terça-feira, 8 de agosto de 2017

Eles fundaram o futebol cearense


Para os torcedores e amantes do futebol atual, lembrar de escalações das décadas de 60 e 70 é algo até fácil e natural. Basta se interessar pelo assunto que os nomes dos atletas que marcaram essas épocas surgem com naturalidade. Porém, existe um período do futebol cearense que poucos lembram e que raros registros são encontrados. Esse período vai desde o início do futebol no Estado, no início de 1915 até o fim da década de 40.
Os recortes de fotos, arquivos e matérias em jornais são raros e imprecisos. Talvez seja por isso que os craques que desfilaram pelos campos de terras da Capital sejam esquecidos das pesquisas e do conhecimento do grande público.
Com jogos realizados no Campo do Prado, onde hoje está localizado o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), e o Campo do Alagadiço, onde atualmente está a Igreja de São Gerardo, os atletas defendiam com muito vigor seus times e por eles criavam uma verdade identidade.

Dentre esses nomes, um especial atuou pelo Ceará Sporting Club e foi vitorioso, porém, pouco lembrado. Aurélio Bento Teixeira, mais conhecido como Vitório. Esse apelido não foi em vão. Vitório passou 27 anos no Ceará, de 1921 a 1948, e, em todos os títulos que o Alvinegro faturou nesse período, o atleta teve participação direta neles. Foram 27 anos de dedicação ao clube, onde foi jogador, dirigente de futebol e treinador.
"Os títulos que o Ceará teve nessa época tiveram a colaboração de Vitório. Seu apelido foi dado justamente por essa fama de vitorioso que ele tinha quando veio do Paysandu para o Ceará", conta o pesquisador Pedro Mapurunga.
Segundo Pedro, além dessa dedicação ao time, existia uma questão moral dos jogadores mais antigos que se recusavam a receber dinheiro para jogar pelos clubes. "Isso é um fato inimaginável para os dias de hoje. Mas para a época, era algo que realmente era respeitado pelos atletas. Eles tinham outras ocupações e o futebol era considerado um lazer", destaca.
No período em que Vitório esteve no Ceará, o time foi campeão cearense oito vezes.
Seguindo na linha do tempo, os números mostram outro grande craque Alvinegro na década de 20. Walter Barroso é apontado como o primeiro grande goleador do Ceará Sporting Club. Com 14 gols no estadual de 1922, Walter só foi superado em número de gols pelo também atleta Alvinegro Pau Amarelo, em 1925, que marcou 16 vezes naquele certame.
"O Walter foi um dos que ajudaram na fundação do clube e figura como o primeiro matador do clube. Fez gols decisivos para as conquistas alvinegras", lembra Mapurunga.
Rivalidade
Com uma rivalidade ainda crescente com o Ceará, o Fortaleza também teve ídolos marcantes na década de 1920. Dentro de campo, quando o assunto era Clássico-Rei, os astros da época buscavam fazer seus nomes nos jogos. Pelo Campeonato Cearense de 1927, aconteceu a maior goleada no Clássico-Rei, o Fortaleza impôs 8 a 0 ao Ceará, com três gols de Hildebrando, dois de Pirão e um de Xixico, Humberto e Juracy.
E Juracy pode ser considerado o grande nome Tricolor na década de 20. Com gols decisivos nas conquistas dos estaduais de 21, 23 e 24, Juracy foi artilheiro do Campeonato Cearense nos anos de 1921, 22 e 24.
Apontado como o carrasco do Ceará, o atacante, que é pouco citado pela torcida, ainda continua com o recorde de maior número de gols no Clássico-Rei. Durante a década de 1920, Juracy balançou as redes do grande rival 25 vezes.
Na década de 30, nomes como Farnum, pelo Ceará e Bila, pelo Fortaleza, são logo lembrados nas pesquisas sobre o futebol. Porém, existiu no futebol cearense outro goleador que deixou sua marca na história dos estaduais: Mundico.
Artilheiro quatro vezes seguidas do Campeonato Cearense, Mundico fez um total de 57 gols entre os anos de 1935 e 1938. Atuando pelo América, Maguary e Fortaleza, o atacante chegou a marcar 28 gols em uma única edição do campeonato, atuando pelo Leão do Pici. Mas sem nunca receber seu devido reconhecimento, pouco se sabe da história do atacante Tricolor no ano de 1938.
Pelo lado Alvinegro, em 1941, o Ceará tinha um quinteto considerado um dos melhores do Brasil. Formado por João Brega, Idalino, França, Hermenegildo e Mitotônio.
"Mitotônio é sem dúvidas um dos melhores jogadores da história do Ceará. Com 151 gols com a camisa do Alvinegro, ele foi um grande jogador. Ele esteve na transição do esporte virar popular. Talvez por isso que não ganhou um status grande de ídolo", destaca o pesquisador.
Fonte: Diário do Nordeste
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