segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nordestinidade - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

Na Assembleia Legislativa do Ceará, ouço de deputado federal a observação de que aqui somos, entre os da região, o estado que mais tem o sentimento de nordestinidade.

Por instantes, isso me leva aos anos 80 quando para cá trouxemos Celso Furtado então retornado da Europa para que nos falasse sobre as perspectivas que tínhamos para a região .

O auditório Castelo Branco tornou-se pequeno para tanta ocorrência, aos gritos "concha-concha-concha" de ávida busca de vias contra o arbítrio. Celso aceitaria antes passar pelo Centro Industrial do Ceará, para breves palavras no vácuo de palestrante não vindo. Depois, voltaria para estar com "os então jovens empresários", e discorrer sobre "Dos ideais do CIC a uma prática de governo."

Novo ciclo. Tal ideário esgota-se: "Eu considero que são 15 anos. O ciclo de Vargas fora 15 anos (...) O próprio ciclo da República, da Constituição de 1946, durou de 1946 até 1964: 18 anos". Ouço de Gonzagão e Zé Dantas (médico) as admoestações após seca dos anos 50: "Mas doutor uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão". Ou, na versão, da CNBB: o "clientelismo governamental" distorcendo a "bolsa família" na busca da droga, da violência e do crime.

Algum tempo atrás, participo, a convite de Rosa Furtado, presidente Cultural do Centro Internacional Celso Furtado, e de Robert Smith (BNB). Em novo ciclo, a Região hoje busca um novo Nordeste. Persiste-lhe, porém, recobrado, o mesmo norte: "Quando o projeto social dá prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento". Norte que nos seduzirá aos muitos que agora perseguimos a metamorfose feito estrela na Região e no País. Assim seja!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
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