segunda-feira, 10 de junho de 2019

Chuvas irregulares provocam queda na colheita de grãos no Ceará


No início de cada ano, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) faz uma estimativa da colheita dos grãos ao fim da quadra chuvosa. Em 2019, o resultado verificado ao fim do período de chuvas ficou aquém da expectativa, que era de atingir 653 mil toneladas, um dos melhores índices já ansiados no Ceará.
A irregularidade das precipitações, de forma espacial e temporal entre fevereiro e maio, resultou em perda para a safra de grãos. Os fatores que ocasionaram esse cenário estão relacionados com a chuva. Na região Norte (Ibiapaba, Sobral e Baixo Acaraú) os prejuízos foram causados por excesso de precipitações. No Sertão Central, Inhamuns, Centro-Sul e Cariri, por escassez de água.
O presidente da Ematerce, Antônio Amorim, destacou o prejuízo econômico para a região. "No Cariri, que historicamente tem larga produção de grãos, as perdas foram muito elevadas e isso vai impactar a economia local, com menos dinheiro circulando nas cidades", avaliou.
Nas regiões Jaguaribana e no Centro-Sul cearenses, a maior dificuldade é a escassez de água nos açudes. "Não tivemos recarga nenhuma", disse Menezes. Em Iguatu, a perda média de milho é de 27% e a de feijão 22%, mas em Quixelô é mais elevada: milho chega a 35% e feijão, 27%. "Os técnicos estão em campo avaliando a situação após a quadra invernosa, por isso que os dados ainda são parciais", explicou o gerente local da Ematerce, Erivaldo Barbosa. "As chuvas foram muito irregulares e há distritos com perdas muito elevadas, como a região de Riacho Vermelho".
Outros municípios da região, como Quixeramobim, Quixadá, Solonópole, Piquet Carneiro e Mombaça, apresentaram perda média de 20% nas duas principais culturas: milho e feijão-de-corda. "Tivemos dois grandes veranicos que impediram o crescimento do plantio", observou o gerente regional da Ematerce, Francisco Albany Rolim. "E a situação mais complicada é a falta de água nos açudes".
Excesso de água
Gecilda explica que o excesso de chuva provoca queda das flores e apodrece os grãos, contribuindo para a perda da lavoura. "Em pelo menos nove das 18 regiões do Estado, tivemos veranicos e isso afetou o desenvolvimento do plantio", explicou. "Na região do Baixo Acaraú houve perda porque choveu muito".
O gerente local da Ematerce em Tianguá e em Viçosa do Ceará, na região da Ibiapaba (Serra Grande), Anselmo da Cruz Filgueira, explicou que não haverá perda para o milho. Mas, para o cultivo de feijão, a safra prevista inicialmente deve cair em torno de 30%.
Em Tianguá, por exemplo, a média pluviométrica é de 1.200 milímetros, mas foram observados, durante a quadra chuvosa, 1.500mm. O mesmo ocorreu nas regiões de Acaraú e Coreaú: frustração de safra em decorrência do excesso de umidade no solo. "As plantas ficam apodrecidas", frisou Filgueira. Em Apuiarés, os agricultores reduziram as suas áreas, pois ficaram temerosos de que o feijão viesse apodrecer devido ao excesso de chuvas. "Poderíamos ter uma safra bem melhor, mas houve irregularidade, veranicos e até perda por excesso de água", pontuou Amorim.

Fonte: DN
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