terça-feira, 22 de maio de 2018

Pré-campanha de Lula começa no dia 27; ao não escolher nome alternativo, ex-presidente acaba, por óbvio, por colaborar com Ciro Gomes

E chega mais uma mensagem de Lula, vinda do cárcere. O deputado petista Wadi Damous (RJ) afirmou, depois de visitar o ex-presidente, que o lançamento de sua pré-candidatura se dará no dia 27 “em cada cidade em que o partido estiver organizado”.
Lula segue, assim, a estratégia de levar seu nome ao limite possível. Até que a Justiça Eleitoral não decrete a sua inelegibilidade — e o TSE só poderá fazê-lo quando for provocado; não pode agir de ofício —, ele pode fazer campanha quase como qualquer um. Fica limitado porque preso, mas ainda mantém seus direitos políticos.
Nem vou entrar aqui no mérito sobre a justeza ou não de sua condenação — todos conhecem o que penso sobre a sentença de Sérgio Moro — e sobre a prisão por condenação antes do trânsito em julgado: sempre fui contra; quando nem se tocava ainda no nome de Lula. Deixarei essas duas questões de lado.
Chamo a atenção para outra coisa. Foram muitos os tolos que caíram na conversa de que, na prisão, Lula estaria liquidado. E, com ele, seu partido também seria reduzido a quase nada.
Um certo Reinaldo Azevedo advertiu de que, uma vez preso em circunstâncias discutíveis, para dizer pouco, abria-se a trilha para a heroicização da personagem. Também antevi, com a bola de cristal da lógica e da história, que seu peso eleitoral dificilmente sofreria um arranhão. Mais: dado que era (e continua) o líder absoluto no primeiro turno e o vitorioso, com folga, no segundo, dificilmente a prisão levaria o líder ao oblívio, e o partido, à lona.
Esperto, Lula passou a exercitar o discurso da resistência, que sempre tem seu apelo, especialmente quando vocalizado por alguém com as características de Lula: afinal, ele veio mesmo de baixo, era efetivamente muito pobre, venceu suas limitações e se tornou presidente e fez dois mandatos considerados virtuosos pela população. Se a maioria fosse versada em macroeconomia, teria concluído: “Xiii, esse negócio vai acabar quebrando”. Mas, sabem como é, a força microeconômica na geladeira produz o fenômeno da multiplicação dos votos.
Reitero: não entro no mérito das decisões que levaram Lula à cadeia — não neste post; já escrevi muito sobre as duas questões. O ponto é outro. Tolo é o fato de alguns adversários do petismo terem considerado que Lula estaria acabado junto com a sua prisão. Fiquei martelando isoladamente em ferro frio, aqui no blog: “Olhem que vocês estão criando um monstro eleitoral e eleitoreiro”. Dito e feito. Se solto, o petista estaria submetido ao desgaste. Uma vez preso, seus defeitos ficam todos congelados, e começam a aparecer as “virtudes do cárcere”, que têm a vantagem, para Lula, de apelar à imaginação das pessoas: “Ele está indignado, mas sereno”, diz um visitante. “Está preparando a campanha”, diz outro. “Ah, não! Ele não quer saber de indulto. Exige o reconhecimento de sua inocência”. E vai por aí.
Se solto, continuaria inelegível, mas fazendo campanha mais abertamente, sendo confrontado com a sua própria obra.
Se há coisa que a cadeia consegue inspirar nas pessoas é a inclinação para a santidade, não é mesmo? E, como não estão em circulação,  não são questionadas a respeito. Não fosse a parte chata, terrível mesmo, que á a perda de liberdade, Lula não teria razão para estar mais satisfeito. Os que resolveram prendê-lo lhe deram, também, uma força extraordinária. E, se há coisa que ele aprendeu desde sempre, bem…, é a usar a dita-cuja.
E quando o Tribunal Superior Eleitoral vai atuar? Pois é… Não será tão cedo. Nem mesmo se fizeram ainda os respectivos registros das candidaturas.
E observem: quanto mais a eleição se aproxima, mais difícil para Lula se torna encontrar um nome substituto. Ou por outra: não indica-lo não deixa de ser uma forma de compor com Ciro Gomes, ainda que por caminhos oblíquos. E é claro que o pré-candidato do PDT já se deu conta.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
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