terça-feira, 21 de novembro de 2017

Quanto Marina Silva ainda tem de PT?


A ex-ministra e ex-senadora Marina Silva (Rede) deixou o PT em 2009. Passados oito anos, ela continua a colher o ônus e o bônus de ter sido petista. Nas redes sociais, seus críticos costumam dizer, para desqualificá-la, que “Marina ainda é PT” por causa de suas posições de esquerda. Por outro lado, as pesquisas eleitorais mostram que ela é quem mais tende a levar votos que seriam do ex-presidente Lula caso ele não possa concorrerà Presidência em 2018.

Mas, enfim, quanto de PT Marina ainda tem? Qual é a relação que ela ainda tem com o PT? A Gazeta do Povo levantou o que Marina pensa sobre uma série de assuntos da vida pública brasileira e cruzou essas informações com os posicionamentos do PT e de suas principais lideranças.

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O resultado é que, sim, Marina ainda tem muito de PT – inclusive porque ela e seu ex-partido defendem algumas causas que são caras à esquerda. Mas Marina também se distanciou do petismo e pensa diferente em muitos aspectos significativos da política, ideias de combate à corrupção, economia, meio ambiente.

Confira abaixo quais são os pontos em que Marina pensa igual ou de modo semelhante ao PT, aqueles em que ela e seu antigo partido são diferentes e outros em que a proximidade ou a distância da presidenciável e dos petistas depende do ponto de vista.

POLÍTICA E GESTÃO PÚBLICA

Oposição ao governo Temer: Marina, seu partido (a Rede) e o PT fazem oposição ao governo Temer.

Personalismo partidário: tanto a Rede como o PT negam. Mas os dois partidos têm “donos”. A Rede gira em torno de Marina, assim como Lula manda no PT. No ano passado, um grupo de fundadores da Rede se desligou da sigla e, em carta aberta, criticou Marina. “As decisões estratégicas que foram conformando o perfil da Rede partiram todas de Marina e apenas dela”, disseram na carta.

Democracia participativa: PT e Marina têm posições convergentes. Defendem a ampliação do uso de instrumentos de democracia direta, como plebiscitos e referendos, para decidir sobre assuntos relevantes para a sociedade. Marina fala ainda em estabelecer uma democracia digital, por meio da qual os cidadãos poderiam participar de decisões pela internet. O PT foi o grande divulgador do orçamento participativo no país.

COMBATE À CORRUPÇÃO

Mensalão: quando o escândalo do mensalão estourou, em 2005, Marina era ministra do Meio Ambiente de Lula, cargo que ela ocupou por mais três anos, até 2008. Só deixou o governo por divergências com a política ambiental que a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, queria implantar. Em 2010, já fora do PT, disse que não foi conivente com o mensalão. “Eu permaneci para dar contribuição [de combate à corrupção] dentro do governo, mas não por ser conivente. Eu sabia que estava combatendo por dentro, não havia cometido irregularidades.” Apesar disso, no episódio do mensalão, ela não se distinguiu da maioria dos petistas, que mantiveram o apoio a Lula.

ECONOMIA

Privatizações de estatais: Marina já declarou ser contra a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Seu plano de governo de 2014, quando ela concorreu à Presidência pelo PSB, não tinha um plano de privatizações. O PT tem posição contrária à venda de estatais para a iniciativa privada.

Reforma tributária: em 2014, Marina defendeu uma reforma que promova mais justiça social e a simplificação tributária. É algo que o PT também defende. Mas, quando esteve no governo, o partido não conseguiu levar adiante a ideia. Não por causa do PT, mas sim da resistência de vários setores contrários.

CPMF: na campanha de 2014, Marina defendeu a recriação da CPMF para financiar a saúde. Mas ela votou contra o “imposto do cheque” duas vezes no Senado, em 1995 e 1999, quando ainda era petista. Naquela época, o PT era contra a CPMF. Quando chegou ao poder, o partido passou a ser a favor. Atualmente, o PT é a favor da recriação do tributo que incide sobre todas as movimentações financeiras. No fim, o posicionamento de Marina e do PT sempre foram coincidentes, apesar das idas e vindas de ambos.

