quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sem Capitão Wagner, oposição fica sem postulante ao Governo do Ceará


Seguindo os passos de um antigo aliado político, Cabo Sabino, o deputado estadual Capitão Wagner vai deixar o Partido da República (PR) e se filiar ao Partido Republicano da Ordem Social, o PROS, pelo qual vai disputar uma das 22 vagas do Estado à Câmara Federal. Com isso, a oposição, que apostava no parlamentar para uma candidatura ao cargo Executivo mais importante do Estado, voltou à estaca zero, sem um postulante oposicionista ao cargo de Governador e fará uma reunião para discutir a situação até o fim deste mês.
O anúncio de Wagner, da saída do PR e consequente filiação ao PROS, será feito de forma oficialmente no próximo dia 25, uma quinta-feira, a partir das 9 horas, na Assembleia Legislativa do Estado. A concretização da filiação, contudo, só será concretizada em março próximo, quando a janela partidária for aberta. O deputado dialoga já há alguns meses com a direção da sigla no Estado.
O presidente do PR, Lúcio Alcântara, chegou a oferecer a presidência da legenda ao deputado, mas ele não aceitou o posto, visto que não teria o controle da agremiação na totalidade. Wagner não aceitava, por exemplo, que filiados da legenda, como a deputada federal Gorete Pereira (PR), se aliassem à base do governador Camilo Santana.
Wagner afirmou em entrevista que será candidato a deputado federal pelo PROS, e não pretende disputar vaga no Senado ou o Governo do Estado, como queria a oposição. Ele justifica a escolha devido as postulações majoritárias demandarem muito investimento e cita que ainda estaria pagando dívidas da campanha de 2016, quando foi derrotado por Roberto Cláudio na disputa pela Prefeitura de Fortaleza.
Apesar da decisão de não disputar o cargo de governador, o parlamentar garantiu que a relação com a bancada oposicionista seguirá a mesma, sem qualquer distanciamento ou desentendimento. No entanto, o mesmo não acontecerá em relação a seu antigo aliado, o deputado federal Cabo Sabino. Não há mais ânimo nem disposição entre os dois para uma relação amigável.
Rompimento
Desde o segundo semestre do ano passado, desentendimentos entre os dois parlamentares foram evidenciados nas redes sociais. Sabino havia se comprometido a apoiar Wagner na disputa ao Governo do Estado ou ao Senado, mas disse, em vídeo na Internet, que lançaria candidatura a deputado estadual, caso o colega fosse disputar uma vaga na Câmara Federal.
No entanto, após ouvir apoiadores, Sabino resolveu manter a postulação a deputado federal, o que dividirá votos dos dois. Em 2014, quando foram eleitos em dobradinha, Wagner obteve 194.239 votos e Sabino, 120.485. Ele foi o 12º deputado federal mais bem votado do Ceará, e Wagner, o candidato a deputado estadual com mais votos na história da Assembleia.
Com o senador Tasso Jereissati e Capitão Wagner fora da disputa majoritária no Estado, o ex-presidente do PSDB, Luiz Pontes, disse que a oposição já estaria no “plano D”, e não mais no B ou C. Na manhã de ontem, ele se reuniu, em um almoço, com os dirigentes do PR, Roberto Pessoa e Lúcio Alcântara, e com o ex-presidente do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Domingos Filho. A bancada decidiu que vai insistir nas pesquisas internas para definir quem será o escolhido para a disputa. Luiz Pontes garante que o Estado não ficará sem um candidato oposicionista em 2018.
Dificuldades
Principal liderança do grupo no Ceará, Tasso Jereissati está no exterior, mas se reunirá com a bancada até o fim do mês. Segundo Luiz Pontes, a ideia é lançar o nome do candidato opositor logo, visto que só ter um nome, neste caso, o atual governador Camilo Santana, para Pontes, não é bom para a democracia.
Para ele, o principal empecilho para apoio ao nome de Wagner foi o fator Jair Bolsonaro, visto que houve impedimento de Tasso a pedido de voto para o presidenciável. Ele admitiu que a oposição tem dificuldades para encontrar um nome, mas lembrou que, em 2014, o nome de Camilo Santana só foi definido na base governista no último momento.
Presidente do PR, o ex-governador Lúcio Alcântara disse que, “no momento certo”, a oposição terá um nome, mas, por enquanto, não há candidato. No entanto, ele ressaltou que as legendas de oposição estão unidas, e isso é importante neste momento.
Questionado sobre a saída de dois membros da agremiação, o dirigente afirmou que não pode forçar ninguém a ficar no partido e que a mudança de partidos é um “fenômeno natural” na política.
Fonte: Diário do Nordeste 
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