terça-feira, 29 de junho de 2010

Foi numa Quadrilha - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Já faz tempo, mas o que é o tempo para os sentimentos, que mais vivo que tudo nos faz viver.

Era junho, mês de quadrilha, a mais famosa de todas, a quadrilha de São João.

Lá estava Cristina, a esperar-me para juntos irmos como almas gêmeas àquela festa junina.

O que sentíamos era um êxtase.

Havia uma festa interna em nossos corações, e a alegria externa era pouco para descrever o sentimento do primeiro amor que nós dois sentíamos, do primeiro beijo e da primeira flor, dada numa pureza ingênua, quase santa de início de namoro.

Dançamos como se para nós fosse aquela festa.

No salão éramos únicos, como se tudo no Universo parasse e só nossas trocas de olhares existissem.

Preservamos o carinho e a atração mútuos em um recôndito só nosso, onde ninguém pudesse entrar ou estar.

Depois daquela festa, no qual meu chapéu de palha e sua saia xadrez ,nos fazia caricatos. Nossos sentimentos cresceram, e frutificaram-se.

Nossa intimidade a esquentar lençóis, e o segredo dela nascido, era uma promessa eterna de silêncio e cumplicidade.

Foi numa quadrilha, muito tempo depois escreveria eu num texto, foi numa quadrilha que encontrei minha primeira namorada.

Cujo cheiro marcou-me, cujas carícias e beijos não me fizeram-na esquecer, cujas promessas por imaturidade feitas, quebramos mutuamente, mas confesso não foram de todo perdidas.

E no coração, hoje posso afirmar, ainda vive Cristina, como uma lembrança querida. E onde quer que esteja, garanto ainda lembrará também.

Nossas promessas e juras ficaram como resquícios santos e imaturos, que se não nos uniu fisicamente, deixou marcando para sempre na linha de sentimentos em nossos corações a recordação eterna do primeiro amor.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

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