domingo, 31 de março de 2013

Carta aberta ao Governador do Estado do Ceará - Por Ritacy Azevedo‏ / Fortaleza

Excelência,
 
Preciso dizer-lhe publicamente que votei muito mal nas últimas eleições estaduais!
Sou professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação e me dedico à profissão intensamente há vinte anos. Votei em Vossa Excelência por o senhor apoiar a campanha de Dilma Roussef. Há quatro revelações que devo fazer aos professores para que possam me desculpar esse ato falho, embora saiba que muitos deles agiram como eu, pois acreditaram em suas propostas de fazer avançar a educação no Estado. É justo que o senhor as conheça!
 
1. A primeira é a de que, na verdade, não havia, no Ceará, nenhum candidato dos que disputavam mais veementemente o Governo que fosse convincente, apesar do grande aparato midiático. Dos males, porém, viesse o menor. O senhor pelo menos contribuiu na campanha da Presidenta. O meu prejuízo não foi completo.
 
2. A segunda confissão é a de que, como o senhor, tentei ser esperta, pois votei em alguém de quem, mesmo não esperando um bom mandato, contribuía para o meu objetivo. Reconheço, contudo, que o senhor me superou no lucro de tudo isso, por ter sabido se apoiar na minha candidata para se eleger.
 
3. A terceira é a de que não esperava ver colegas escrachados, humilhados, surrados, feridos, ensanguentados, desmaiados, tratados sem o mínimo respeito, como se vítimas dos famosos anos de chumbo da Ditadura Militar, principalmente ocorrendo este fato na Assembleia Legislativa, Casa que deveria defender os interesses da classe em vez de, subservientemente, ceder aos seus caprichos. Felizmente a população já sabe que apenas quatro Deputados votaram contrariamente ao plano de Vossa Excelência. Não será só o senhor a perder no próximo pleito, mas também todos os que, ao contrário dos quatro, "ferraram" os professores (Esta é a expressão: "ferraram", pois não consigo ser educada e suave diante de barbaridades e brutalidades).
 
4. A quarta e última é a de que nunca me orgulhei tanto de ser professora. Estou feliz por saber que os meus colegas, os meus digníssimos colegas estão enfrentando como heróis seu autoritarismo e por saber que teremos avanços a partir de agora, pois a história dos professores cearenses muda a partir de agora, bem como a sua!
 
Continuemos, agora apenas entre nós! Não posso perder a oportunidade de satisfazer a uma curiosidade! Preciso perguntar-lhe: se o estudo do professor não tem valor no Ceará, que valor terá o do aluno? Ah, já sei... o senhor manda distribuir computadores a alguns. Quero lembrar que não são bobos. Vão recebê-los, mas não vão compensar as perdas do ano letivo!
 
Refiro-me à desvalorização da pesquisa e da obtenção de conhecimentos. Os professores, ao se submeterem a cursos como Especializações e Mestrados, desejam adquirir conhecimentos que difundirão para crianças e jovens do nosso Estado. Sei que não devem obter um título apenas nem principalmente para terem algum acréscimo financeiro em seus vencimentos. Seu maior anseio deve ser aprender mais, para ensinar mais e melhor. Esse argumento, porém, não pode dar sustento à desonestidade e à injustiça. O que se deve pagar a mais ao professor especializado, mestre ou doutor por essa conquista e pelos esforços necessários a ela tem que ser justo, e não desrespeitoso. Não deve se assemelhar a uma esmola, como a que o Governo de Vossa Excelência insiste em garantir. É necessário que todos os cearenses, da capital e de todos os outros municípios, saibam que a proposta para essa recompensa é humilhante e que precisaria que fosse decuplicada para corresponder a uma pequena porcentagem do subsidio de Vossa Excelência, que não precisou mostrar diploma nem provar conhecimento algum para governar o Estado. Para ser Governador, basta não ser analfabeto.
 
Algo mais grave!
 
Trato ainda de algo mais grave: do seu desrespeito ao professor. Suas infelizes frases, reveladoras do grande desdém que Vossa Excelência não soube esconder em seu discurso, magoaram a todos nós, e não apenas aos colegas da rede estadual. A sua sugestão de que professores devem trabalhar por amor só poderia ser aceita se eles não comessem; se não quisessem garantir às suas famílias pelo menos uma diminuta parcela dos benefícios que o senhor garante à sua e a si mesmo; se não se vestissem, se não precisassem pagar por energia, água, telefone e, o que já é impossível, se não precisassem de livros e de outros recursos para o seu crescimento intelectual.
 
