quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Um mudo grita "Viva a Mãe de Deus!"


Retornamos ao memorável ano de 1953. O apelo de conversão que ecoou da Cova da Iria em 1917 espalhou-se pelo mundo e com ele a devoção à Nossa Senhora de Fátima. Uma Imagem foi esculpida sob as orientações da Ir. Lúcia de Jesus, a única vidente que alcançou a idade adulta. Foi esta mesma Imagem que veio ao Brasil e peregrinou por muitas cidades, inclusive Ipueiras.

Com a notícia da chegada de visitante tão ilustre, tratou o Vigário da Paróquia, o Pe. Francisco Correia Lima, de preparar os fieis e a cidade para as festividades. A alegria e a preparação espiritual já encontravam lugar no Tríduo de Cristo Rei que aconteceu no final de outubro. Toda a preocupação do padre em preparar o povo foi verdadeiramente reconhecida por Deus e pela Virgem Maria, como veremos.

08 de novembro de 1953, um domingo. Por volta das 18h o carro andor espera fora da cidade a comitiva que trazia a Imagem de Fátima. Tal comitiva era composta pelo Mons. Marques (Vigário Geral da Diocese de Leiria, Portugal), Pe. Francisco Demontiez – belga, Pe. José Palhano (Secretário do Bispado de Sobral) e Pe. Expedito Silveira (Cooperador em Acaraú). Ali se reuniam calculadamente 10 mil pessoas que delirantemente agitavam seus lenços brancos. Proferiu empolgado discurso o Sr. José Costa Matos em nome do prefeito municipal e em seguida recitou uma poesia o Sr. Jeremias Catunda.

A Imagem foi conduzida no carro andor até a Praça da Matriz onde a multidão aclamava com hinos de louvores a ilustre visitante que foi recebida com uma prolongada salva de palmas e uma saudação de 21 tiros. Dois palanques foram preparados para as autoridades e de um deles proferiram discurso o Dr. Gerôncio Brígido Neto, Juiz de Direito da Comarca de Ipueiras e o Sr. Gerardo Melo Mourão. Após as falas a Imagem foi colocada num altar artisticamente preparado em frente à Matriz onde permaneceu por toda a noite ante a veneração de uma imensa multidão.

Às 21h a Bênção do Santíssimo foi oficiada pelo Pe. Monteiro da Cruz, SJ e registrou-se a cura imediata de D. Rosina Catunda de Pinho que era totalmente cega de ambos os olhos há aproximadamente 10 anos.

Às 0h (meia noite) foi celebrada a Missa pelos padres Monteiro da Cruz, SJ, Francisco Correira Lima e José Palhano.

Às 3h30m o mais célebre milagre efetivou-se quando o padeiro Vicente Alves Rodrigues, mudo há 13 anos ajoelhando-se aos pés da Imagem da Virgem de Fátima, beijou uma fita que dela pendia e imediatamente prorrompeu em “Viva Nossa Senhora de Fátima!”.

A Imagem despediu-se de Ipueiras às 7h do dia 09 de novembro de 1953. Pe. Correia depositou aos pés da Virgem um crucifixo de ouro, oferta dos católicos ipueirenses onde se achava escrito: “Oferta dos fieis da Paróquia de Ipueiras, Diocese de Sobral, Ceará, Brasil à Virgem de Fátima”.

SOBRE VICENTE, O MUDO MIRACULADO

Há escassas informações sobre o padeiro Vicente Alves Rodrigues, mas sabe-se graças ao testemunho de muitas pessoas que o conheceram que tinha sua padaria à atual Rua Raul Catunda Fontenele, próximo à Praça da Matriz.

Vicente recebeu a Bênção do Santíssimo às 21h e voltou para a execução de seus ofícios com muita tristeza por não ter sido curado. Ali chorou copiosamente. Foi então animado por um colega de trabalho a voltar para a praça. Com confiança ajoelhou-se e beijou uma fita que pendia da Imagem da Virgem de Fátima e foi curado. Em seguida foi confessado na Igreja por um dos padres presentes (certamente o Pe. Monteiro da Cruz) e juntamente com toda a multidão, Vicente rezou o Terço em agradecimento pela graça alcançada. Foi tamanha a emoção que o padeiro se dispôs a acompanhar a Mãe de Fátima por Crateús e Fortaleza, até sua despedida.


Os jornais da época noticiaram o fato e Vicente foi entrevistado em Fortaleza no Jornal Correio da Manhã e lá o mesmo relatou que sua mudez foi devido a uma congestão. Fora desenganado por médicos de Ipu, Crateús e Sobral com o argumento de que nunca mais recuperaria a voz. Contou também ser padeiro em Ipueiras desde 1924 e que há 8 anos não se confessava nem comungava.

Estes fatos foram registrados pelo Pe. Correia no Livro de Tombo da Paróquia de Ipueiras e o mesmo Padre deixa sua impressão a respeito dos mesmos: “É que as graças divinas se derramaram profusamente sobre a Terra da Imaculada Conceição”.

Marcos Augusto de Freitas Costa é historiador 
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