sexta-feira, 19 de julho de 2019

Governador Camilo Santana deve articular pela inclusão de estados e municípios


Avançar da tramitação da reforma da Previdência faz crescer o debate pela inclusão de estados e municípios no texto final. A ideia capitaneada pelo cearense Tasso Jereissati (PSDB), possível relator da matéria no Senado, é de uma PEC paralela, que faça a alteração na proposta que ainda retorna à Câmara em agosto, para votação em 2º turno.

O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), alertou que a inserção só é possível se governadores nordestinos convencerem as bancadas. No Ceará, Camilo Santana (PT) deve tomar mais uma vez o centro das articulações em prol do objetivo. Embora petista, ele foi citado por Maia em entrevista à GloboNews como um dos defensores da reforma. No 1º turno, toda a bancada do PT votou contra.

O POVO apurou que no dia 11 de junho, antes da votação no plenário da Câmara, Camilo ressaltou diante de parlamentares a importância de a reforma prosperar, pela economia que iria gerar. A bancada ficou divida em 11 a 11.

Para a tramitação no Senado, o deputado Heitor Freire (PSL) projeta boas chances de a reinclusão acontecer, já que Tasso deverá ser o responsável pelo relatório. Ele diz que mais importante que a atuação parlamentar são as tratativas entre governadores e deputados.

“Governadores e prefeitos sempre quiseram a aprovação da nova Previdência, mas percebo que se negam a enfrentar um desgaste, natural quando envolve temas importantes e passíveis de críticas e ataques da esquerda”, opinou Freire.

O deputado Anibal Gomes (DEM), por sua vez, acredita que Camilo deve conversar com a bancada cearense, mas desde o mesmo movimento ocorra por parte dos demais governadores do Nordeste. “Uma união dos governadores seria importante para o sucesso dessa iniciativa.”

Indagado sobre qual deverá ser o modo de atuação do governador na fase final de tramitação, o secretário de Relações Institucionais do Governo, Nelson Martins, disse não ter conversado com ele, em razão das férias tiradas pelos dois. Afirmou, no entanto, que pessoalmente é favorável à inclusão.

Um dos principais articuladores petistas, José Guimarães (PT) defende o pensamento de reduzir danos no 2º turno. Na votação dos destaques, que alteram o texto-base, ele mira a pensão por morte. O benefício teve valor reduzido, que pode ser menor que um salário mínimo em caso de o beneficiário ter outra renda.

A respeito do placar na bancada cearense, Eduardo Bismarck (PDT) e Pedro Bezerra (PTB) acreditam que se manterá o mesmo. O pedetista considerou votar a favor, mas se opôs ao texto no plenário. Bezerra, que foi favorável, foi vaiado durante a Expocrato. Ele minimizou, afirmando terem sido poucas pessoas, adversárias políticas. Disse ainda que deixou o palanque passando pelo meio do público presente.

Camilo teria pedido apoio a deputados

Reservadamente, dois parlamentares disseram ao O POVO que o governador Camilo Santana (PT) defendeu a aprovação da reforma da Previdência durante jantar com a bancada cearense, dia 11 de junho, data da votação em 1º turno.

Depois, conforme relato de fonte, ele ainda teria ligado ao coordenador da bancada cearense, Domingos Neto (PSD), reforçando a necessidade de adesão dos deputados. O POVO tentou confirmar a versão com Neto, mas não conseguiu retorno do contato.

Ao comentar polêmica na qual se vê a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) em virtude do voto favorável à matéria, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), sugeriu que o PT não tem legitimidade para proferir críticas, já que governadores da agremiação apoiaram o texto. Ele não citou nomes. O ex-ministro é, contudo, aliado de Camilo, embora já tenha dito que com o PT “não ando mais.”

José Guimarães negou ter havido a articulação por parte de Camilo. Apesar de falar em “redução de danos”, a pressão popular é, ainda, trunfo da oposição na esperança de que os votos favoráveis mudem. Ele afirmou ter sido ovacionado na Expocrato da última segunda-feira, ao passo que Pedro Bezerra (PTB) ouviu protestos, embora afirme que também foi apoiado.

Questionado sobre a atuação do governador, o presidente do PT no Estado, Antônio Alves Filho, defendeu que deputados não podem transferir responsabilidade do voto ao chefe do Executivo estadual. “Não vou dar declaração contra o governador. Da mesma forma que o Camilo respeitou voto dos deputados do PT, respeitaria voto de qualquer deputado”, argumentou.

Também líder petista no Estado, De Assis Diniz não quis tecer comentários. Alegou não estar mais na direção do partido, além de exercer a titularidade da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA).

Camilo já havia se posicionado em favor de reforma que não contivesse alterações no BPC, na aposentadoria rural e de professores, além de implementação da capitalização.

CAIU

De R$ 1 trilhão, a economia estimada em dez anos com reforma passou para R$ 933,5 bilhões.

Fonte: O Povo
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