quarta-feira, 19 de junho de 2019

Um “hacker” para descobrir o Queiroz


Na denúncia vinda de alhures pelo The Intercept Brasil, imagina-se que um “hacker” burlou o Telegram e, quase por um passe de ilusionismo, capturou uma vida; uma vida lavada a jato que muitos estragos fez ao patrimônio do povo brasileiro.
A imprensa tradicional, e de forma mais explícita a Rede Globo de televisão, vem insistindo numa invasão ilegal por um “hacker”. É óbvio que o “glamour” de uma invasão cibernética desperta um certo brilho nos olhos, principalmente de jovens que já nasceram escolhendo o hambúrguer tocando na tela do celular.
Entretanto, para quem abriu os olhos no mundo na “Era do rádio”, pode pensar porque, ao invés do “hacker nerdiano” não poderiam vir todo esse mundaréu de denúncias em um pacote de “fitas cassete” deixado atrás de uma lata de lixo, como se pode observar assistindo-se à série sobre o acidente de Chernobyl em famoso canal da TV por assinatura.
Na série, o protagonista decide por revelar ao mundo fatos obscuros sobre a tragédia socioambiental que ocorreu na antiga URSS um pouco antes da Glasnost.
As investigações sobre as denúncias de conversas pouco republicanas entre julgador e promotor, se existem, são comandadas pelo aparato policial cujo “capo dei capi” é o principal suspeito, o famoso “Superman” que muitas vezes parece voar sobre o país das maravilhas agarrado à cauda de uma “Vênus Platinada”.
Não obstante, os fatos denunciados não são questionados pelos acusados, o que deixa claro, para quem quer ver, que de cega a justiça, neste caso, não tem nada.
A insofismável gravidade do que ocorreu não permitiria a continuidade do ministro responsável pelo comando da própria força investigativa no cargo que ocupa, mas em terras tupiniquins, tudo é possível, principalmente na era da pós-verdade.
Queiram ou não os mais entusiastas com o “paladino da justiça e da ordem“, não se pode imaginar um ministro de Estado sem pressões políticas das mais diversas, principalmente quando seu papel reveste-se, ainda que no imaginário fantasioso de parte da população, da sanha quixotesca de acabar com as falcatruas e atos ilícitos de seus colegas do executivo e do parlamento.
Isto posto, então por que não pensarmos, primeiramente, na hipótese de uma denúncia, anônima como afirma o The Intercept Brasil, a origem do material agora exposto à luz do sol, como bem lembrava a Ministra Carmen Lúcia? Por que não deixamos a versão mais “glamorosa do hacker” para um outro episódio?
Refiro-me ao abduzido Queiroz. Os “hackers” da Polícia Federal e Ministério Público – sim, há que os ter, e dos bons, deveriam concentrar-se na busca do Queiroz. Não só porque, talvez, quem sabe, poderiam desvendar outras falcatruas e atos ilícitos, só que, desta feita, cometidas por “gente de bem”.
Atualmente, não podemos pensar em um liquidificador e logo surgem diversos anúncios nos oferecendo as mais diversas marcas com características técnicas tão modernas que nós, que nem cozinhamos, não hesitamos em comprá-lo com um clique. Mas achar o Queiroz é uma missão impossível, digna de um Snowden diretamente importado do Vale do Silício ou do subsolo do Kremlim.
O importante, caro leitor, é que não podemos deixar que uma grave denúncia venha fazer sombra a outras investigações e que o “Cadê o Queiroz?” caia no esquecimento do público em geral, nós cidadãos que também merecemos a “luz do sol” sobre os “malfeitos” vindos de qualquer linha política.
Fonte: Carta Capital
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