quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O eterno Rei do baião - Por Dalinha Catunda / Rio de janeiro



Já faz mais de vinte anos
Que o velho Lua morreu.
Da vida dos nordestinos
Nunca desapareceu.
Pois em cada canção
Cantou com o coração
O mundo que ele viveu.
.
E o Rei do Baião vive
Na boca de sua gente.
Tudo que ele gravou
Canta-se no presente.
Foi a voz do retirante,
Dos que estavam distante,
Foi o canto do ausente!
.
Luiz Gonzaga cantou,
Os costumes do sertão
Cantou beatas e santos,
Padre Cícero Romão,
Cantou o povo sua fé
O Santo de Canindé,
Cantou até oração.
.
Cantou também paro o papa
Cantou o cruel Lampião,
Lendas de cangaceiros
Que habitavam o sertão.
Cantou a mulher rendeira
E Sá Marica parteira
Costumes e tradição.
.
Cantou do vate Catulo,
Que no nome tem Paixão,
E digo com toda certeza
Que encantou seu torrão,
Com a mais bela cantiga
Que amor a terra instiga
Chamada Luar do Sertão.
.
Lua mostrou ao Brasil
Nossa nação nordestina.
Falou de chuva e de seca
Contando a nossa sina.
Cantou tristeza e alegria
Dum povo que contagia
Pois a ser forte ensina.
.
Cantou a fauna e a flora.
Do nosso seco sertão.
Mostrou o mundo inteiro
O amor pelo seu chão.
Asa branca contagiou,
E o povo todo cantou,
Este hino ao Sertão.
.
O querido rei caboclo.
Aclamado rei do baião.
Viverá eternamente
Em nossa recordação.
E será eternizado
Pois sempre será lembrado
Por toda nossa nação.
.
Quando o fole da sanfona,
Gemer em qualquer lugar.
E um forró pé-de-serra
O sanfoneiro tocar
Lembrarei de Gonzagão,
O nosso rei do Baião,
Majestade Singular!

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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