segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Filosofia e os Filósofos - Por Bérgson Frota / Fortaleza


A Filosofia como carreira a seguir no campo docente é uma escolha merecedora de todo mérito que infelizmente uma parte da sociedade hodierna procura marginalizar por conviver com um conceito superficial do que vem a ser de fato o filosofar, sua função e a função dos filósofos para a transformação da sociedade que não nos nega sua dinâmica.

Cabe à filosofia o papel questionador indispensável ao desenvolvimento em qualquer área de conhecimento.
Ser filósofo não é discutir “o sexo dos anjos”.

A função do filósofo é questionar, dentro de parâmetros lógicos, o modo de ser de um fenômeno e o por quê desse modo de ser.

Na realidade, a filosofia é a base de toda ciência. É nela que estão inseridos os instrumentos primários da observação, pesquisa e conclusão de qualquer obra do pensar humano.

Os filósofos questionam uma realidade que parece estática, mas permanece em constante mutação.

Nesta concepção, encontram os meios para dirigir o processo evolutivo de uma ordem posta como finalizada e estática.

Ser filósofo é não aceitar um dado antes de pôr sobre ele os instrumentos lógicos de que o raciocínio nos capacitou. É apreciar o fenômeno dado de forma detalhada e segura, para só assim passar da hipótese à tese.

A filosofia deve ser respeitada como a ciência mater, pois seu surgimento foi o produto dos primeiros questionamentos humanos em sua tentativa de romper com o mito escravizador.

Na alegoria da caverna, um trecho célebre do livro “A República”, de Platão, é narrado o processo sofrido pelo homem para alcançar o saber verdadeiro.

É um processo árduo em que poucos se aventuram, uns por comodismo outros por medo, mas que recompensa de forma grandiosa aos destemidos que finalizam sua meta.

A filosofia enriquece e valoriza o homem por utilizar como instrumentos as capacidades cognoscentes latentes no raciocinar.

A filosofia é humanista, é produto da mente humana e companheira eterna de sua existência enquanto espécie.

O grau de desinformação desta ciência no âmbito popular é notório, porém deve-se deixar claro que o ato de questionar, norma primeira do filosofar, é extremamente válido em qualquer área, para que se busque a verdade do que se procura e, sempre que se questiona, sem perceber, filosofa-se.

Eis uma forma simples de entender o que é a Filosofia.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mangerioba-do-pará - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Foto: Dalinha Catunda

Na estação das chuvas
A caatinga se refaz.
Oferecendo aos olhos
A graça que a água traz.
Difícil fica esquecer
A magia do floresce
Cheio de um viço audaz.

Em meio ao mata-pasto,
Jurema, salsa e sabiá,
Feito ouro se destaca,
A mangerioba-do-pará.
Entre o verde e o amarelo,
Descubro o quanto é belo,
O rebrotar no meu Ceará.

Só mesmo quem conhece,
Tem a verdadeira noção,
Do que faz a falta de chuva
Com a flora do meu sertão.
Mas tudo se acaba em festa,
Quando o verde se manifesta,
Dando nova cor ao meu chão.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Frase do dia
"Eu continuo gostando do Caetano como cantor e ele, certamente, continua não gostando de mim como político. E a luta continua."

Lula
Guerrilha - Por Lúcio Cavalcante de Albuquerque - Rondônia
O governador Sérgio Cabral mandou um grupo de policiais do Rio de Janeiro aprender na Colômbia a combater a guerrilha urbana. Só quem é cego é incapaz de ver que acontece, na capital carioca, claros atos que caracterizam guerrilha urbana.

O que é facilitado pela fragilidade das nossas fronteiras. Daí eu ser favorável a que as Forças Armadas tenham maior presença nessas regiões. E não entendo por qual motivo isso não acontece.

DATAS DE RONDÔNIA

(De 22 a 28 de novembro)

Dia 22 – Em 1977 – Instalação do município de Ji-Paraná, pelo governador Humberto Guedes, assumindo como prefeito nomeado o funcionário público Walter Bártolo. Ji-Paraná originalmente teve o nome de Urupá, passando a ser Vila Rondônia até à criação do município.

Dia 23 – Em 1977 – Instalação do município de Vilhena, pelo governador Humberto Guedes. O primeiro prefeito, nomeado, foi Renato Coutinho

Dia 23 – Em 1977 – Em Vilhena é instalada a TV-Vilhena, afiliada à Rede Amazônica de Televisão, tendo como diretor João Castilho (Vilhena conta sua História, Pedro Brasil)

Dia 24 – Em 1977 – Instalação do município de Pimenta Bueno, pelo governador Humberto Guedes. O primeiro prefeito, nomeado, foi Vicente Homem Sobrinho.

Dia 26 – Em 1975 – Instalada a Polícia Militar do Território Federal de Rondônia e declarada extinta a Guarda Territorial (Ovídio Amélio, História e Colonização do Estado de Rondônia).

Dia 26 – Em 1977 – Instalação do município de Cacoal, cujo primeiro nome foi Nova Cassilândia, pelo governador Humberto Guedes. O primeiro prefeito, nomeado, foi Catarino Cardoso dos Santos.

