domingo, 7 de maio de 2017

José Mariano de Melo

Casarão da fazenda Otacilândia

Seu Zé Mariano era uma figura atarrancada, sem ser baixo, pescoço grosso, olhar penetrante. Homem de poucos sorrisos.

Era o Senhor das Oiticicas. Grande fazenda pras bandas do pé da Serra da Ibiapaba. Chefe político local, sempre elegia vereador e tinha papel preponderante na política ipueirense.Seu filho, Sinhozinho Mariano, vereador por várias legislaturas.

Tinha como grande inimigo político seu Bilô – José de Holanda Cavalcanti, também grande proprietário local. Havia entre eles, um ódio mortal, motivada por ter seu Zé Mariano prendido seu Bilô em uma prisão improvisada em sua fazenda.

Ambos, muito amigos do papai. Seu Bilô possuía um posto de bicicleta (coisa antiga e boa). Todas as férias em que eu ia para Ipueiras, a me esperar lá estava uma bicicleta gentilmente cedida por ele para uso até a  minha volta às aulas, em Fortaleza. Fiz grandes passeios e loucuras. Quem como eu, não descia o alto da estação de mãos soltas, atravessava a ponte e ia, assim, a rua das Flores?  Quem não apostou corrida da cadeia até o rio?

Mas seu Zé Mariano também era um grande “botador de apelidos”.
Seu Bilô, seu inimigo era o ferrabrás; Seu Juarez Catunda, coletor estadual, Peru (vermelhão); Seu Camaral, pai da Darci, Gogó de sola (por ter o couro do pescoço grosso); Seu Tim Mourão, prefeito, Zé Bracim; Seu Zeca Bento, por estar sempre de bem com o poder, Pilatos; Wencery, por ter o rosto manchado, Lavrado. Há muitos outros, mas, no momento, não consigo lembrar dos nomes. Pode ser que alguém tenha mais memória que eu.

Casa do Seu Pedro Martins Aragão
O lauto banquete

Ainda sobre o Seu Zé Mariano lembrei-me de um acontecido, contado por meu pai. Anos 40. Candidatos a Governador do Estado: Faustino de Albuquerque e General Onofre. Seu Pedro Aragão, chefe do PTB local, apoiava o futuro Governador Faustino de Albuquerque. Em campanha, a caravana do Dr. Faustino iria passar por Ipueiras, com o candidato à frente. Seu Pedro Aragão programou um lauto banquete em sua homenagem e convidou as pessoas proeminentes da sociedade ipueirense, inclusive, claro o Coronel José Mariano Melo.

Sentados a mesa, em dado momento do almoço, o Seu Zé Mariano, depois de empanturra-se de peru e outras guloseimas típicas da época, não contou pipocas: abaixou o rosto e vapt vupt, passou a toalha bordada branca da mesa na boca. Ante o olhar reprovador de Dona Dolores, tascou, olhando para o governador, que a tudo assistia:

- Desculpe, eminência. Não é falta de educação. É falta de guardanapo.

Acabou com a dona da casa.      

Walmir Rosa é advogado 
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