terça-feira, 30 de abril de 2013

Montada no cavalo do cão - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Resolvi dar umas voltas

Pras bandas do meu sertão

Por falta de um bom cavalo

Fui no cavalo do cão

O bicho era tão ligeiro

E com seu jeito lampeiro

Quase me jogou no chão.

*

Eu vi um cachorro d’água

Com seu jeitinho apressado

Ele tentava fugir

Do negro cavalo alado

O cachorrinho com medo

Acabou ganhando o bredo

Pra não ser atropelado.

*

Um rola-bosta errante

Atravessou meu caminho

Avistando a montaria

Foi saindo de mansinho

Bem pertinho d’uma cuia

Ele encontrou uma tuia

E enfiou o seu focinho.

*

O cavalo em disparada,

Arrumava confusão

Esbarrou num Mané magro

Vejam que situação

Só de ver o Bicho-pau

Nas garras dum inseto mau

Sofreu o meu coração.

*

Eu vi a Tiranaboia,

Besouro bem afamado

Para evitar desavenças

Tirando o corpo de lado,

Sem querer ficar aqui

Se mandou pro Piauí

Temendo o endiabrado.

*

O pobre do caga-fogo

Que brilhava noite e dia

Apagou sua lanterna

Que quase sempre luzia

Com medo do furacão

O tal Cavalo do cão

Que comigo se exibia.

*

Eu agradeci a Deus

Quando o dia amanheceu

Estava toda suada

Com tudo que aconteceu

Pois esta minha aventura

Não foi surto de loucura!

Foi somente um sonho meu.
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