Dia 28 – Em 1907 – Pelo decreto 6.752 a firma norte-americana The Madeira-Mamoré Railway Company é autorizada a operar no Brasil (Antonio Cantanhede, Achegas para a História de Porto Velho)

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A Feira de São Cristovão - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Na foto: A secretária de cultura do município Jandira Feghali, o gestor da Feirara de São Cristovão Marcus Lucenna e a cordelista Dalinha Catunda


O Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a denominada feira de São Cristovão ou Feira dos Paraiba, como é popularmente conhecida, hoje tem como gestor Marcus Lucenna.

Marcus Lucena este cantador e cordelista nordestino, oriundo de Mossoró-RN, não só vestiu a camisa dessa nação nordestina, como botou o chapéu, arregaçou as mangas e muito tem suado para que a feira, acima de tudo, seja um reduto deste povo sofrido, que chega ao Rio de Janeiro para trabalhar e tem a feira como seu lazer preferido.

É lá que o saudoso nordestino, mata as saudades de sua terra. Ouvindo um forró pé-de-serra, comendo queijo assado na brasa, comendo baião-de-dois, comprando rapadura, olhando a rede dependurada, tomando uma cachacinha e tirando o gosto com iscas de carne seca.

No centro da feira, cantadores fazem seus repentes versejando sobre o ambiente e pessoas que transitam por lá. Um conjunto de forró está lá, sempre avivando as saudades dos que carregam sua terra no coração. Em frente ao palco, independente da idade, os freqüentadores dançam em pleno dia mesmo com o sol a pino.

Um carrinho de madeira, transformado em estante, abriga os cordéis de toda parte do país. Os mais vendidos são os que falam de Lampião, o Rei do Cangaço, e os que citam o cantor Luiz Gonzaga, o nosso Rei do Baião.

Sem pretensão de entrevistar, apenas num papo informal, estive sexta-feira, 13/11/ 09com Marcus Lucenna que gentilmente respondeu minhas indagações sobre os passos da feira.

Disse-me que:
A feira além de abrigar os nordestinos recebe grande numero de turistas brasileiros e estrangeiros. Que hoje a feira prima pela higiene.

Numa gestão democrática ele tanto tem trazido o forró pé-de-serra, como o forró eletrônico. Pois há os que se encantam com o sanfoneiro Dominguinhos e os que adoram a banda Calcinha Preta.

Como cordelista e membro da ABLC Academia Brasileira de Literatura de Cordel prestigiando sua classe, andou organizando uma interessante exposição de cordel.

E entre tantos assuntos, confidenciou-me que está preparando uma grande homenagem para Luiz Gonzaga de dez (10) a treze (13) de dezembro, talvez a maior delas. E já estou convidada. Dia 13 de dezembro é dia de Santa Luzia, dia que nasceu o Gonzagão.

Para gerenciar uma feira, como a Feira de São Cristovão o cabra tem de ser macho mesmo e desassombrado, e assim é Marcus Lucenna, que tem sido uma voz nordestina a serviço do seu povo, além de gerenciar a feira ainda comanda o programa “Nação Nordeste” de segunda à sexta das 20h às 21h na Rádio Metropolitana 1.090 AM. Um programa que traz o sotaque e a cultura nordestina.

Eu vejo em Marcus Lucenna esse orgulho de ser nordestino, que eu também carrego comigo e gostaria que todos os nordestinos tivessem.

Mais uma vez encantei-me com a feira de São Cristovam, fico feliz em ver meu companheiro da ABLC gerenciando nosso reduto e quero agradecê-lo pela simpatia e disponibilidade com que ele me recebeu e aplaudi-lo por ser essa voz incansável clamando pelo Nordeste.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Estudo para o tratamento do câncer de mama - Por Cibele Pereira / São Paulo


No mês em que acontece o Dia Nacional da Luta Contra o Câncer (27 de novembro), a Bayer Schering Pharma anuncia os resultados de um estudo de fase II com a terapia-alvo Nexavar® (tosilato de sorafenibe) para o tratamento do câncer de mama metástico. Os resultados revelaram um aumento de 74% de sobrevida e maior tempo livre de progressão da doença nas pacientes que receberam a terapia-alvo. O estudo também demonstrou a eficácia e a tolerabilidade do medicamento.

Denominado BASELGA o estudo avaliou o uso de Nexavar® em combinação com quimioterapia oral em 229 pacientes, sendo 115 brasileiras. “Os resultados deste estudo representam mais um avanço para o tratamento do câncer de mama, doença que representa a segunda causa de morte por câncer em mulheres no mundo”, afirma Dr. Frederico Costa, médico oncologista do Hospital Sírio Libanês. O especialista explica ainda que por ser uma combinação de medicamentos de uso oral e com poucos efeitos colaterais o sorafenibe associado à capecitabina permite uma boa qualidade de vida e um maior controle da doença, associado a adesão ao tratamento.

Sobre Nexavar®

Nexavar® (tosilato sorafenibe) é considerado uma terapia-alvo, pois age diretamente nas células doentes preservando as sadias, o que proporciona ao paciente menos efeitos adversos e mais qualidade de vida. Além disso, o medicamento reduz a multiplicação das células tumorais (ação antiproliferativa) e inibe a formação de vasos sangüíneos que alimentam os tumores, processo chamado angiogênese. Atualmente, o medicamento é aprovado em mais de 70 países para o tratamento do câncer de rim avançado e em mais de 60 países para o tratamento do câncer hepático, inclusive no Brasil.

