terça-feira, 10 de agosto de 2010

Jeremias Catunda, um ano de saudades - Por Bérgson Frota / Fortaleza



Um ano passou meu pai, os dias se foram e tu hoje me fizestes lembrar a figura encanecida que ao adentrar as calmas águas das oitenta e três primaveras, deixou-nos com tristeza, já com saudades. Mas com a certeza do dever cumprido.

Durante todo o tempo em que exercestes de forma ativa, dedicada e plena o teu papel, sempre soubestes da real importância que tinhas, tens e sempre terá para nossa vida.

O exemplo rico e vivo, deixado por ti, de integridade, retidão de caráter e compreensão ficaram e brotarão.

Também do ato sagrado de ser pai, que para ti não se resumia em gerar e sustentar um filho. Mas criá-lo, incutindo nele valores espirituais e morais, mostrando a real primazia dos dois primeiros em relação aos valores materiais, e isto tu bem o fizestes.

Nestes anos tua presença constante pela observação, soubestes reconhecer os valores latentes nos filhos, e os incentivou a exteriorizá-los para assim tornarem-se senhores de si.
Sabendo e tendo desta forma a responsabilidade de que nos criava para o mundo e nesta consciência, agiu de forma equilibrada e responsável. Dando tu próprio o real exemplo.

Quantas vezes meu pai, tu não chorastes em silêncio, no medo desassossegante de falhar, de não cumprir corretamente a tua missão.

E o choro silencioso pelo destino dos filhos por si só já não era uma prece ? Sem palavras, mas prece, pois não negava uma sublime rogativa.

Quantas vezes pai, para ensinar não te tornastes duro, quando o coração mandava relaxar e ceder pela alegria temporária. Porém, enquanto a dureza do momento garantiria horas e anos de gratificantes resultados.

É pai, assim sabendo, firme tu te mantivestes.

Junto à fiel companheira na semeadura do passado, muito fez e nos deixou tuas lições, num caminho não isento de fartos percalços e dificuldades superadas, de sacrifícios e dores pelos filhos.

Nós, os filhos e esposa hoje recordamos, em respeitoso silêncio, sentindo na saudade de ti, a presença que constante a não nos fazer distante, de forma diária de tudo que percorrestes conosco e venceu nesta difícil tarefa, que para nós te fez grande.

Um pai herói inesquecível. Lembramos tua humanidade, que nos teus atos foram e são estímulos de exemplos imorredouros do dom sagrado do Criador, fazendo com que ao nos deixar fisicamente, nós cá sofrêssemos órfãos da tua paternidade, tão querida, a nos fazer ainda mais e sempre presença presente na nossa vida do teu amparo, direcionamento e eterno amor.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.