segunda-feira, 29 de julho de 2013

Contas Gotas - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia

ENFIM UM A BOA IDEIA
Rendo-me! Enfim uma boa ideia. E quero deixar bem claro que não se trata daquela que o jornalista norte-americano noticiou há algum tempo como sendo a 51, a preferida do grande líder. Nada de álcool que o assunto aqui, entendo ser sério.
A referência é sobre a proposta de que cada médico ao concluir seu curso faça dois anos de estágio no SUS antes de ter direito ao registro definitivo. Uma medida, se qualquer dúvida, que deve ter apoio da população brasileira – e o que tenho ouvido por aí é justamente isso, citações de apoio afora de segmentos corporativistas que existem não só na área médica, mas em todas as profissões.
Bom, mas eu faria uma emenda: o projeto fosse destinado apenas aos formados em instituições públicas e aqueles que conseguissem concluir o curso em instituições privadas, mas com a graduação financiada, no todo ou em parte, pelo dinheiro do contribuinte.
Ora, convenhamos: o cidadão gradua-se em curso superior em escola pública, e a seguir, ser dar qualquer retorno àqueles de onde veio o dinheiro que lhes garantiu a formação, faz de conta que não deve nada a ninguém, sob a alegação de que seja dever do Estado oferecera escolaridade de forma gratuita.
No entanto, é necessário observar a origem daqueles que conseguem graduação em escolas públicas: a imensa maioria é oriunda de colégios particulares, e não só em Medicina, mas também em áreas como Direito, nos chamados cursos de ponta. É injusto que esse grupo majoritário tenha todas benesses para sua formação e na hora de exercitar nada paguem aos que lhes garantiram a escola.
Não é justo falar-se em justiça social quando pessoas usufruem do dinheiro oriundo do contribuinte para galgar um curso superior e depois, seguindo a tradição brasileira, tenham a oportunidade que o próprio Estado nega aos outros de ascensão sócio-econômica.
É necessário lembrar que essa prática já existia há muitos anos, pelo menos dentre as formandas em Magistério e que, como ouvi de professoras minhas e ouvi da veneranda mestra Marise Castiel, ela própria, segundo contava, ao concluir seu curso, teve de fazer um tempo dando aulas em uma cidade do interior paraense.
No entanto, eu estenderia o projeto também a todos os graduados com dinheiro público e à obrigação de que mestres, doutores e pós-doutores, cuja especialização fosse feita com recursos oriundos do erário, que também passassem por esse período, como uma forma de pagar a quem lhes financiasse os estudos.
E por qual motivo abri o comentário falando em boa ideia usando o termo enfim: é que nesses últimos 10 anos é tão difícil algum membro do governo federal pensar algo além do que manda o grande líder, que, claro, essa de agora deve ficar bem registrada nos anais.
ENADE
Tai, bem que o Governo Federal deveria na carona dessa boa ideia e também implantar um Enade para mestres e doutores. Pelo que tenho observado o produto final desses cursos não justificam o título.
Inté outro dia, se Deus quiser!
José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. É presidente da Academia de Letras de Rondônia. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.
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