Cibele Pereira
Frase do dia
"Se a oposição reclama do filme sobre Lula por que não faz um sobre Fernando Henrique Cardoso?"

Ricardo Berzoini, presidente do PT, na estreia em Brasília do filme "Lula, o filho do Brasil"

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Em defesa de dona Canô - Por Ricardo Noblat / Brasilia


Alguns leitores do blog do Noblat criticaram dona Canô, mãe de Caetano Veloso, por ter mandado avisar a Lula que não endossa as críticas que o filho lhe fez.

Foram injustos.

Dona Canô não é uma oportunista - pelo contrário. Ela é antiga eleitora de Lula. Nada mais razoável que manifeste sua opinião contrária a do filho.

A foto acima, de Luciano Andrade, é de 1994. Dona Canô está com um chapéu do PT e amarra no pulso de Lula uma fitinha do Senhor do Bonfim.

Naquele ano, Lula disputava a presidência da República pela segunda vez. Perdera a primeira para Collor. Perderia a segunda e a terceira no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso.

Derrotou Serra no segundo turno da eleição de 2002. E Alckmin no segundo turno de 2006.

Lula tudo fará para que não haja segundo turno em 2010. Dará um jeito de afastar Ciro Gomes (PSB-CE) do páreo. E de esvaziar a candidatura de Marina Silva (PV).

Acha que Dilma terá mais chances de se eleger se não disputar o segundo turno.

Ricardo Noblat é jornalista

Moeda de troca na saúde - Por Lúcio Cavalcante de Albuquerque / Rondônia
Nessa questão do João Paulo só atender alta complexidade, deixando para os postos municipais o atendimento menor pode até ser uma coisa coerente, mas, na prática, está cada vez mais gerando dificuldades e pode até descambar em agressões a quem não tem nada com a história: os profissionais que atendem nos postos municipais e que vão acabar levando a culpa de uma situação gerada pelo desprezo com que o setor vem sendo tratado pelo poder público.

A questão do João Paulo é mais uma demonstração da politicagem na gerência do interesse público e, claramente, o uso de um setor vital, o da saúde, como moeda de troca na disputa política local, sem que se leve em consideração o cidadão e direitos consagrados inclusive na Constituição Federal.

Não estou aqui para dizer quem está certo ou errado, mas apenas para citar um exemplo, o do controle do ponto nos hospitais do Estado, onde quem toma conta disso destrata servidores alegando agir em nome do governador, transformando um ato normal, o de verificar a presença em serviço dos servidores, num exercício de autoritarismo e de má educação - o que também acontece na Assembléia Legislativa.

Voltando áo nosso foco central, relativo ao João Paulo, seria necessário, antes de tomar uma decisão como a agora anunciada, que Governo e Prefeitura cumprissem efetivamente suas responsabilidades. Nesse caso do atendimento no órgão estadual, há dois fatores a considerar: primeiro, a falta de cultura em Porto Velho de levar o doente inicialmente aos postos e policlínicas municipais e, segundo, porque os postos municipais não contam com estrutura necessária para cumprir suas finalidades.

Equipamentos quebrados dificultam até um exame de raio-x ou um examelaboratorial, isso para citar apenas doisa casos, o que pode ser ampliado pela falta segurança física de prédios e servidores. "Como posso atender bem um paciente se alguém fora do gabinete está gritando e dando chute na porta ameaçando me agredir?", queixa-se um profissional de saúde, reclamando que a sobrecarga do plantão é outra ameaça: "Há dias que atendemos num período mais de 50 pessoas, e isso é desumano para nós, que fazemos o atendimento e, principalmente, ao paciente que não pode ser bem examinado justamente porque faltam tempo e meios para tal"?".

Apenas para citar um exemplo, a situação do posto municipal do Ulysses guimarães, onde falta banheiro para uso de quem trabalha ali, e o único, o do pessoal da limpeza, está em situação tão precária que desestimula qualquer pretendente a usuário, e a solução é buscar socorro nas casas vizinhas, contando com a boa vontade dos moradores.

Nessa questão do uso da saúde pública como moeda de troca política entra até a Vigilância Sanitária. Se esses órgãos, o municipal e o estadual, agissem conforme as finalidades para as quais foram criados - e para o que o contribuinte paga salários e meios de trabalho - certamente haveria interdição de locais de atendimento de saúde que não condizem com as normas da vigilância. "Mas, como fazer queixa nesses órgãos? Será que eles farão alguma coisa sabendo-se serem ligados ao poder público?", quer saber um profissional de saúde.

Agora, uma coisa se tem de tirar o chapéu e destacar: fazer propaganda, gastar dinheiro vendendo imagem de ter feito algo no setor, isso os administradores públicos fazem com muita voracidade. Já agir de forma coerente no setor, investindo na melhora da qualidade do atendimento, bom, isso, pelo visto, é periférico.

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Bica do Ipu e Eu - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Saí da minha Ipueiras,
Rumo a serra da Ibiapaba,
Avistei a bica do Ipu
E fui ficando inebriada.
Parecia mesmo uma noiva
De esvoaçante grinalda.

Imaginei a índia Iracema
Correndo para se banhar,
Brincando pelos caminhos
Com as frutinhas de juá,
Pegando flores silvestres
Para os cabelos enfeitar.

