segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Esconde - esconde


O amor é como o jogo de esconde-esconde da infância.

Na maior parte dos casos, a outra pessoa simplesmente desiste de procurar. Cansa de rodear a casa e a sua personalidade.

Você fica esperando ser encontrada, quietinha, controlando a respiração, sem se mexer dentro de seu coração, mas não tem mais ninguém lá fora determinado a descobrir o seu esconderijo.

Quem deveria estar atrás perdeu a vontade de repente e voltou para o conforto da vida.

A perseguição pela sua porção mais verdadeira já acabou e você não foi avisada. Permanece ansiosa pela surpresa, recolhida no silêncio.

Não poderá mostrar a sua riqueza interior a quem merece.

O encanto morreu com a falta de curiosidade. As cortinas não são mexidas, a cama não é fiscalizada, os armários não são abertos, não há mais o interesse para desvendar por onde se guardou durante a sua vida inteira.

Às vezes, no amor, brinca-se sozinho.

Fabrício Carpinejar  é jornalista 
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