segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Há males que vêm para bem, pois, pois . . . Por Lucio Albuquerque / Rondônia

É atribuída a importante político brasileiro uma frase – que eu, particularmente, não acredito que ele tenha dito, apesar de tudo – quando da explosão da base de Alcântara: “Há males que vêm para bem”.  
Guardadas as devidas proporções, porque em Alcântara morreram técnicos brasileiros que buscavam, pela ciência, o desenvolvimento do país, então a citação àquela altura se tornou totalmente absurda. Por isso não posso acreditar que o tal importante político a tenha pronunciado. Já a frase, se usada no contexto do brasileiro fuzilado na Indonésia, considerando-se o motivo da condenação e o ranço gerado pela posição da presidente Dilma Roussef, talvez sua aplicação tenha alguma coerência. 

E por que o uso da frase no contexto da posição assumida pela nossa presidente? Bom, é preciso ver que quando há uma situação dessas é lógico que o primeiro mandatário do país se posicione, mas daí a fazer ameaças é preciso olhar a reação que se sentiu do povo com relação ao cumprimento da condenação. 

E também olhar dentre seus pares, como a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em sua conta na rede de microblogs Twitter concluiu seu raciocínio da seguinte maneira: O sujeito não era herói, era traficante. 

Ike, comandante-em-chefe das forças Aliadas na invasão da Normandia, em 1944, quando se previa que as tropas aerotransportadas teriam pelo menos 70% de baixas fatais, ao ser informado de que ficara em torno de 20%, disse a quem o informou: “Um só já seria motivo para lamentar”. A morte de uma pessoa, seja quem tenha sido, é de se lamentar. 

Mas transformar isso numa reação com ameaças a um país com o qual o Brasil tem interesses é além da conta no caso específico. É de se perguntar: Afora tentar mostrar força (para quem?), em que vai adiantar ao Brasil a presidente chamar ao país seu embaixador para consultas. Consultar sobre o quê? Seria menos dispendioso para o país fazer tais consultas pela internet. 

Ah! Mas isso não daria o impacto midiático num momento em que a presidente se vê jogada em meio a um inferno de noticias ruins, geradas por pessoas das quais é amiga, ou que manteve (e mantém) a pedido de seu amigo maior, inclusive em ministérios. 

Sim, mas em que fazer cara dura com a Indonésia pode servir para alguma coisa? Claro, ela tem uma chance de tentar desviar um pouco o olhar da mídia sobre os escândalos palacianos e aparecer como pugnadora dos cidadãos do Brasil – ainda que, como disse a ex-ministra Maria do Rosário: O sujeito não era herói, era traficante. 

Talvez a presidente tente, assim, melhorar sua imagem perante a população, ainda mais porque depois de anunciar que o lema de sua nova administração será: Brasil, pátria educadora, justamente este setor tenha levado um primeiro baque, conforme o jornal Folha de São Paulo, edição deste dia 19, com corte de 7 bilhões de reais no orçamento. 

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. É presidente da Academia de Letras de Rondônia. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo. Com um dos currículos mais completos do jornalismo rondoniense, Lúcio Albuquerque, graças ao seu diligente trabalho de apuração, ganhou prestigio e credibilidade na imprensa regional. Pela relevância do seu trabalho escreve para uma rede de sites e jornais de todo o Estado, honrando o gentedeopinião, com artigos de sua lavra. Jornalista e historiador, Albuquerque é testemunha ocular da explosão rondoniense, seja como repórter, ou fundador da primeira entidade representativa dos jornalistas, ainda no final dos anos 70.
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.