sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O malvado e a mangueira - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Foto: Dalinha Catunda

Era uma vez uma linda mangueira que sombreava um quintal, na cidade de Ipueiras. Debaixo de sua copa espaçosa, brincavam crianças aproveitando o frescor de sua sombra.

Todos os dias passarinhos de variadas espécies voavam de galho em galho misturando seus cantos. Os vizinhos se encantavam com a beleza da mangueira e a presença constante da passarada celebrando a natureza.

A dona da casa tinha um carinho todo especial por aquela árvore. Além da sombra, do canto dos pássaros, todos os anos entre novembro e dezembro, ela era premiada com saborosas mangas que ela mesma transformava em sucos, doces, geleias, além de saboreá-las ao natural. A pedido das crianças, ela também fazia, o dim-dim, um tipo de picolé, conhecido por sacolé, por ser congelado em pequenos sacos plásticos.

E assim viveu a bela mangueira por muitos e muitos anos e anos, até que certo dia, a ira de um velho e implicante vizinho, Incomodado com os galhos da árvore que caiam sobre seu muro deixando folhas secas pelo chão, teve a infeliz ideia de exterminar o pé de manga.

 Aproveitando uma viagem da família que preservava a mangueira no quintal, não conformado em apenas podar os galhos que invadiam seu espaço, pulou o muro e abateu a machadadas a velha mangueira. No que restou da planta, jogou óleo queimado e em seguida ateou fogo dando fim ao vegetal. 

Esta é a história de uma mangueira que durante muito tempo fez tanta gente feliz, contudo foi morta porque teve a desdita de nascer ao lado da casa de um velho intolerante e malvado que desafiou impunemente a lei de preservação da natureza.

NOTA:
A lei ainda não chegou em sua total plenitude em Ipueiras - CE, apesar de ser minha cidade, vejo os desmandos que acontecem por lá. O tempo do cangaço já passou, o coronelismo já se foi, mas muitos ainda acham que podem ganhar no grito.

Dalinha Catunda é poetisa e natural de Ipueiras, Ceará 
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.