quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Precipitar-se e cair - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Não faz muito tempo liguei para um amigo. Amigo este que zela pelo bem falar e traz a elegância das palavras como regra em sua vida..

--- Olá Seu Gonçalo! Tudo Bem?

--- Ó nobre acadêmica que bons ventos lhe trazem?

---Liguei para saber do senhor e das novidades da Academia.

---Bom, tenho duas notícias, uma é que o projeto de termos um espaço na feira de São Cristovão saiu, já assinei até os papéis.

--- E a outra Seu Gonçalo?

---É que infelizmente precipitei-me ao solo!!!!!

---Precipitou-se ao solo?!...

---Exatamente!

---Mas como?

--- Sai da feira tão exultante que esqueci-me de minha deficiência visual, que não me permite uma ampla visão de espaço. Assim sendo, ao tropeçar inadvertidamente numa protuberância acabei por precipitar-me ao solo. Mas diante do acontecido pessoas solícitas socorreram-me. O que agastou-me foi que já erguido e refeito, vejo um ébrio ao lado perguntando-me:

--- O senhor não perdeu uma ferradura? Foi aí que me dei conta que em um de meus pés faltava o sapato.

---Que horror seu Gonçalo!...

---Agora eu vou dizer uma coisa para o senhor: - eu, quando levo uma queda, taco mesmo é o rabo no chão! Me lasco toda! E ainda por cima chingo o maior palavrão e dou o dedo para quem estiver rindo da minha cara, e o senhor me cai com essa elegância toda? Diabo é isso Seu Gonçalo?

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
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