quinta-feira, 14 de março de 2013

Devir - Por Mário Henrique / Guaraciaba do Norte


Escassez de chuvas e inspirações, na minha tela, no borrão, não frondam novos lirismos, não gotejam novas sensações orvalhadas; minha caneta e dedos esperam inócuos por tempos de verdejantes reconsiderações. Olho pro céu sem nuvens densas, lembro-me da previsão que disse que o tempo seria bom, mas não, não é bom pro lavrador que corta a terra e joga no solo seus grãos de esperança no alimento e na fartura. No  torrão trabalhado só pinga o suor das rugas tétricas da minha testa de barro. Só agora entendo, só agora percebo a quantas duras esperanças esse povo é forjado, é forçado a não renegar sua confiança em dias mais úmidos, é forçado a não delatar que a fé é a primeira que morre, mas não perece eternamente pois é sabido da "sabiduria" do nordestino que "dispois "de um ano ruim e findo a chuva voltará a alegrar a cara do mais véi à do minino. 

Mário Henrique
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