sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A imagem que cruzou o atlântico e chegou em Ipueiras


Ano do Senhor de 1905.

O sumiço misterioso da imagem da Padroeira levou o Pároco, Pe. Maximiano Pinto da Rocha, a encomendar em Paris uma imagem de Nossa Senhora.

Já aproximava-se o fim do ano. Um transporte de Paris à Ipueiras era muito demorado. Uma encomenda vinda de outro continente vinha até Camocim ou Fortaleza de navio e depois seguia para o seu destino pelos trilhos. Naquela época a estrada de ferro mais próxima de Ipueiras tinha seu ponto final na Estação do Ipu.

A imagem foi solenemente benta com grandes festividades no dia 13 de dezembro daquele ano do qual estamos distantes 112 anos. Outros padres da região se fizeram presentes também.

Para termos ideia das diferenças pastorais e políticas observemos o seguinte: o Bispo à época era D. Joaquim José Vieira, que pastoreava todo o Ceará que constituía uma imensa Diocese. Os municípios mais próximos de Ipueiras eram Ipu, Guaraciaba do Norte, Santa Quitéria, Tamboril, Crateús e Independência.

SOBRE O PE. MAXIMIANO

Nasceu em Russas a 21 de fevereiro de 1873, foi ordenado em 30 de novembro de 1901 e faleceu em Cascavel em julho de 1927.

SOBRE O FATO DA TROCA DE IMAGENS

Uma velha história na qual se relata que a Capela de Nova Russas havia feito a encomenda de uma imagem de sua padroeira e as remessas foram trocadas não passa de uma lenda comum à várias cidades da nossa região. Não há nenhum relato fidedigno a respeito. O dito Pe. Maximiano não registrou nada no Livro de Tombo sobre a chegada da Imagem, muito menos sobre uma possível troca. O que confirma a inconsistência da história que se espalhou é o fato de que em Nova Russas não há uma imagem de Nossa Senhora da Conceição antiga. Ora se a de Ipueiras foi pra lá, deveria estar lá, fato que não se observa.

Enquanto isso, a belíssima imagem que foi encomendada para substituir a original da Padroeira de Ipueiras permanece voltando seu olhar misericordioso a todos que a contemplam. Viva Nossa Senhora!

Marcos Augusto de Freitas Costa é historiador  
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