segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Babau do Pandeiro persiste na música e vende os próprios CDs em bares de Fortaleza


A passos lentos, chega Babau do Pandeiro com as mãos cheias de CDs e para em frente de cada mesa do bar. Faz isso algumas dezenas de vezes por dia entre negativas, pedidos de selfie e um quase assédio de antigos admiradores. Aos 73 anos, o cantor ainda trabalha de quarta-feira a domingo, tentando sobreviver da própria música e emplacar um outro sucesso de Carnaval. “É a coragem que não me faz desistir. Se eu desistir, como é que eu vou viver? Só se eu tivesse outro meio de vida, mas não tem... Meu único meio de vida são a música, os shows e a venda de CD”, insiste.

Antes de 2006, José Maximiano de Sousa era um homem comum por trás de uma banca da Paratodos, na Avenida Tristão Gonçalves, no Centro, que batucava algumas composições quando o movimento enfraquecia. “Bebe água, galinha” - o primeiro sucesso - nasceu assim. O segundo, “Bota a cabra pra berrar”, também. Difícil conhecer alguém no Ceará que não traga na memória os hits de Babau, seja pela simplicidade dos versos ou pela imagem marcante do velho compositor.

“Quando eu gravei 'Bebe água, galinha' veio gente de todo canto de Fortaleza para comprar CD da minha mão. Encheu de gente na minha banca, parecia um evento, uma diversão. Era carro demais que parava”, relembra o auge.
Com o tempo, o público foi esfriando. Babau se aposentou do trabalho de registrar apostas no jogo do bicho em 2010, mas perseverou na música. Permaneceu trabalhando como faz desde que saiu de Sobral, no Norte do Ceará, e chegou a Fortaleza.



São pelo menos 55 anos na lida. Na Capital, foi engraxate, guia para cegos, vendedor de picolé, pirulito e sorvete até se aquietar nas apostas. Hoje, tem “carreira artística”, como diz, orgulhoso. Não por vaidade ou soberba, mas por gratidão ao que aconteceu por acaso.
Se convidado a pensar naquele tempo, quando não precisava caçar compradores pras próprias obras, a lembrança nunca vem marcada por ressentimento.

Hoje, está ocupado com o trabalho de andarilho a oferecer CDs em bares no Centro, na Aldeota e na Parquelândia. O roteiro já foi maior, mas reduziu porque as pessoas tinham “enjoado” dele. “Tão meio fracas as vendas agora porque muita gente já comprou meu CD. Quem já comprou, não compra mais”, diz.

O velho compositor também encontra outra explicação para a pouca saída. Como o que canta está diretamente ligado ao ritmo de São João e Carnaval, as vendas ficam ainda mais difíceis em outros períodos do ano. Mas a luta é todo dia.

Da sacola de pano atravessada no pescoço, Babau tira uma nova aposta: o álbum preparado para o Carnaval 2019, que mistura os antigos sucessos e a faixa de trabalho deste ano. “Rato barrigudo” é uma crônica sobre um desafortunado roedor que caiu em uma arapuca e acabou “dependurado”. A inspiração foi um anúncio de dedetização que viu em um muro do Conjunto Tabapuá, em Caucaia, em que um rato é representado em uma forca para atrair contratantes às voltas com a praga.

Fonte: Diário do Nordeste 
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