terça-feira, 13 de julho de 2010

O tempo do trem em Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza



Circundando montes e cruzando pontes, cuja água abaixo, vindo de várias fontes inundava os diversos rios. O trem corria, rasgando as verdes matas, quando era inverno.

No verão, era a caatinga que pintava o quadro amarronzado, e verde, as carnaúbas uma e outra, feito pequenos pontos lá longe a parecerem alto oásis, alentando a esperança dos que no trem fitavam a aridez temporária no sertão.

Dentro, em contínuo sacolejar, os passageiros faziam uma viagem que durava um dia.
Vindo de Crateús, o trem chegava à Ipueiras entre quatro às cinco da manhã.

No bairro da Estação, vendedoras de café, bolos, batatas, doces, pamonhas, tapiocas não faltando para esquentar a velha cachaça.

No trem se ouvia músicas de rádios portáteis ou gravadores.

Dormia-se, almoçava-se e enfim muito se conversava.

Toda viagem era uma rápida expedição a cada cidade, que por já possuir linha férrea era ponto de parada e vista.

Depois de riscar feito uma centopéia mecânica num constante andar barulhento, tanta terra e cidades, entrava em Fortaleza, no amarelado sol das cinco.

Começávamos do trem a divisar longe os arranha-céus. Primeiro o enorme exército de carnaúbas de ambos os lados e finalmente, já com o anoitecer, chegava-se a Estação Ferroviária.

Pedaços de lembranças, narrativas ricas de uma época que não volta mais.

Assim foi o tempo do trem em Ipueiras, tempo este que deixou saudades.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.
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