Ampliação do crédito para a população: foi a pedra de toque da política econômica dos governos do PT. Marina também defendeu o mesmo na campanha de 2014, como forma de ampliar o consumo.

POLÍTICAS SOCIAIS

Universalização dos serviços públicos essenciais: faz parte da agenda tanto do PT quanto de Marina.

Ampliação de programas sociais: é uma bandeira do PT e de Marina.

Bolsa Família: PT e Marina defendem a ampliação do programa social. Aliás, políticas redistributivas, com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais, fazem parte da agenda tanto de Marina quanto do PT.

Políticas de cotas e ações afirmativas: PT e Marina defendem.

Prioridade para a educação: os investimentos prioritários em educação fazem parte do discurso de Marina e do PT

Ampliação do acesso ao ensino superior: o plano de governo de 2014 de Marina defende a ideia. Os governos do PT ampliaram as vagas nas universidades, seja por meio da criação de instituições públicas ou por meio do Prouni.

Minha Casa Minha Vida: o programa habitacional, que é uma das marcas dos governos do PT, é elogiado por Marina. Ela defende sua ampliação.

Reforma agrária: PT e Marina são a favor.

Incentivo ao esporte: PT e Marina defendem.

DIREITOS HUMANOS, DIREITOS CIVIS, MINORIAS E COMPORTAMENTO

Defesa dos direitos de grupos sociais tradicionalmente discriminados:políticas voltadas para mulheres, negros, homossexuais, indígenas e quilombolas estão na agenda do PT e de Marina.

Defesa dos direitos humanos: Marina e o PT têm um discurso convergente. Na campanha de 2014, Marina defendeu, por exemplo, a humanização dos presídios, penas alternativas, aprisionamento como último recurso e o fim das abordagens violentas nas ações policiais. Petistas costumam ter um discurso semelhante.

União civil de pessoas do mesmo sexo: Marina é a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo, mas já declarou ser contrária ao uso do termo “casamento”. Oficialmente, o PT defende o “casamento” e a ampliação do conceito de família, incorporando os casais homoafetivos na definição de unidade familiar – e não apenas casais formados por homem e mulher. Apesar de ser contrária ao uso do termo “casamento”, Marina defende a adoção de crianças por casais gays, posição igual à dos petistas. Na prática, a posição dela e do PT são convergentes.

Políticas de gênero: na eleição de 2014, Marina defendeu o reconhecimento da identidade de gênero para pessoas trans e a possibilidade de que possam fazer cirurgias de mudança de sexo na rede pública. Também propôs a inclusão do combate à homofobia como diretriz do Plano Nacional de Educação. Nesse sentido, ela se alinha à posição tradicional do PT.

Liberdade de expressão artística: uma das diretrizes do plano de governo de 2014 de Marina era assegurar total liberdade de expressão e criação artística, sem censura ou critérios de valor. O PT tem posição geralmente favorável a manifestações artísticas, mesmo que elas sejam alvo de críticas de setores mais conservadores da sociedade.

Desarmamento da população: Marina e o PT são a favor.

Pena de morte: Marina e o PT são contrários.

Redução da maioridade penal: Marina e o PT são contrários.

Criminalização de movimentos sociais: Marina e o PT têm discursos idênticos contra a criminalização de movimentos sociais e populares tais como o MST e o MTST. Ambos dizem ser favoráveis ao diálogo com esses movimentos.

Combate ao trabalho escravo: como candidata a presidente em 2014, Marina defendeu o endurecimento do combate a esse tipo de prática. O PT recentemente se posicionou contra a portaria do governo Temer que, segundo especialistas, enfraquece a fiscalização do trabalho escravo no país.

Demarcação de terras indígenas e de quilombolas: Marina e o PT são a favor.

RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU: foi um dos principais objetivos da política externa dos governos do PT. E estava no plano de governo de Marina em 2014.

Fonte: Gazeta do Povo
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