quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Viagem de ônibus


Eu voltando pra casa em um ônibus lotado. Entupido até a tampa, para melhor dizer.

Fiquei em pé equilibrada num ferro, quase na porta da entrada. Sabem aquele compartimento alto e quente que fica ao lado do motorista com uma placa “não colocar sacolas”? Era bem ali que eu tava. Suando, com a bolsa pesada e ouvindo forró. A música que era oferecida a todos.

Fiquei ali, com um sorriso de meio canto ao observar as pessoas, porque se tem gente mais engraçada que a nossa, eu desconheço. Ouvia trechos de conversas, reclamações, e uma pessoa se abanando com revista de supermercado. "Pego essas revistinhas, mas nem leio as promoções. Uso pra fugir do calor e pra forrar a gaiola do meu papagaio", disse uma senhorinha ao constatar que eu a notava. Logo em seguida deu uma gargalhada banguela. Retribui com um sorriso.

O motorista freou rápido para não passar da parada. “Ave Maria, tá levando é bicho, é?”, gritou uma senhora. A porta abriu. Mais sete passageiros. "Meu povo, por que vocês insistem em entrar? Não cabe mais ninguém aqui. Esperem o próximo", disse um homem que estava sem paciência ao ver a porta do ônibus entreaberta com pessoas ainda nos degraus tentando subir.

A moça da outra ponta rebateu: "Meu senhor, as pessoas querem ir pra suas casas. Se coloque no lugar delas". Pronto, a confusão estava armada. Uns defendiam a mulher, outros o homem. Outros riam da baderna. Os adolescentes iniciaram as vaias (iiiiiiiiieeeeee!). A velhinha, que continuava a se abanar, já reprovava a situação. "Meus filhos, quando eram adolescentes, não faziam bagunça nos ônibus. Fico doidinha do meu juízo com os gritos desses jovens". A essa altura, é óbvio, que eu já estava rindo, e alto.

Esse foi o ápice do trajeto. Aos poucos, as pessoas chegavam aos seus destinos. Desciam reclamando. Desciam agradecendo a Deus. Desciam com a cara fechada. Desciam sorrindo. O veículo ia se despindo de gente. Já era possível ver seu corredor. Parece até que ele respirou aliviado, tadinho.

Chegamos ao fim da linha.

Juliana Marques é jornalista 
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