Pois era assim que eu fazia,
Em meus tempos de menina,
Andando pelas veredas
Desta terra alencarina,
Para banhar-me na bica
De águas tão cristalinas.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
Frase do dia
"Eu não tenho ouvintes. Tenho uma legião de amigos espalhados pelo mundo"


Toninho Lima, radialista

.

sábado, 14 de novembro de 2009

Circo um olhar poético


CAPA DO LIVRO


“Circo um olhar poético” é o primeiro livro da poetisa Waleska Frota, a sua sensibilidade ligada ao gosto da grande arte circense nos presenteia com diversos poemas, todos, ligados a beleza e alegria da mágica do picadeiro.

Enviado por Bérgson Frota

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cidade & Educação - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza



Como educador, amargo "mea culpa" por histórico atropelo em nossa educação: o do "todos pela educação (...) para todos", a nos levar ao morrer na praia, entre os "42 piores países do mundo". Daí, aderir a proposta do Colégio Seráfico de Messejana - a do "espaço sócio-educativo" a envolver: a) a Carta das Cidades Educadoras (Barcelona, 2004), de muitas nações; b) a responsabilidade social, para além do capitalismo e o socialismo real, o público e o privado em abraço.

Isso, em escola de crianças, adolescentes e jovens da classe C. E em Messejana ("lagoa abandonada", em tupi), onde 45 mil habitantes se dispersam, em meio ao centro de poder (Cambeba), lagoas, parques, Casa de José de Alencar, hospital de referência nacional ali plantado, shoppings, forte comércio, igrejas, centro e feira artesanal,sob laços de riqueza, pobreza e babel... No Seráfico, balbucios a ensaiar mãos dadas: políticos, empresários, ecologistas, educadores, populares. A escola a engatinhar rumo à cidadania nas ruas, as ruas a emprestar vida social à escola.

A Revista dos Municípios pede-me artigo sobre laços mais fortes entre educação e responsabilidade social. Nele, falo de passos engatinhantes e simbólicos ensaiados, na Fiec, por Wânia e Demócrito Dummar, onde "indústrias sem chaminés" da educação superior tiveram, já nos anos 80, assento simbólico. Celeste Cordeiro, na Fundação Demócrito Rocha, abre-se, solidária a passos de avanço maior, convictos, todos nós, de que, sem o porto do cidadão, do profissional e da pessoa, morreremos na praia.

Daí, nosso aval ao apelo, nas pegadas de São Francisco de Assis, ora lançado pelo capuchinho Frei Francisco Paulo Pereira da Silva. O Ceará e o País, agradecidos, nos farão justiça. Aqui, o sol libertário, pelas vias da educação, sempre tem nascido mais cedo!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Digitação - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


A tua palavra não dita
Aguça-me a imaginação.
Traz na magia dos dedos,
Um toque de sedução.
.
Chega-me feito sussurros,
O que não cheguei a escutar.
Não o que está escrito,
O que supõe meu pensar.
.
Na técnica da tecla distante,
Perco-me a imaginar...
Num corpo desconhecido,
Uma alma a me encantar.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
Frase do dia
"Tem uma coisa que nós humanos temos um problema imenso: não controlamos chuva, vento e raio. Sempre quisemos, mas não conseguimos ainda. Talvez algum dia, né? "

Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

No Sertão um Canto (97 anos) - Por Gonçalo Felipe / Nova Russas


1

Meu nome é Sebastião Matos Sobrinho.

O meu tio Sebastião que foi prefeito

O major que soube impor respeito

Em todos que cruzaram o seu caminho

Comigo, demonstrou muito carinho

Nem preciso emitir uma opinião

A sua fama correu toda a regiãomas, meu nome foi em sua homenagem

Famoso, criou fama e com coragemFez seu nome marcar época no Sertão

2

Tempo aquele que já se vai na distância

Horas felizes que marcaram o meu passado

Um filme que na mente tem me acompanhado

Daquela época que marcou a minha infância

Filme este que me vem numa constância

Onde vejo minha Guaraciaba do Norte

Foi ali que com meus pais eu tive a sorte

De nascer e dar os meus primeiros passos

Enfrentei por muitas vezes invernos escassos

Demonstrando que também fui muito forte

3

Comigo a Sorte foi benevolente

Ao contrário das de muitos sertanejos

Quando olho o meu "filme" ainda os vejos

Enfrentando o Sol à pino e terra quente

Cada um deles, de Deus é um temente

E vai levando a vida com destemor

Eu, porém, estudei, fui professor

Dando aulas na cidade de Ipueiras

Lutei muito, venci, transpus barreiras

Ao lado de Mundinha, o meu amor.

4

Raimundinha, a mulher da minha vida

Que de música, foi também professora

Sendo ela minha musa inspiradora

Mundinha a minha esposa querida

Com a inspiração Divina envolvida

Veio a "música" de nosso maior valor

Nós a compomos, mas foi Jesus o autor

Daquela linda "música que fizemos

Nem a morte nos levando saberemos

Dessa "música", o tamanho do nosso amor

5

Jean Kleber, nosso filho abençoado

Nossa "música" foi lançado para o mundo

É um sucesso, é um talento profundo

Até mesmo depois de ser casado

Sendo ele por Deus recompensado

Quando veio a Daniela, minha neta

E Ana Júlia, minha querida bisneta

Tendo o início na primeira união

E depois obedecendo ao coração

O meu filho deu outro tiro de meta

6

Sendo assim, no campeonato da vida

Um segundo tempo foi iniciado:

Vanessa que tem o seu nome gravado

No meu "filme mental" que me convida:

Ver Jean com a vida reconstruída

No plano seu afetivo e sentimental.