Não posso deixar de comentar também sobre a sua declaração de que o professor que queira ganhar melhor deve migrar para a escola privada. Vossa Excelência não se preocupa com a evasão dos professores da rede estadual? Isso não seria problema? Outros seriam contratados? 

Não interessa a permanência dos professores por muito tempo no serviço público, para que projetos tenham continuidade e outros benefícios ocorram? A escola privada realmente se mostra mais justa que a pública para com o professor? Esse pensamento de Vossa Excelência é lastimável!
 
Por que falo tanto?
 
Não tenho interesses partidários nem sou membro da oposição. Mas sou uma professora! E mais: sou especialista e mestra. Não gosto de ver meu esforço desvalorizado. Não adentrei o serviço público de educação. Não tive o desprendimento e o heroísmo dos meus digníssimos colegas da educação pública do Estado do Ceará, os quais respeito muito. Não me considero, porém, culpada por não acompanhá-los em tamanho esforço porque, ao contrário de Vossa Excelência, não concordo que eu deva trabalhar só por amor, mas também por dinheiro.
 
Não digo que a sua visão de que o professor ou qualquer outro profissional deva trabalhar por amor é ingênua, pois ingênua seria eu se assim pensasse. Digo sim que é uma máxima cruel, insensível, revoltante, além de ridícula! Além de respeitar o professor, lamento pelo desdém de que ele é vítima, pelas humilhações a que é submetido. É absurdo um professor precisar destinar-se à Assembleia Legislativa do Ceará para reivindicar desgastantemente um direito garantido por lei que Vossa Excelência insiste em desrespeitar: o direito a um piso salarial de aproximadamente R$ 1100,00.
 
Um apelo...
 
Pense melhor, Excelência. Deixe a sensibilidade superar a arrogância e a indiferença pelas necessidades sociais. Seja prudente! O senhor já perdeu por tudo que tem feito!
 
Um aviso...
 
Não é só o professor da rede estadual que está insatisfeito, mas também o da rede privada de ensino, bem como outros segmentos. Não há causa sem efeito!
 
Sem mais,
Ritacy de Azevedo Teles
 
P.S.: O tratamento respeitoso de "Vossa Excelência" é mera convenção gramatical da qual não consigo me desvencilhar. Não deve entendê-lo literalmente

sábado, 30 de março de 2013

Conta Gotas - Lúcio Albuquerque / Rondônia

REFLEXÃO DE PAIS E ESCOLAS
A maneira como uma escola entregou uma criança a uma mulher que se apresentou, por telefone, como madrinha, e depois matou o menino, deve levar todo sistema educacional, especialmente os que atuam até à 6ª série, desde a creche, a repensar suas ações de defesa de suas crianças. E aos pais também, para que só admitam saída com autorização expressa deles, e por escrito.
UM MINISTÉRIO A MAIS
No tempo da ARENA, os adversários da CBF – e críticos do governo -  diziam que o inchaço dos participantes do Campeonato Nacional era gerado pela ARENA: Onde a ARENA vai mal, um time no Nacional.era o slogan. E agora, com a criação do 39º ministério, apenas para agradar ao PSD, também diremos quando a base do governo estiver ruim, um ministério a mais?
HISTÓRIA
Está certo, alguns leitores vão querer me criticar por lembrar a data, mas quando se trata de fato histórico não há como fugir. Neste domingo, 31 de março, completam 49 anos da fuga de João Goulart, deixando a Presidência da República acéfala e data em que se iniciou o período de presidente militares.
Interessante que muitos dos que hoje criticam, nem todos, claro, tiveram benefícios para suas famílias. Houve excessos, não há como negar, mas os houve dos dois lados.
ENTUSIASMADA
A presidente da Fundação Cultural de Porto Velho, Jória Lima, está entusiasmada com a possibilidade de ampliar o leque de ações do órgão, atingindo áreas novas, buscando a que a citação “cultura” alcance novos parâmetros.
CONTRAPONTO
O IBOPE – sempre ele, claro – diz que a presidente está com 76% de popularidade. Em contraponto o preço da comida subiu de forma geométrica e cada dia fica mais caro sobreviver. Como o IBOPE já teve várias, e muitas, pesquisas desacreditadas pela realidade, não será novidade caso daqui a pouco o instituto venha a pedir desculpas, mas aí, como das outras vezes, o estrago já terá sido feito. E a fatura paga. 
Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. É presidente da Academia de Letras de Rondônia. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.
Retrato
Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Jack Lang, Caetano Veloso e Chico Buarque. Foto de 1983.

sexta-feira, 29 de março de 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

Frase do dia
"Correndo o risco do fracasso, das decepções, das desilusões, mas nunca deixando de buscar o amor. Quem não desistir da busca, vencerá."

