sexta-feira, 16 de março de 2018

Morte de vereadora coloca intervenção no Rio de Janeiro em xeque


A morte de Marielle é principalmente um atentado à democracia e a todo o conjunto de vozes que se lançam contra a truculência policial no País e o poder das facções criminosas. É a morte de uma mulher negra também, antes que se esqueça.

Embora a autoria do seu assassinato ainda esteja sendo investigada, o que se sabe até agora é que a militante de 38 anos denunciava sistematicamente o 41º Batalhão de Polícia fluminense, conhecido por ser o que mais mata no estado. Dentro dele se alojariam as milícias que achacam moradores dos morros, oferecendo e cobrando por serviços como TV e internet.

Como vereadora de primeiro mandato, a quinta mais votada do Rio, ela tinha função de relatora na Comissão da Câmara que fiscaliza a intervenção federal na área de segurança. Ali, acompanhava as ações do Exército nas comunidades.

Como vereadora de primeiro mandato, a quinta mais votada do Rio, ela tinha função de relatora na Comissão da Câmara que fiscaliza a intervenção federal na área de segurança. Ali, acompanhava as ações do Exército nas comunidades.

Um dia depois do crime e menos de uma semana após a chacina do Benfica, em Fortaleza, o governo federal anuncia umcentro de inteligência no Ceará, estado onde quatro matanças deixaram 35 mortos nos três primeiros meses do ano. O gesto é parte de um esforço oficial para conter as facções, mas também ferramenta política. Como a intervenção no Rio.

Às vésperas das eleições, cada morte vira teatro para discursos esvaziados de efetividade. Enquanto tribunais descaracterizam veículos de desembargadores temendo ação de facções, o governo aluga carros blindados para seus mandatários e a Assembleia Legislativa do Ceará enterra a CPI do Narcotráfico com medo de retaliação do banditismo, à maioria das pessoas resta a impotência.

E é nesse ponto que a morte de Marielle tem outra leitura política: nesse aspecto, a vereadora era o novo na política. Era parte da rua e do Legislativo. Era ativista, mas também intelectual, socióloga formada pela PUC-Rio e mestre em administração pública. Tinha um lastro dos movimentos sociais, conhecia a máquina pública, dialogava com a academia e estabelecia laços com as esquerdas.

Nesse sentido, Marielle era o novo que tanto se procura na política. Em meio a discurso de velharias e reedição de demagogias eleitoreiras, foi isso que esses nove tiros mataram na última quarta-feira.

Fonte: O Povo
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.