terça-feira, 20 de agosto de 2013

O rock da saudade - Por Nirlando Beirão

Quando a MTV Brasil foi ao ar pela primeira vez, em outubro de 1990, videoclipes significavam uma tremenda novidade, as pessoas ainda compravam CDs e Zeca Camargo era tímido e magricela. A maioria dos VJs – especialmente das VJs – sugeria que eles eram selecionados pela centimetragem de suas tatuagens.

Primeira emissora de tevê aberta voltada para um público segmentado (fosse ele qual fosse), a MTV nasceu grunge, pop, indie, enfim, moderníssima. Madonna e Michael Jackson revezavam-se febrilmente com Nirvana e Guns n’ Roses. O slogan era “a música não para”. Parece que foi ontem. Na verdade, foi ontem.

A MTV sucumbe agora – ou pelo menos muda de cara, levada de volta à enfermaria da careta Viacom – aos sacolejos do tsumani que virou pelo avesso a indústria fonográfica e o mercado da música. É curioso observar que quem pretendia ser o futuro tenha rapidamente revelado as rugas de um envelhecimento tão radical.

Boas safras de talentos passaram por lá – Astrid Fontenelle, Maria Paula, Gastão Moreira, Fábio Massari, Sabrina Parlatore, Thunderbird, João Gordo – mas o mundo rodou, rodopiou, e a MTV não percebeu a mudança, como se ainda estivesse dançando na toada de um disco 78.

Ao necrológio dessa boa intenção chamada MTV Brasil não pode faltar, é claro, o reconhecimento devido à Editora Abril, que administrou a coisa até agora. A Editora Abril é, em pele de pretensa vanguarda, uma usina de produtos anacrônicos, antiquados e reacionários. Não tinha, nunca teve a ver com o que a MTV legitimamente tentou ser e não conseguiu.

 Nirlando é editor especial da seção QI de CartaCapital
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.