domingo, 4 de junho de 2017

Trocas de siglas refletem ausência de programas


Ainda falta mais de um ano para a eleição de 2018 e a dança das cadeiras entre partidos políticos já começou. No Ceará, a primeira movimentação do ano - o ingresso do deputado Odorico Monteiro no PSB, oficializado no último dia 23 de maio - entra para a conta das inúmeras trocas já protagonizadas por deputados federais cearenses durante a atual legislatura, iniciada em 2015. Dos 22 deputados federais eleitos em 2014 pelo Ceará, seis mudaram de partidos ao longo do atual mandato - número equivalente a 27,2% do total da bancada. Em pouco mais de dois anos de mandato, para alguns, a migração partidária ocorreu mais de uma vez.
É o caso do próprio Odorico Monteiro. Depois de somar 36 anos filiado ao PT, partido pelo qual foi eleito deputado federal no último pleito para o primeiro mandato parlamentar na Câmara dos Deputados, ele trocou a sigla petista pelo PROS em março de 2016 e, em maio do mesmo ano, foi alçado à presidência do partido no Ceará. A relação com o outrora novo partido durou apenas um ano: no último dia 23 de maio, o parlamentar oficializou filiação ao PSB, legenda na qual também assumirá o posto de presidente estadual.
"Motivado pelo propósito de mudar a forma do fazer política no Brasil, e compreendendo que os partidos políticos solidamente estruturados em um projeto de longo prazo para a sociedade são fundamentais para a consolidação das instituições democráticas brasileiras, e aliado a minha coerente trajetória pessoal, profissional e política, filio-me hoje ao PSB - Partido Socialista Brasileiro, animado pelos mesmos propósitos socialistas e democráticos que criou o partido em 1947 e que permeiam nossa caminhada", justificou em texto publicado em uma rede social no dia do ato de filiação. 
Em família
O deputado federal Domingos Neto, eleito pelo PROS, hoje é membro do PSD e presidente estadual do partido. A troca que o levou à sigla onde está foi feita em família. Isso porque, antes de chegar ao PSD, Domingos Neto já estava no PMB. Foi após uma passagem relâmpago pelo Partido da Mulher Brasileira, entre 2015 e 2016, que ele trocou o comando da lgenda com a mãe, a ex-prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar. Os dois partidos são liderados pela família no Ceará. Antes de ir para o PROS, onde permaneceu de 2013 a 2015, ele também já havia passado pelo PSB, entre 2009 e 2013.
Danilo Forte, por sua vez, saiu do PMDB, sigla pela qual foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal, ainda em 2010, em setembro de 2015 para, também, comandar o PSB no Estado. Acabou, porém, sendo destituído do posto após a votação da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados, em 27 de abril. A decisão tomada pela executiva nacional do PSB ocorreu porque Danilo contrariou questão que já havia sido fechada na legenda. No meio político, especula-se que ele possa trocar o PSB pelo PSC, mas, embora deixe claro que ficou "chateado" com a decisão da executiva nacional do partido e ostente convites de diversos outros grêmios, diz que não tem pretensão de aderir à outra sigla no momento.
Já o Partido Progressista (PP), ao longo da atual legislatura, ganhou dois nomes da bancada federal cearense: Adail Carneiro, eleito pelo PHS, que filiou-se ao partido em março de 2016, e Macedo, ex-PSL.
Deputado federal em primeiro mandato assim como Macedo, Moses Rodrigues trocou o PPS pelo PMDB. A oficialização da mudança ocorreu em março de 2016. Na época, Moses afirmou que aceitava convite do senador Eunício Oliveira (PMDB) já na condição de pré-candidato à Prefeitura de Sobral. O principal adversário do peemedebista no pleito, o ex-deputado estadual Ivo Gomes, também havia acabado de assinar filiação ao PDT visando a disputa eleitoral. Foi ele o vencedor da eleição.
Assembleia
Ivo, aliás, é apenas um dos 20 deputados estaduais eleitos para a atual legislatura que já trocaram de partido desde o início dos atuais mandatos. Afinal, na Assembleia Legislativa do Ceará, o troca-troca dos partidos é, até o momento, ainda mais expressivo. No total, 20 dos 46 deputados estaduais já mudaram de sigla partidária desde 2015 - ou seja, 43,4% da composição da Casa não pertence, hoje, às mesmas siglas pelas quais disputaram eleição e conquistaram os cargos em outubro de 2014.
Grande parte das migrações ocorreu por parlamentares que compõem o grupo político dos irmãos Ferreira Gomes no Estado: nove deputados que, no pleito, eram filiados ao PROS estão no PDT desde que seus líderes chegaram à sigla trabalhista. São eles: Zezinho Albuquerque, Dr. Sarto, Sérgio Aguiar, Ivo Gomes, hoje prefeito de Sobral, Roberio Monteiro, Antonio Granja, Manoel Duca, Jeová Mota e Mirian Sobreira. Odilon Aguiar e Laís Nunes, que deixou a Assembleia ao ser eleita prefeita de Icó em 2016, também eram filiados ao PROS quando foram eleitos deputados, mas, diferentemente dos ex-correligionários, migraram para o PMB. Foi este partido que também atraiu Naumi Amorim, ex-PSL, que deixou o cargo parlamentar ao ser eleito prefeito do município de Caucaia, e Bethrose, ex-PRP.
O PP, na atual legislatura, também viu a bancada no Parlamento estadual crescer a partir do ingresso dos deputados Walter Cavalcante, que foi eleito pelo PMDB, Bruno Pedrosa, ex-PSC, e Lucílvio Girão, que compunha os quadros do Solidariedade. Fernando Hugo, que iniciou a legislatura como suplente e hoje ocupa uma cadeira na Casa, também trocou o Solidariedade pela sigla pepista.
Roberto Mesquita, por sua vez, deixou o PV rumo ao PSD, enquanto Joaquim Noronha saiu do PP para o PRP. Julinho, eleito pelo PTN, hoje é do PDT, sigla que, após o ingresso dos Ferreira Gomes, perdeu Heitor Férrer, que foi para o PSB em 2015. Com a indicação de que Odorico Monteiro, aliado dos ex-governadores, comandará a sigla no Estado, Heitor, opositor político da cúpula do PDT, já sinalizou que deixará o partido.
Fonte: Diário do Nordeste
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