domingo, 25 de março de 2018

Patricia Pillar comenta feminismo, assédio, eleições e Ciro Gomes


RIO - Patricia Pillar entra na sala e pergunta:

— Posso tirar o meu sapato?

Com a mesma simplicidade com que cruza os pés descalços sobre o sofá na confortável cobertura onde mora, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, aquiesce quando a repórter comenta que ela parece feliz (“Estou numa fase bem boa mesmo”, admite). Patricia tem se dividido nas últimas semanas entre o Rio e o interior da Paraíba, onde grava a supersérie “Onde nascem os fortes”, com estreia dia 23 de abril na Globo. As externas em São João do Cariri e outras cidades próximas propiciam um mergulho num universo que a emociona.

— O sertão para mim é algo que não tem nada de estranho. Eu me sinto em casa, me sinto bem. São essas pessoas que me comovem. No jeito de viverem, como lidam uns com os outros, na solidariedade. Minha avó materna era de Quixadá, tenho o interior do Ceará no meu sangue. Me sinto de lá.
O sertão a sensibiliza tanto que, ao contar sobre a chuva que viu jorrar abundante sobre a região no início deste mês, lavando sete anos de seca, seus olhos espelham a água próspera.

PRESENTE NO CASO MARIELLE

Ativa nas redes sociais, ela é seguida por 433 mil pessoas no aplicativo; tem ainda 1,257 milhão de seguidores no Facebook e mais 44 mil no Twitter. Em todos esses canais, nos últimos dias, imagens e textos sobre sua prazerosa vivência na série da TV se alternam com comentários sobre um trauma coletivo: o assassinato, no dia 14 de março, da vereadora Marielle Franco.

— Votei nela. E, vamos dar nomes aos bois, isso foi um atentado contra a democracia. Foi para matar uma ideia, para matar a coragem. Quer dizer, quis matar, porque milhões de Marielles se levantaram. E é de uma violência... É preciso que esse crime seja esclarecido ou o Rio de Janeiro pode virar o caos. Quando a gente perde a possibilidade de justiça, o próximo passo é a barbárie.
O assassinato, segundo ela, leva a outro ponto fundamental no país, hoje: o do “lugar de fala”.

— Sempre me senti uma pessoa sensível para as questões das minorias. Defendo as questões do movimento negro, das comunidade LGBT e etc.... Entendo que agora é hora de eles próprios falarem, e isso é muito importante. Estamos todos surdos, ouvimos pouco, o outro quase nunca existe pra gente.

“O CIRO NUNCA FOI MACHISTA”

O tema leva a um pergunta inevitável: como bateu para ela a declaração de 2002 de Ciro Gomes, então seu marido e candidato a presidente da República pela Frente Trabalhista, de que seu papel na campanha era dormir com ele?

— Convivi 17 anos com ele e ele nunca foi machista. Naquela campanha, ele era uma alternativa ao PT e ao PSDB, e estava super exposto, apanhando dos dois lados. Todas as entrevistas dele em que eu estava presente aparecia essa pergunta e sempre de forma provocativa. E, neste dia, já era a terceira ou quarta. Ele já tinha respondido que eu era sua companheira, que conversávamos sobre tudo, porque era isso mesmo, compartilhávamos um projeto de Brasil. Mas aí perdeu a paciência e deu aquela resposta infeliz — diz ela.

Patricia viu no episódio um sinal desses tempos de hipocrisia.

— Para uma pessoa que não se tornou cínica, é muito difícil aguentar certas coisas. Só que as pessoas muitas vezes preferem os cínicos, os “educados”, que dizem coisas incríveis, mas que fazem o oposto. Isso é terrível. Ele me pediu desculpas, e eu compreendi imediatamente, pelo cansaço e pelo esgotamento que vivi junto com ele.

E, hoje, votaria em Ciro Gomes para presidente?

— Voto nele, claro. O panorama ainda está indefinido (Ciro é pré-candidato pelo PDT), mas não há a menor chance de o meu voto não ser dele.

Fonte: O Globo

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