domingo, 15 de abril de 2018

Cresce a chance de PT abrir mão da cabeça de chapa presidencial


É um PT rachado sobre os rumos a tomar que se reúne hoje em São Paulo. Oficialmente o partido ainda mantém a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a única opção para outubro. A prisão do ex-presidente, no entanto, começa a desinterditar o debate. As duas principais opções do partido, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner.

Uma aliança com o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, pré-candidato pelo PDT, é hoje o cenário mais considerado entre aqueles que não veem chances de o partido encabeçar uma chapa. A distância que Ciro mantém do PT na fase mais crítica do partido na Lava-Jato, porém, o indispõe com amplos setores do petismo. Ontem, o pedetista protocolou um pedido para visitar Lula na prisão, mas encontros com políticos tem sidos negados pela Justiça.

A possibilidade de uma composição com o PSB tampouco está descartada. Relatórios de pesquisas qualitativas com moradores de São Paulo das classes B e C às quais dirigentes do partido tiveram acesso mostraram que uma chapa com o ex-ministro Joaquim Barbosa na cabeça e Haddad de vice potencializa as chances tanto do PSB quanto de petistas.

Um sinal de que a candidatura do ex-ministro está, de fato, por se concretizar, veio ontem com o anúncio de desfiliação do ex-ministro Aldo Rebelo do PSB. Rebelo, que deixou o PCdoB no ano passado para se filiar à legenda a convite do novo governador de São Paulo, Márcio França, anunciou, em rede social, sua contrariedade em relação à opção do partido por Joaquim Barbosa.

Um dos entraves à composição de uma chapa com o PT de vice é a destinação do fundo partidário. O PT terá acesso a R$ 212 milhões. Já definiu que destinará um terço à campanha presidencial, o que representa o teto fixado na lei eleitoral. Se vier a compor como vice uma chapa com o PDT ou o PSB, o PT não terá como recuar desses gastos, visto que ambas as legendas dispõem de fundos partidários bem menores - R$ 70 milhões e R$ 118 milhões respectivamente.

Na avaliação de alguns petistas, a necessidade de debater uma alternativa à candidatura de Lula chega tarde. Com timidez, a proposta de um debate sobre isso chegou ser colocada internamente enquanto a prisão ainda era uma hipótese. Mas não prosperou.

A segunda constatação é a de que o isolamento de Lula na cadeia inviabiliza qualquer tipo de ação minimamente coordenada. Antes da prisão, muitos petistas fantasiavam sobre isso. Imaginavam que, de alguma forma, os recados de um Lula preso poderiam produzir impacto e orientar a ação dos de fora. Constatam agora que Lula não pode sequer gravar um vídeo , dirá comandar uma campanha.

Fonte: Valor Econômico 
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