terça-feira, 20 de março de 2018

Acordos com dirigentes afetam trocas de siglas


O mês de abertura da chamada janela partidária – de 7 de março a 7 de abril – já está quase na metade, mas, na bancada cearense na Câmara dos Deputados, alguns parlamentares ainda esperam que o cenário eleitoral fique mais claro, em alguns partidos ou em relação a aliados, para definirem, apenas de última hora, possíveis trocas de legenda. Nas últimas semanas, mudanças que já eram dadas como certas por alguns foram descartadas, enquanto outras movimentações foram postas às mesas de negociações entre deputados e dirigentes partidários.
O mesmo acontece com deputados estaduais cearenses. Embora, antes da abertura da janela, muitos já tivessem anunciado que trocariam de partido – houve até quem fez evento para tornar público o novo destino –, até o momento, apenas Odilon Aguiar oficializou mudança. Na última quinta-feira (15), ele deixou formalmente o PMB, que atualmente compõe a base aliada do governador Camilo Santana (PT), e se filiou ao PSD, mesmo não sendo mais candidato ao pleito deste ano.
Entre os deputados federais, Cabo Sabino (ainda no PR), por exemplo, oficializaria filiação ao PHS na última sexta-feira (16), conforme já havia anunciado em diversas aparições públicas, mas dois dias antes, na quarta (14), em reunião com o presidente nacional da agremiação, Eduardo Machado, decidiu que não concretizaria a troca. Ao Diário do Nordeste, ele informou que, amanhã (20), oficializará compromisso de filiação com o Avante, em Brasília, mas opta por ficar no PR até o próximo dia 6 de abril, véspera do fim da janela partidária.
“O PHS entreguei essa semana, na quarta-feira, ao presidente nacional, porque mudou a direção e alguns acordos que tínhamos feito com a direção passada a nova direção não havia acordado”, detalha. Tais acordos, segundo Sabino, tratavam de autonomia em votações e declaração de apoio político nas eleições deste ano. O Avante, afirma ele, lhe garantiu autonomia para votar no deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, e, ainda, para tomar posicionamento “como queira na campanha para o Governo do Estado”.
Cabo Sabino diz que o grupo político que reunia no PHS irá com ele para o Avante e reforça que permanecerá, até o momento, com a postura de “independência” adotada em relação ao Governo Camilo. Segundo ele, apenas se o deputado estadual Capitão Wagner (também ainda no PR) for candidato a governador, o Avante deve alinhar-se à oposição no Ceará.
Em relação à própria tentativa de reeleição, o parlamentar afirma que tem trabalhado para que o partido tenha “um time forte” para a disputa proporcional, uma vez que tem como meta a eleição de até dois deputados federais no Ceará e entre dois e três deputados estaduais.
Cabo Sabino não descarta, porém, a possibilidade de compor coligação proporcional. “Não tenho pensado em coligação proporcional antes do dia 7 de abril, porque, até lá, é um período de filiações, então você não sabe, até o momento, quem vão ser os filiados dos partidos”, pondera.
Convites
A deputada federal Gorete Pereira, que assumiu recentemente o PR no Ceará, disse ao Diário do Nordeste, por sua vez, que Cabo Sabino poderia não mais sair do partido. Segundo a parlamentar, o senador Eunício Oliveira (PMDB) e o governador Camilo Santana têm apoiado a reestruturação do partido no Estado, após o rompimento político entre ela e o grupo político do vice-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, que já se prepara para deixar a legenda.
Gorete Pereira acredita que partidos aliados do governador formarão um “chapão” na disputa por vagas da Câmara, assim como deve ocorrer na eleição para deputado estadual. Ainda à espera de definições, porém, ela destaca que a prioridade do partido, no momento, é buscar a formação de uma “chapa aguerrida” para ajudar o Governo do Estado e promover crescimento do próprio PR.
Cabo Sabino, por outro lado, nega que poderia permanecer na legenda. “Não vou ficar no PR coisa nenhuma. Fui o primeiro a dizer que sairia do PR. A minha questão de sair do PR é por questões nacionais, por divergências de ideologia”, aponta. “O meu problema é lá, não é cá”.
Tucano
Quem também foi convidado pela presidente do PR para ingressar no partido foi o deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB). Ele conta que também recebeu convites do PPS, do PROS e do PMDB, mas diz não querer se precipitar em nenhuma posição, uma vez que acumula seis mandatos de deputado federal e, há 12 anos, é o único tucano que representa o Estado na Câmara.
“Não existe, de minha parte, intenção de a gente deixar o PSDB”, afirma, sem descartar, porém, que eventual mudança dependeria de definições de possível coligação no Ceará. “Nossa posição, se o prazo fosse para definir agora, permaneceria no partido. Agora, tem que ver qual é o cenário de outras candidaturas. A gente vai ter que buscar coligação”, coloca.
O cenário de indefinição não é exclusivo da oposição. Segundo Raimundo Gomes de Matos, outros deputados federais, como Ariosto Holanda (PDT), Adail Carneiro (PP), Vitor Valim (PMDB) e Cabo Sabino (PR), também relatam estar em situações “instáveis” nos atuais partidos. “Esses me revelaram que estão aguardando o cenário”.
A situação de Adail Carneiro, por sua vez, vai além de interesse eleitoral, pois também decorre de uma relação desgastada com membros do PP no Ceará, após disputa pelo comando do partido no Estado. A reportagem tentou entrar em contato com ele, Ariosto Holanda e Vitor Valim, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Fonte: Blog do Edison Silva 
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