segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa brasileiro? Não. Não daria certo - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia


Pois é, “eles” têm o papa. Mas, nem tudo está perdido. Se eles têm o sumo pontífice, nós não temos a mania de dizer que “Deus é brasileiro”?. Ora, se o é, los hermaños ficaram outra vez em segundo plano.. E por que cito “outra vez?”. Simples, eles têm Maradona mais o Messi. Mas consultem o noticiário e verão que o “rei” é nascido em Três Corações e passou a ser Pelé quando se tornou o melhor jogador de futebol do século XX. De quebra, para citar outro nome local, que tal o Garrincha? Aí fica dois a dois, mas a diferença a nosso favor é grande.
Ah! Mas o assunto é o papa. Como disse o Cláudio Humberto (claudiohumberto.com.br), não se sabe como, mas os cardeais conseguiram autêntico milagre, porque encontraram um argentino que é citado como humilde, pelo menos é como o apresentam.
Mas, falando sério, não daria certo um papa brasileiro, por mais santo que seja. É que a nossa mania de tratar todos com simplicidade e fazermos de conta que sempre estamos na cozinha daqueles sítios aonde todos vão para esse mesmo local e falam ao mesmo tempo, vai acabar banalizando o papa, se ele for nascido no país “deitado eternamente em berço esplêndido”.
Imaginem se tivessem escolhido um papa brasileiro. Sua primeira missão oficial, aliás, do nosso humilde Francisco I também, será a participação no Encontro da Juventude, no Rio de Janeiro. Aí certamente iriam querer levar o papa para participar do programa da Ana Maria Braga – e ela tentaria que o papa mostrasse uma qualidade culinária. Ou para participar do Jô que, como entrevistador, tem sido um bom humorista.
Suponhamos: para evitar que alguém por aqui aplicasse ao papa aquela máxima de sempre, de que “só dão entrevista para a Rede Globo”, e aí a CNBB conseguisse que o novo pontífice se dispusesse a dar uma “coletiva”. Imaginem se a Globo não tentaria
Quem me garante que um repórter, ao direcionar pergunta ao papa tupiniquim não o iria questionar chamando-o de “Papa Chico”?  Ou que fossem perguntar a ele sobre a última eliminação do BBB? Imaginem aquele repórter com ligações a um determinado partido político e que tentasse conseguir do papa uma declaração favorável aos condenados do mensalão?
Ora, e por que não? Afinal de contas ele pode ser o papa, mas continua brasileiro e aí, que tal tentar uma declaração dele sobre a posição da Procuradoria Geral da República, que abre brecha para que bêbados continuem matando no trânsito deste país?
Ou o Galvão Bueno levando o papa para participar do “Bem Amigos”? Imaginem só de material que deve existir de cardeais brasileiros aparecendo no mesmo lance que o Luiz Inácio. Um deles papa iria logo ser mostrado para demonstrar a religiosidade do grande líder, e quem o iria impedir de colocar essas imagens na campanha de 2014? A Justiça eleitoral?  
Não. Definitivamente um papa brasileiro não cola.
No conturbado momento sócio-econômico que los hermaños vivem, a escolha de Francisco I, nascido naquele país, até que pode dar uma refrescada por lá.
Habemus Papam!
Que ele redima a própria Igreja!
Inté outro dia, se Deus quiser!
José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. É presidente da Academia de Letras de Rondônia. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.