terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sem estrutura, nanicos buscam união para 2018


Partidos sem estrutura, sem nomes com densidade eleitoral para a disputa e com dificuldades financeiras das mais variadas. Essa é a realidade de muitas siglas no Ceará, que se preparam para a eleição de 2018. O Diário do Nordeste conversou com dirigentes partidários que apontaram diversos problemas para continuarem atraindo filiados às agremiações, mas eles comemoram o fato de ainda terem, no pleito do próximo ano, mecanismo que mantém a coligação para a disputa proporcional.

A maioria demonstrou preocupação com o fato de as siglas terem de atingir um número mínimo de representantes na Câmara Federal. No entanto, dirigentes de partidos pequenos apontam ainda como receio o fato de a população estar cada vez mais descrente nas figuras públicas, o que também pode atrapalhar, na opinião deles, a atração de votos em 2018.

Os dirigentes relataram que os diretórios nacionais pouco ou quase nada repassam de recursos para as composições locais e, em muitos casos, as próprias siglas têm que manter o partido em esfera federal. Reclamaram, ainda, que não têm dinheiro para bancar estruturas físicas dos diretórios que, por vezes, são instalados em casas ou escritórios alugados, que não comportam sequer reuniões dos filiados.

Eleição em risco

É nesse cenário que muitos partidos chamados de “nanicos” vão tentar disputar o pleito que, após a aprovação de três pontos principais da Reforma Política, servirá como um teste: a tendência é que as siglas procurem se fortalecer, mas, se não houver êxito, podem até desaparecer.

Dos 35 partidos atualmente existentes no Brasil, 25 têm representação na Câmara dos Deputados. No entanto, nove deles têm menos de dez membros no Legislativo Federal. O PPS é o que tem maior número de deputados entre os nanicos: nove. Em seguida vem o PHS, com sete, e PSOL, PROS, PV e Avante, com seis; além da Rede, com quatro; do PEN e do PSL, com três; e do PRP, com um, totalizando 51 deputados, ou seja, apenas 10% da composição da Casa.
PMB, NOVO, PPL, PCO, PSDC, PCB, PSTU e PTC são legendas sem nenhum representante na Câmara. Com apenas nove vereadores em todo o Estado, o Partido Pátria Livre (PPL) realizou ato de filiação no último dia 11, já com vistas ao processo eleitoral de 2018.

De acordo com o presidente da sigla, André Ramos, o objetivo é trabalhar uma chapa para a disputa a deputado federal, com vistas a manter o percentual mínimo da cláusula de desempenho. Hoje, a agremiação tem comissões provisórias em 35 municípios cearenses e quer mais 45 nos próximos meses. “A ideia é montar uma chapa competitiva, tentando manter o mesmo nível de votações anteriores, já que a gente não tem recursos e nem condições de irmos sozinhos”, afirmou. Os pretensos aliados, segundo ele, são o Partido Verde (PV) e o Partido da Mobilização Nacional (PMN).

Assim como outras legendas menores no Ceará, o PPL tem tido dificuldade para manter sua sede, que funciona em uma casa no bairro Benfica. “O Fundo Partidário, para a gente, é muito pouco, porque não temos nomes na (Câmara) Federal. Aliás, nem recebemos Fundo aqui no Ceará. Nós é que mandamos para a nacional”, lamentou.

Desafios

Situação parecida acontece no Partido Trabalhista Cristão, o PTC, conforme informou o presidente, Aldenor Figueiredo. Atualmente, a sigla tem representação em 70 municípios, a maioria com comissões provisórias, e 16 vereadores, sendo duas parlamentares em Fortaleza. A sede do PTC na Capital comporta apenas 30 pessoas e, nas reuniões temáticas, aluga-se espaço em hotel. Assim como o PPL, o PTC do Ceará não tem participação no Fundo Partidário, conforme Aldenor. Ele defendeu, porém, que o grêmio lance candidaturas ao Governo do Estado e ao Senado, em provável coligação com PROS e PV.

O PHS está em 101 municípios do Ceará, mas passa pelas mesmas dificuldades que outros partidos pequenos. Com apenas 30 vereadores, dois prefeitos e dois vice-prefeitos, a legenda tem enfrentado problemas para manter a fidelidade de filiados ao partido. Outro ponto levantado pelo presidente da sigla, o deputado estadual Tin Gomes, diz respeito à falta de recursos oriundos da executiva nacional.

O partido não tem nenhum nome ainda para a disputa de 2018, a não ser o do próprio Tin Gomes, pretenso candidato à reeleição. Ele disse que vai fazer reunião com todos os membros da agremiação que têm mandato eletivo para definir os quadros para o pleito, no qual a legenda pretende formar coligação.

Em 2014, o PHS elegeu um deputado federal, mas este se filiou ao Partido Progressistas (PP). Para Tin Gomes, a infidelidade partidária é outro problema enfrentado no partido. “Muitas pessoas utilizam os pequenos partidos como trampolim”.

Coligação

Ely Aguiar, que preside o PSDC no Estado, ressaltou que ainda não iniciou o chamamento para novos filiados com vistas ao pleito de 2018. A intenção do partido é aproveitar a existência da coligação proporcional, como fez em 2014. A maior reclamação do dirigente, no entanto, também diz respeito à dificuldade para manter a fidelidade partidária de membros. “Isso acontece porque o rolo compressor do lado de lá é muito grande”.

O PRP, segundo o presidente, deputado Joaquim Noronha, também não recebe qualquer recurso da executiva nacional, o que inviabiliza ações no Estado. Segundo ele, após a votação da Reforma política, a sigla deve começar a fechar nomes para a formação de uma chapa. O PRP, hoje, tem comissões provisórias em 90 municípios cearenses. Sua sede tem apenas uma sala.

Apesar de ser uma agremiação pequena, o PV é outra que sonha alto e, segundo o presidente estadual, Marcelo Silva, pode até lançar candidato para o Senado em 2018. Ele disse, porém, que a tendência é seguir apoiando o governador Camilo Santana (PT) à reeleição. “A gente realmente pensa em coligações, mas também podemos enfrentar tudo isso sozinhos”, afirmou. O PV tem 29 vereadores e 110 diretórios no Estado.

Redação Primeira Coluna
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