quinta-feira, 21 de junho de 2018

Ratos


Eles dizem gostar de mulher, mas são misóginos.

Trocam putarias no celular, expõem partes do corpo feminino como se não existisse o todo, alardeiam a sua virilidade, realizam a competição de quem come mais e de quem mente mais. Contam vantagem entre amigos, apenas entre amigos, porque desejam unicamente a aprovação de um outro homem, não sabem enfrentar uma mulher.

Eles odeiam a mulher. Eles temem a mulher. Eles morrem de receio da mulher.

São covardes. Aproveitam-se de uma mulher só quando está desacompanhada, bêbada, desacordada. Só quando ela não entende o idioma.

Exploram as boas intenções de uma estrangeira para cantar em coro desaforos e fazê-la de idiota.

Idiotas são eles, roedores de restos.

Acham engraçada a violência, pois não possuem educação para se destacar. Guincham. Absolutamente guincham dentro de suas gargalhadas.

São os assediadores compulsivos, os estupradores do inconsciente.

Aqueles que pingam Boa-noite Cinderela no copo de desavisadas, já que conversando não têm chance nenhuma.

Aqueles que forçam um relacionamento, forçam sexo e não escutam as vogais de um não.

Aqueles que juram que dinheiro compra amor, compra silêncio, compra impunidade.

Eles perderam o direito de ter uma mãe. Perderam a chance de ter uma mãe. Perderam a decência de ter uma mãe. Saíram de um esgoto, não de um ventre.

Constrangem e humilham sempre em bando. Sozinhos, acabam sendo medrosos.

São capazes das maiores brutalidades para soar engraçados, para ganhar a simpatia do seu circo de colegas.

Não são homens, mas ratos.

Fabrício Carpinejar  é jornalista
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