Heloísa Helena, com amor sem outro igual

Ainda deu-me Ivan Kleber como neto

E com ele o meu coração ficou completo

Sua alegria é bem maior do que o normal

7

O meu "vídeo mental" está terminando

Mas seu replay será dado com certeza

Hoje eu moro aqui em Fortaleza

Este "vídeo" estou sempre o passando

Na estrada da vida eu vou andando

E só em chegar até aqui foi boa a sina

Só Deus sabe o lugar onde ela termina

Eu só sei que depois de andar tanto

Eu registro aqui NO SERTÃO MEU CANTO

Este poema que com a minha vida combina

8

Jean Kleber, sinta-se abençoado

Por Deus e por mim também seu pai

Heloísa Helena, por certo também vi

Para sempre ocupar o meu coração

A Vanessa com Ivan Kleber seu irmão

Daniela, Ana Júlia, todos enfim

Mesmo em vida peço que orem por mim

Pois agora lhes falo de forma clara:

Nem a morte chegando nos separa

Continuarei amando-os, mesmo assim

FIM

Gonçalo Felipe é o poeta de Nova Russas que nos brinda com poesias sobre nós, sobre Ipueiras, sobre nosso pé de serra, enfim sobre a vida de todos nós.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Nova Russas comemora os seus 87 anos de emancipação política - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Igreja Matriz de Nova Russas



O município de Nova Russas foi criado em 1922 no Governo Estadual de Justiniano de Serpa. Nesta quarta-feira, 11 de novembro, Nova Russas comemora seus 87 anos de emancipação política. Para festejar o aniversário da cidade, o Governo Municipal vem realizando uma ampla programação em benefício de todos os segmentos da sociedade.

No último final de semana, foi organizado um carnaval fora de época. O Nova Russas folia levou milhares de pessoas a saírem pelas ruas atrás do Trio Elétrico ao som das bandas Patrulha e Tropa de Choque..

O dia 11 de novembro, data oficial da emancipação política do município é comemorado em grande estilo. Haverá um desfile no Parque da Cidade a partir das 20h para a escolha da Princesa e da Miss Nova Russas. A primeira receberá como prêmio um computador e a segunda, uma moto Biz zero quilômetro. Em seguida, haverá o encerramento das atividades alusivas ao aniversário da cidade com as bandas Garota Safada e Forró Moral. O prefeito Marcos Alberto disse está muito satisfeito com a participação do público que tem comparecido em grande número a todos os eventos.

A cidade de Nova Russas é reconhecida a Capital do Crochê do Estado do Ceará.

ORIGEM DO MUNICÍPIO

Data de cinco de agosto de 1808, o primeiro registro histórico que deu origem ao município de Nova Russas, quando da passagem da escritura de venda de um sítio denominado “Curtume”, justamente com outro denominado “Olho d’água”. Reunidos mediam três léguas de comprimento por outras três de largura.

O nome Curtume, que mais tarde daria o nome ao principal rio da sede, provém da atividade de curtimento de couros e peles existentes no local. Como a maioria dos municípios do sertão, Nova Russas teve o seu surgimento como decorrência de atividades agro-pastoris, notadamente vinculados à produção do couro.

A Fazenda Curtume, quando se encontrava sob o domínio de Manuel Oliveira Peixoto, em 1876, teve parte de seu terreno doado para a construção da Capela de Nossa Senhora das Graças, feita em taipa, construída pelo vigário, padre Joaquim Ferreira de Castro, filho da Vila de São Bernardo das Russas.

Em 1894, foi construída uma nova capela, em torno da qual se formou um povoado chamado Nova Russas, em homenagem à sua terra natal, o qual daria origem ao nome do município. O povoado conheceu maior crescimento depois da inauguração da estrada de ferro de Sobral em 1910. Assim, criaram-se condições propícias à criação do município, com sede no povoado de Nova Russas, emancipado à condição de Vila em 11 de Novembro de 1922 pela lei 2043.


Por Carlos Moreira

Imposto de Renda - Por Lúcio Cavalcante de Albuquerque / Rondônia
A não devolução a seus proprietários de direito e fato, os contribuintes, conforme a tradição, a quem de direito, da parte que o Imposto de Renda não leva, é apenas a cópia lulística do embargo feito pelo collorido e mentor, na questão das poupanças.

Interessante`que àquela altura o que se chama comumente de "homem forte" de uma administração era uma mulher e, agora, novamente uma mulher.

SEGURANÇA

Outro setor que está muito longe do mínimo é a segurança pública. Cada vez mais insegura, apesar dos seguidos anúncios de investimentos, contratação de pessoal, etc.

Enquanto o policiamento comunitário vem dando certo até nos morros cariocas, onde há uma guerrilha não oficial, aqui parece que a lição não interessa a quem manda no setor.

