terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Quanta falta de vergonha!


O mínimo que se exige de quem veste a toga é compostura. Definitivamente foi o que faltou ao desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças no dia em que tomou posse como novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Ao responder a perguntas de jornalistas, ele afirmou, de forma irônica, que o auxílio-moradia de R$ 4 mil pago aos juízes “é muito pouco”. E confessou recebê-lo mesmo sendo dono de vários imóveis na capital paulista. “Recebo, sim. Tenho vários imóveis, não só um”, debochou.
Auxílio-moradia para quem ganha altos salários não passa de privilégio que, no caso dos juízes, contempla pouco mais de 17 mil deles. E de artifício para driblar o teto salarial do funcionalismo de R$ 33,8 mil mensais regulado pela Constituição.
Em vários Estados, juízes recebem auxílio-alimentação, auxílio-educação e até auxílio-enterro. Resolução do Conselho Nacional de Justiça proíbe que juízes casados com outros juízes, e que morem sob o mesmo teto, recebam duplo auxílio-moradia. Pois muitos recebem, sim.
Se um juiz é dono de imóveis na cidade onde trabalha, por que ele tem direito a auxílio-moradia? O que justifica isso? Nada. É só para que ele embolse mais do que seria razoável que embolsasse. Auxílio-moradia de R$ 4 mil é mais do que ganha 90% dos brasileiros.

Que tal?

Ricardo Noblat é jornalista 
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