Paulo Coelho

segunda-feira, 25 de março de 2013

A Saúde pública é o vírus da hipocrisia - Por Carlos Moreira / Ipueiras
Ivan - A Charge Online

O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do planeta, todos pagam altos impostos. Os que ganham mais, os mais abastados, gastam grande parte de seus salários em planos particulares, para ter alguma segurança familiar em caso de necessidade. Por outro lado, há os mais pobres, a maioria da população brasileira que míngua em filas de hospitais, não recebe tratamento, morre por falta de solidariedade e vive atormentada ante a possibilidade de adoecer, sofrer algum acidente, e ter que fazer parte, a qualquer minuto, da grande massa de indigentes da saúde no Brasil.

O noticiário sobre os horrores da saúde causa tanta indignação quanto a violência estampada nas páginas policiais. A imprensa de  Ipueiras está velada a qualquer  preço e desconhece o verdadeiro descaso da saúde pública no município, principalmente as ações arbitrarias do diretor do Hospital e Maternidade Otacílio Mota contra a população.

A questão saúde é tão importante que aparece em primeiro lugar nas preocupações da sociedade, em qualquer pesquisa nacional e, principalmente, nos municípios. Os nossos excelentíssimos representantes: “Prefeito e Vereadores” nada fazem para minimizar o sofrimento da população. Tratam os que precisam a “pão e água”. Falta medicamento nos PFS‘s e no H.M.O.M , faltam médicos e principalmente  vergonha na cara dos gestores.

Só nos resta agora, rezar e muito para “Nossa Senhora da Conceição”, padroeira de Ipueiras nos livrar destes “cegos pelo poder!”

Carlos Moreira, radialista, blogueiro e sertanejo.

domingo, 24 de março de 2013

Frase do dia
"Não esmoreça, nem desista. E trabalhe duro!
Milhões de pessoas que vivem do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você!"

sexta-feira, 22 de março de 2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

Frase do dia
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis..."

Fernando Pessoa

quarta-feira, 20 de março de 2013

Saúde, direito cerceado  - Por Carlos Moreira / Ipueiras


A Constituição Federal no seu art. 196 na seção II da saúde  diz que é direito de todos, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução de risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. Em Ipueiras este artigo não está sendo cumprido. Tudo isto deve-se a arrogância e prepotência que a atual administração municipal vem conduzindo a saúde pública.

O então diretor do Hospital e Maternidade Otacilio Mota, o Sr. Carlos Pereira de Oliveira, irmão do Prefeito Raimundo Nonato de Oliveira,  decidiu criar normas que descumprem a Constituição e fere o direito de ir e vir do cidadão brasileiro.

As ações implantadas pelo Sr. Carlos são absurdas e ditatoriais. No inicio da sua administração no H.M.O.M o seu primeiro ato, foi retirar todas as imagens de santo que estavam nos corredores , não respeitando a opção religiosa dos demais. O mesmo é pastor evangélico. Como o caso tomou as ruas da cidade e isto politicamente seria o inicio da derrota do atual gestor municipal , por livre e espontânea pressão o diretor do Hospital recolocou as imagens, algumas em lugares menos visíveis.

As reclamações são inúmeras. A indignação é constante. O Sr, Carlos baixou recentemente portaria proibindo a companhia de pessoas do sexo oposto e uso de shorts e mini saia nas dependências  do H.M.O.M.  Segundo relatos de uma funcionária  do Hospital, a administração esta esquecendo o principal, promover saúde para todos.

Aconteceu ontem um fato que é digno de denúncia. O diretor do Hospital, usou  da força policial contra a senhora Ana Maria Mota Oliveira, a mesma foi visitar o seu irmão Francisco Marcio Mota Oliveira, que passa por sérias complicações decorrentes de espancamento ocorrido nas ruas de Ipueiras. A acompanhante foi convidada a se retirar das dependências pelo simples fato de está trajando um “capri”, bermuda de uso comum pelas mulheres. Que mal tem isso? Cadê o direito de igualdade? Definitivamente não tem! Este fato além de vergonhoso foi imoral.

Esperamos que os nossos excelentíssimos vereadores tomem alguma providência e parem de serem inertes. Atitude, é isto que nós esperamos ! A sociedade merece uma resposta, merece respeito.

Carlos Moreira, radialista, blogueiro e sertanejo
Frase do dia
"Ninguém deve cantar vitória antes da hora."

