais três agências neste período e diz que vai inaugurar mais quatro neste ano.
Caixa, Banco do Nordeste e Bradesco não informaram sobre possíveis reduções no quadro de funcionários e agências. O Itaú disse que as informações são estratégicas e que também não se manifestaria.

Fonte: DN
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