DATAS DE RONDÔNIA - Semana 11 a 18 de outubro

11 a 13 – 1940 – O presidente Getúlio Vargas vem a Porto Velho com ministros e assessores (Retalhos para a História de Rondônia, Esron Penha de Menezes)

11 – 1977 – O presidente Ernesto Geisel promulga a Lei 6.448 criando os municípios de Ariquemes, Ji-Paraná, Vilhena,, Pimenta Bueno e Cacoal, todos no eixo da BR-364 e desmembrados do município de Porto Velho (Vitor Hugo, Cinqüenta anos do Território Federal do Guaporé)

12 – 1910 – Inaugurado oficialmente o serviço telegráfico de Vilhena com a transferência da estação para a Casa onde funciona o Museu Rondon (Terras de Rondônia, Abnael Machado de Lima)

12 – 1975 – O jornalista Ciro Pinheiro realiza, no jornal Alto Madeira, o primeiro concurso “Poder Jovem”, escolhendo entre estudantes de Porto Velho, o governador e o prefeito mirim. Os primeiros, respectivamente, foram os futuros jornalistas ADaídes (Dada) dos Santos e Paulo Ayres de Almeida (Da Caixa Francesa à Internet – Lúcio Albuquerque)

12 – 1978 – Coronel Humberto Guedes, primeiro governador a visitar Rolim de Moura (João Batista Lopes, Rolim de Moura, seus pioneiros e desbravadores)

12 – 1979 – Enilde Aparecida é eleita 1ª Rainha de Rolim de Moura (João Batista Lopes, Rolim de Moura, seus pioneiros e desbravadores

13 – 1969 – O Decreto Federal 961 autoriza o retorno das eleições, suspensas desde a década de 1920, para vereador nos municípios dos Territórios, mas os prefeitos continuam nomeados (Marcos Teixeira e Dante Fonseca, História Regional – Rondônia)

14 – 1956 – Jayme Araújo dos Santos toma posse como governador do Território (Professora Tereza Chamma, Calendário de Guajará-Mirim)

14 – 1963 – Paulo Eugênio Pinto Guedes toma posse como governador do Território (Professora Tereza Chamma, Calendário de Guajará-Mirim)

15 – 1915 – O major José Jorge Braga Vieira é escolhido presidente do primeiro diretório político de Porto Velho, do Partido Republicano Conservador (Antonio Cantanhede, Achegas para a História de Porto Velho)

15 – 1972 – Advogados reunidos em Porto Velho decidem pela criação da seccional da OAB ((Ata da primeira eleição da seccional da OAB)

16 – 1990 – O senador Olavo Pires é assassinado em Porto Velho (Pioneiros – Ocupação Humana e Trajetória Política de Rondônia, Francisco Matias)

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.
Frase do dia
"Tudo o que a oposição não quer é que nós comparemos o governo do presidente Lula com o governo anterior, porque o governo anterior perde de 400 a zero."

Dilma Rousseff, a candidata de uma nota só (pelo menos por ora)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Rio 2016: por uma Olimpíada sustentável - Por Ariane Souza / Rio de Janeiro



A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 foi, muito justamente, celebrada como uma das maiores conquistas brasileiras dos últimos tempos, coroando um ciclo virtuoso da economia e que se traduz, em outro campo, na conquista dos dois maiores eventos esportivos do planeta – os Jogos Olímpicos e a Copa 2014.

Fruto de um intenso e bem-sucedido trabalho de relações públicas e conquista de votos dos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) por parte das autoridades federais e estaduais e municipais do Rio de Janeiro, a realização da Olimpíada 2016, porém, exige que, mal terminada a última taça de champanhe da comemoração, já se comece o planejamento para os projetos e obras necessários a esse megaevento. No caso da capital carioca, há a vantagem da intensa sinergia entre as obras esportivas e de infraestrutura necessárias à Olimpíada e à Copa 2014.

Mas a realização dos Jogos Olímpicos pode ser comparada a uma maratona, com obstáculos. Nessa analogia, vence quem estiver melhor preparado, o que implica planejar detalhadamente toda a sequência de treinamentos e utilizar os melhores equipamentos.
O Rio, para superar essa corrida, precisa estar atento ao fato de que planejamento, nessa área, envolve a definição de projetos e a obtenção de licenças ambientais para dar inícios às obras.

A Prefeitura do Rio de Janeiro estabeleceu 2010 e 2011 como os anos-chave para o planejamento das obras e, para conseguir entregá-las em 2015, como exigido pelo COI, é necessário conseguir as necessárias licenças ambientais.

Para isso, o primeiro passo é buscar projetos que, em princípio, definam os materiais mais eficientes, duráveis e sustentáveis, visando ultrapassar sem grandes problemas a “barreira” das exigências ambientais. Nesse sentido, os contratantes e autores de projetos arquitetônicos devem prestar atenção a algumas características de complexos esportivos e a sustentabilidade, econômica e ambiental, de edificações e da infraestrutura necessária para a realização dos Jogos Olímpicos. Entre essas características, está a análise do custo inicial e dos benefícios a longo prazo dos materiais especificados para estádios e infraestrutura geral.

Quanto maior a durabilidade e menor a exigência de manutenção e reposição desses materiais, mais sustentável é o material/equipamento, por consumir menos recursos financeiros e naturais, ao longo do tempo.
Portanto, com maior benefício para os usuários e à sociedade, que é quem paga a conta, em última análise.