Eduardo Campos, governador de Pernambuco, sobre a pesquisa IBOPE em que 63% da população avalia o governo Dilma como ótimo ou bom.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa brasileiro? Não. Não daria certo - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia

Pois é, “eles” têm o papa. Mas, nem tudo está perdido. Se eles têm o sumo pontífice, nós não temos a mania de dizer que “Deus é brasileiro”?. Ora, se o é, los hermaños ficaram outra vez em segundo plano.. E por que cito “outra vez?”. Simples, eles têm Maradona mais o Messi. Mas consultem o noticiário e verão que o “rei” é nascido em Três Corações e passou a ser Pelé quando se tornou o melhor jogador de futebol do século XX. De quebra, para citar outro nome local, que tal o Garrincha? Aí fica dois a dois, mas a diferença a nosso favor é grande.
Ah! Mas o assunto é o papa. Como disse o Cláudio Humberto (claudiohumberto.com.br), não se sabe como, mas os cardeais conseguiram autêntico milagre, porque encontraram um argentino que é citado como humilde, pelo menos é como o apresentam.
Mas, falando sério, não daria certo um papa brasileiro, por mais santo que seja. É que a nossa mania de tratar todos com simplicidade e fazermos de conta que sempre estamos na cozinha daqueles sítios aonde todos vão para esse mesmo local e falam ao mesmo tempo, vai acabar banalizando o papa, se ele for nascido no país “deitado eternamente em berço esplêndido”.
Imaginem se tivessem escolhido um papa brasileiro. Sua primeira missão oficial, aliás, do nosso humilde Francisco I também, será a participação no Encontro da Juventude, no Rio de Janeiro. Aí certamente iriam querer levar o papa para participar do programa da Ana Maria Braga – e ela tentaria que o papa mostrasse uma qualidade culinária. Ou para participar do Jô que, como entrevistador, tem sido um bom humorista.
Suponhamos: para evitar que alguém por aqui aplicasse ao papa aquela máxima de sempre, de que “só dão entrevista para a Rede Globo”, e aí a CNBB conseguisse que o novo pontífice se dispusesse a dar uma “coletiva”. Imaginem se a Globo não tentaria
Quem me garante que um repórter, ao direcionar pergunta ao papa tupiniquim não o iria questionar chamando-o de “Papa Chico”?  Ou que fossem perguntar a ele sobre a última eliminação do BBB? Imaginem aquele repórter com ligações a um determinado partido político e que tentasse conseguir do papa uma declaração favorável aos condenados do mensalão?
Ora, e por que não? Afinal de contas ele pode ser o papa, mas continua brasileiro e aí, que tal tentar uma declaração dele sobre a posição da Procuradoria Geral da República, que abre brecha para que bêbados continuem matando no trânsito deste país?
Ou o Galvão Bueno levando o papa para participar do “Bem Amigos”? Imaginem só de material que deve existir de cardeais brasileiros aparecendo no mesmo lance que o Luiz Inácio. Um deles papa iria logo ser mostrado para demonstrar a religiosidade do grande líder, e quem o iria impedir de colocar essas imagens na campanha de 2014? A Justiça eleitoral?  
Não. Definitivamente um papa brasileiro não cola.
No conturbado momento sócio-econômico que los hermaños vivem, a escolha de Francisco I, nascido naquele país, até que pode dar uma refrescada por lá.
Habemus Papam!
Que ele redima a própria Igreja!
Inté outro dia, se Deus quiser!
José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. É presidente da Academia de Letras de Rondônia. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.
Frase do dia
"Eu não quero morrer para ir para o céu. Quero viver no céu aqui."

 Lula, durante discurso sobre segurança alimentar em Gana

sexta-feira, 15 de março de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

Devir - Por Mário Henrique / Guaraciaba do Norte

Escassez de chuvas e inspirações, na minha tela, no borrão, não frondam novos lirismos, não gotejam novas sensações orvalhadas; minha caneta e dedos esperam inócuos por tempos de verdejantes reconsiderações. Olho pro céu sem nuvens densas, lembro-me da previsão que disse que o tempo seria bom, mas não, não é bom pro lavrador que corta a terra e joga no solo seus grãos de esperança no alimento e na fartura. No  torrão trabalhado só pinga o suor das rugas tétricas da minha testa de barro. Só agora entendo, só agora percebo a quantas duras esperanças esse povo é forjado, é forçado a não renegar sua confiança em dias mais úmidos, é forçado a não delatar que a fé é a primeira que morre, mas não perece eternamente pois é sabido da "sabiduria" do nordestino que "dispois "de um ano ruim e findo a chuva voltará a alegrar a cara do mais véi à do minino. 

Mário Henrique