terça-feira, 14 de maio de 2013

Araceli, 40 anos - E os órfãos da impunidade - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia

No próximo sábado, 18 de maio, a polícia de Brasília e com certeza outras cabeças que à época tinham pode de mando, talvez até mesmo quem praticou o crime, terão um dia inteiro para voltar no tempo e lembrar que há 40 anos a menina Araceli, então com 8 anos, foi sequestrada, provavelmente drogada, estuprada, morta e teve seu corpo desfigurado por ácido.

Se algum politicamente correto quiser, como já tem acontecido de outras vezes, mandar recado dizendo que Era no tempo da ditadura e havia fortes suspeitas de que alguns dos investigados tinham ligações diretas com gente muito poderosa de então, e por isso não foram a lugar algum com o inquérito, eu até concordo e você, que sabe ser eu um ser politicamente incorreto, pode até estranhar, mas não nego que dessa vez os politicamente corretos têm razão.

Concordo, como concordo também com as propostas de investigar o senhor Luiz Inácio. E também a senhora Dilma pela Comissão da Verdade que, pelo visto, é uma via de mão única.

Mas neste final de semana está nas bancas ainda a revista Veja, cuja reportagem de capa deveria fazer que entidades que sempre se arvoram em alegar serem defensoras dos direitos humanos, como a CNBB, a OAB, a ABI e a própria Federação Nacional dos Jornalistas, isso sem falar em ONGs de todas as estirpes, aquela reportagem deveria fazer com que toda a Nação mudasse de rumo.

Os órfãos da impunidade, título da reportagem de capa da Veja, é um libelo acusatório contra todos nós, brasileiros, mas muito mais contra os que têm a responsabilidade política de representar entidades e os que tenham a responsabilidade maior de legislar e fazer cumprir a Lei.

A foto da capa já  fala por si só: uma criança de três anos cujo pai foi assassinado num assalto, parece procurar um lei que deixe de garantir a impunidade. Ainda recentemente uma autoridade brasileira veio a público, logo depois do governador Geraldo Alkmin propor ao Congresso uma revisão no ECA. Pois aquela autoridade disse publicamente que não se deve legislar sob emoção.

Aí cabe uma outra situação, e que não é feita sob emoção, mas sob a comoção e o medo constante de esse estado de anomia se aprofundar ainda mais, haja vista que a tendência é que haverá novas vítimas e, como diz o texto de apresentação da reportagem “Os órfãos da impunidade”, Enquanto o Governo e as ONGs se ocupam de amparar assassino de todas as idades,uma geração de vítimas invisíveis cresce sem pais e sem apoio.

Aquela autoridade antes de falar o que feriu a todos aqueles que não entendem como a omissão a favor do cidadão tornou-se uma marca registrada do Brasil, deveria colocar-se como todos nós que apenas cobramos leis justas, e pensar que A PRÓXIMA VÍTIMA PODE SER VOCÊ.

No caso da autoridade, se for ela, aí sem haverá lei feita sob emoção. Quanto a nós seremos apenas um item a mais na estatística da violência que, é lamentável dizer, não começou com a menina Araceli, e nem termina com o garoto Ian, de três anos, da capa da Veja.

Inte outro dia, se deus quiser!
  
José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. É presidente da Academia de Letras de Rondônia. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.
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