Os elementos metálicos galvanizados encaixam-se com perfeição nessa avaliação de planejamento de longo prazo e, assim como o técnico de um atleta que compete numa maratona, deve estar na mente de contratantes e especificadores. Isto porque esses elementos metálicos, que podem ser desde a estrutura e a cobertura de um complexo esportivo, aos alambrados e cercas, às estruturas dos assentos, portões, estruturas e coberturas de estacionamentos, até a cobertura de uma parada de ônibus, por exemplo, têm muito maior durabilidade quando galvanizados ou mesmo utilizados no sistema dúplex (galvanização + pintura).

Também estruturas de concreto armado ganham em durabilidade quando as armaduras metálicas utilizadas são galvanizadas a quente. A galvanização a quente, técnica pela qual a estrutura/elemento é recoberto com zinco, ajuda a evitar a corrosão por oxidação das armaduras do concreto em pilares, vigas e lajes – e também nos elementos metálicos, estruturais ou não. Esses componentes, se submetidos à galvanização a fogo, podem durar até 75 anos sem manutenção, dependendo do ambiente onde estão inseridos.

Está comprovado que a galvanização oferece muito maior resistência aos elementos metálicos em cidades situadas à beira-mar, como o Rio de Janeiro. Essa durabilidade muito maior, comparada aos elementos metálicos sem a galvanização, pode ser constatada em dois complexos esportivos icônicos da capital carioca: os estádios do Maracanã e o Engenhão (estádio João Havelange). Neste último, a estrutura metálica dos assentos foi totalmente galvanizada e está em ótimo estado de conservação.

No Maracanã, reforma realizada há cerca de dois anos também galvanizou todas as estruturas metálicas dos assentos do estádio, inaugurado para a Copa de 1950. Assim, nas reformas para preparar o estádio para a Copa 2014 as estruturas metálicas dos assentos não precisarão ser trocadas, pois estão em perfeito estado e prontas para uso por mais algumas décadas.

A galvanização de elementos metálicos oferece portanto vantagens econômicas, pela muito maior durabilidade, diminuindo a necessidade de extração de recursos naturais escassos (ferro, energia elétrica, combustíveis fósseis para transporte, entre outros), com ganho ambiental-econômico expressivo.

Países que têm tradição em planejamento a longo prazo, como Alemanha, Estados Unidos, Japão e China, por exemplo, utilizam a galvanização intensivamente em seus complexos esportivos e infraestrutura geral para a realização de megaeventos, como os Jogos Olímpicos e Copas do Mundo de Futebol.

O Rio de Janeiro – e o Brasil – deve olhar atentamente para esses bons exemplos para vencer esse desafio e deixar um legado de obras sustentáveis e duráveis, que servirão bem às futuras gerações, pós-2016.

Ariane Souza é engenheira do Departamento de Desenvolvimento de Mercado da Votorantim Metais – Unidade de Negócios Zinco
A violência em nossas escolas - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Nos jornais, observo as discussões sobre carreira e papel do professor, no Ceará, o 4º. piso salarial do País. E releio artigo que, em 2002, escrevi sobre ``Violência nas escolas``, onde cito pesquisa em escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Nesta, a violência se destaca em três planos: a) a física (golpes, ferimentos, crimes e sexual); b) as incivilidades (grosserias, humilhações e desrespeitos); c) a simbólica (falta de sentido na escola, alunos postos à margem do social, atores escolares em atrito, os bullyings enfim).

Na terra de Iracema, os alunos não se toleram (52%, o mais alto índice no Brasil), detestam as aulas (44%), a administração da escola (12%) e o atrito entre os mestres. Escola, lugar nada prazeroso, de brigas e conflito para a solução dos problemas, de assédios sexuais de origem docente e de violência física e verbal. Medidas mais sugeridas: vigilância policial na escola e entorno, diálogo entre alunos e professores, direção das escolas e famílias, parceria enfim entre escola e comunidade.

Recordo-me, quando presidente do Conselho de Educação do Ceará, conseguimos reunir, em legais portas fechadas, os mais importantes atores da educação escolar. De jovem líder estudantil, ouvimos ásperas críticas. Dirigente da reunião, propus-lhe trocarmos de lugar. Ele, em tal papel, ouviu, de mim ``estudante``, o relato. E, surpresa geral, deu-nos a todos razão...

A violência há que se discutir entre os atores principais da educação (escola, família e sociedade). E isso em todos os seus aspectos a desenvolver-se na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino, nos movimentos sociais, organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais, aí inclusos os meios de comunicação, informais agentes de nossa educação (Art. 1º. da LDB).

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

A Resposta - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Querido amigo Bérgson,

Saudades!

Entre meus recortes de jornais num canto do armário vivem suas cartas que a mim são muito caras. Muitas vezes recorro a elas a procura de textos corrigidos por você que sempre tratava de acertar minhas “mal traçadas linhas.” Pois durante muito tempo, não conseguia postar um texto sem que antes passasse pelo seu crivo.

Sua crítica construtiva, seus elogios, foram dando-me segurança e coragem para publicar e postar nos jornais e na internet textos de minha autoria. Não tenho dúvidas que você durante muito tempo foi meu anjo da guarda das letras. Tanto me ensinou que acabei criando asas.

