quarta-feira, 10 de julho de 2013

E agora? - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia


A comparação a seguir pode ser grosseira, mas pode ser considerada em razão do caminho a seguir pelos que estão protestando – praticamente todo o país. Tem uma estória contada assim: O cachorro sai latindo e correndo atrás quando passa um carro.  Quando o carro para ele não sabe o que fazer e aí vai embora.

Talvez que esse seja também o raciocínio de autoridades diversas e políticos que, sem entenderem bem o que está acontecendo, partem para discursos mais que manjados do tipo É uma demonstração que vivemos na democracia ou coisas como tal, na expectativa de que, dentro de dois ou três dias, um pouco mais ou um pouco menos, tudo volte à normalidade e, como aquele livro famoso, aconteça Nada de novo no front.

A resposta a isso deve ser dada por aqueles que idealizaram o movimento e os que nele se engajaram: E agora? Para ode vamos? Ficamos só na redução do preço das passagens? Ou inicia-se por aqui um novo ano que não acabou – aquele de 1968? 

Nesses dias muitas ruas brasileiras foram transformadas em campos de protestos e/ou em campos de luta urbana, em grande maioria das vezes na última hipótese geradas pela baderna provocado por quem não reivindica mas apenas cria a baderna para depois aparecer como vítima – porque os órgãos de segurança pública respondem às vezes até para que seus membros se defendam, ainda que haja excesso de alguns.

Mas o grande fato a ser observado foi o rifamento de bandeiras políticas durante os protestos, apesar da porralouqice do presidente nacional do PT que, sem mais o que dizer, anunciou que a petrelhada iria para as ruas apoiar as manifestações – na realidade uma tentativa de capitalizar, através da captação de imagens de bandeiras, eleitoralmente o movimento a favor do alvo da mobilização, o próprio Governo do PT.

Outro fato, gerado pelo rifamento de bandeiras e discursos políticos nesse movimento passe livre em relação ao Fora Collor! e ao Diretas Já!, foi que não se viu pelo meio políticos carreiristas, pretensos candidatos a presidente da República, deputados, senadores et caterva.

Saber se os donos do poder vão deixar a banda passar  e continuar como está até agora não será novidade. Em 1992 Collor renunciou em meio a denúncias de corrupção e outras mais, mas está aí, o ex-presidente agora posando ao lado dos donos do poder, conversando descontraidamente com aqueles que tanto o acusaram, como se nada de mais houvera entre os dois, o que confirma o ditado popular de que duas palavras, ética e vergonha, passam bem longe dos que fazem carreirismo político.

Collor renunciou e quem mais discursava falando em ética e respeito à coisa pública vem demonstrando que, ao assomar ao poder comporta-se pior até, tudo em nome da governabilidade, e danem-se o erário e a ética.

Agora, voltando à pergunta que acima este comentário, retorno: E agora? Você aposta quanto que vai mudar alguma coisa? Do alto dos meus quase 70 anos, duvido muito.

Inté outro dia, se Deus quiser! 

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque é presidente da Academia de Letras de Rondônia. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.
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