sexta-feira, 2 de março de 2018

Entrevista de Lula incomodou um pedaço do PT


entrevista de Lula à Folha não caiu bem no PT. Um pedaço do partido ficou aborrecido com o timbre egocêntrico do grande líder. O blog conversou com três membros do diretório nacional do partido. Dois deles enxergaram num trecho das declarações uma ponta de desprezo com o partido. Avaliam que, ao interditar o debate sobre alternativas à sua candidatura, Lula prioriza suas conveniências penais em detrimento dos interesses partidários.
No trecho da entrevista que provocou mais ruídos internos, Lula foi instado a responder se abriria “brecha” para a discussão de uma candidatura presidencial alternativa. Soou categórico: “Não abro, não abro. Se eu fizer isso, minha filha, eu tô dando o fato [da condenação que levou à inelegibilidade] como consumado. Eu vou brigar até ganhar. E só vou aventar a possibilidade de outra candidatura quando for confirmado definitivamente que não sou candidato.”
Já estava entendido que o PT, com seu perfil político-religioso, conduziria a candidatura de Lula como uma procissão. Nela, o santo segue o seu trajeto até a impugnação da candidatura no Tribunal Superior Eleitoral, prevista para agosto. Aos devotos cabe carregar o andor e acompanhar Lula com suas preces. O problema é que a superexposição dos pés de barro da santidade reduz a taxa de devoção.
O terceiro petista ouvido pelo blog concordou apenas parcialmente com os outros dois. Disse não ter dúvidas quanto ao fato de que Lula prioriza seus interesses. Mas acha natural que o partido ampare seu principal dirigente no “pior momento” de sua vida política. Primeiro porque não há outra alternativa. Em segundo lugar, porque a tática será útil ao partido no final.
Nessa leitura menos pessimista da conjuntura, o PT não sairia mais danificado do que já está, pois Lula, se for realmente barrado no TSE, acionará o seu prestígio para empurrar um correligionário até o segundo turno da eleição presidencial. De resto, a atmosfera de ''perseguição'' que mantém a militância mobilizada em torno de Lula garantiria a eleição de uma boa bancada petista no Congresso.
Lula está longe de ser um líder minoritário no seu partido. O estilo coronelesco sufocou o surgimento de lideranças capazes de lhe fazer sombra. Mas o bloco dos insatisfeitos não para de crescer. Dissemina-se pela legenda o receio de que, ao privilegiar o próprio umbigo, o fundador do PT contribua para afundar um pouco mais o partido nas urnas de 2018.
Fonte: Blog do Josias de Souza 
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