quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Falou-se mesmo em cura gay?"


Por obrigação ética tenho que primeiramente me informar para depois ter uma opinião concreta para que assim possa difundi-la.

Ao meu ver essa histeria midiática que se formou em torno da decisão do magistrado de Brasília, onde a mídia (infelizmente o meio que tanto amo tende a isso) se apossou de uma interpretação - errônea - sobre a liminar expedida e, a partir disto, um milhão de intelectuais formados pelo facebook (nada contra, como também nada a favor) tomaram para si essa versão de que "foi permitido tratar homossexualidade como doença".

Foi necessário apenas algumas manchetes sensacionalistas para milhares de pessoas que, por muitas vezes, nem sequer chegaram a ler o que dizia no texto ou muito menos na própria liminar, fizessem o levante para dizer: "Homossexualidade não é doença", ou "Doença é seu preconceito". Essas duas expressões estão corretíssimas, porém não cabem neste momento para este contexto.

De acordo com meu amigo e advogado, Lucas Timbó, momentos como este tem um saldo positivo pois "reaviva as campanhas em defesa dos direitos LGBT e de outras minorias". Todavia, temos que nos atentar aos fatos.

A decisão em nenhum momento obriga o homossexual a se submeter a nenhum tipo de tratamento, como também não caracteriza a homossexualidade como doença e também não obriga o psicólogo a tratar obrigatoriamente todo homossexual como alguém que necessite ser tratado.

A decisão do juiz vai de encontro a Resolução 001/99 de 22 de março de 1999 do Conselho Federal de Psicologia que, em resumo, privara o direito do psicólogo de desenvolver estudos, atendimentos e pesquisas científicas acerca do comportamento ou prática homoeróticas.

Um dos questionamentos feitos durante a Audiência de Justificação Prévia foi: - Pretendem os autores divulgar ou propor terapia tendentes à reorientação sexual?
Onde o juiz constata que essa ideia não é defendida pelos autores da ação.

Vale ressaltar, mais uma vez, que podemos ver sim pontos positivos em toda essa manifestação digital, e que de maneira alguma os direitos de ninguém podem ser retirados, violados ou caçados, principalmente ao direito expressar sua opinião. Mas temos que nos munir de fatos e nos ater a eles.

Deixo aqui os links para maiores informações e outras interpretações. 
Resolução do C.F.P.: https://site.cfp.org.br/…/uploa…/1999/03/resolucao1999_1.pdf
Ata da audiência: http://politica.estadao.com.br/…/…/ATA-DE-AUDI%C3%8ANCIA.pdf


Deixo minha crítica à especulações midiáticas promovidas desta forma, onde acabam tocando assuntos que são, por muitas vezes, dolorosos e tocam sim na ferida de muitos.

Precisamos ainda amadurecer nossa capacidade de interpretação textual e também nos embasarmos de fatos e não apenas nos apropriarmos de opiniões de senso comum.

Pedro Emmy é jornalista
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