Um belo dia, vi um texto meu publicado no jornal O Povo de Fortaleza, depois textos no Encarte Infantil do Diário do Nordeste, também de Fortaleza, e assim por suas mãos, começou minha trajetória nos jornais. E a cada texto publicado quando eu menos esperava, chegava as minhas mãos o exemplar do jornal.

Depois vieram os blogs, o cordel, que era apenas uma brincadeira, mas acabou por premiar-me com uma cadeira na ABLC, tudo isso pedindo dedicação, e o tempo foi minguando e a internet, onde tudo é imediato, passou a ser o meu principal veículo de comunicação.

Tenho saudades das cartas que trocávamos e emociona-me saber que por elas você tem apreço. Todas estão bem guardadas, como guardada esta dentro do meu coração, esta grande amizade que tenho por você.

Querido amigo, continuo amando minha terra como sempre, se ela um dia prometeu ser madrasta, diante do meu carinho ela passou a abraçar-me como um filha querida.

As carnaubeiras que tanto amo, admiro, além de serem musas de meus poemas, consegui preservar boa parte delas no meu sítio em Ipueiras.

Quanto ao cordel, tenho crescido bastante, participado de eventos culturais, sendo reconhecida e se me faltava apenas o palco, isto o cordel está me dando.

Como você vê, meus sonhos se transformaram em realidade e já estou plantando novos sonhos apostando em ótimas colheitas.

Amigo Bérgson, ainda acho importantíssimo o troca de correspondência tradicional realmente a internet com suas mensagens instantâneas e deletáveis tira o encanto das cartas que eram tão esperadas e tão bem-vindas.

Um abraço carinhoso dessa amiga de sempre,

Dalinha Catunda

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

A carta que me mandastes - Por Bérgson Frota / Fortaleza



Lembro hoje, ao mexer em coisas passadas da carta que tu mandou-me. Encontrei-a entre livros, fotos e recortes de jornais.

Quanto tempo.Naquela época não tínhamos internet e a frase ... estou te enviando nestas mal traçadas linhas ... era-nos comum e corriqueira.

O papel deitado na mesa, a caneta e a mente cheia de novidades. Ligadas num só fim, escrever, contar, narrar um fato e matar saudades.

Lembra quando me mandaste a primeira carta Dalinha ?Talvez não, conhecendo eu tão bem tua memória. Querias de forma ansiosa mostrar-me tuas poesias. E quantas e tão belas já eram.

Esqueci de dizer-te que irias longe, falta minha, mas espero teres concretizado.

Sabe, nossa correspondência deixou-me saudades. Mas veio a internet, e que maldade, transformou o papel na fria tela que da carta ganhou somente na velocidade.

Dália, e aqueles poemas, os simples mas ricos de rima e emoção ? Tuas longas quadras que a ambos nos faziam rir pela peculiaridade e o teor brejeiro ?

Penso que as cartas embora amareladas eram mais ricas, só o fato da surpresa que trazia a cada lado virado e de quantas páginas.

Encontrei a carta que me mandastes ontem, mas levou-me à tempos pretéritos. Li e reli, dei boas risadas dos assuntos puxados e repuxados escritos para aproveitar mais ainda as brancas linhas que se ofereciam feito horizontes riscados num mundo de papel.

Dália, tu que amavas tanto tua terra ainda a quer como antes ? E as carnaubeiras que pareciam tanto te tocar ?

Na carta que me mandastes falava-me do amor ao cordel, da tua alma nordestina, fostes em frente no teu sonho ?

Queria muito lembrar o que te respondi.

Somos presos a segundos, minutos, horas, mal acordamos e não tardamos a dormir. As estações da lua rápidas se sucedem e o tempo passa.

Como gostaria de saber se tudo passou como querias.

Tenho em mãos a carta que mandastes, cheia de sonhos a enriquecer o amarelado papel.

Hoje já não digo o mesmo do e-mail, basta a frieza do imprimir ou o deletar.

Espero que tenhas ainda minha resposta, cá fico, e entre as folhas de um estimado livro guardo e escondo simultaneamente a carta que me mandastes.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Meu carnaubal - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro



Velhas carnaubeiras,
Ornamento natural.
Da cidade de Ipueiras
Querido torrão natal.
Lembro-me das cantigas,
De eras mais antigas.
O canto do carnaubal!

Tão majestosa, tão bela,
Altaneira e imponente.
Palmas abertas em leque,
Da flora és um presente!
Encanto da natureza,
Admirando tua beleza,
Sinto-me mais contente.

Quantas vezes escutei
Sonoros acordes no ar.
O vento batia na palma,
E a palma a cantarolar.
Ao sol quente do sertão
O vento virava canção,
E vinha me refrescar.

Hoje não mais encontro,
Minha árvore preferida
Ornamentando a praça,
Os jardins e as avenidas
Já não as vejo na cidade,
E para minha infelicidade,
Noto que estão sumidas.

Para matar a saudade,
Desta beleza natural,
Tenho em meu sítio
Um bonito carnaubal.
Adoro as carnaubeiras,
Da cidade de Ipueiras
Da minha Terra Natal.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

Frase do dia
"O foco é a postura, os gestos, o jeito de ela se portar. Ela tinha atitudes insinuantes. (...) Ela extrapolava rebolando na rampa, usando roupas para que os colegas pudessem verificar suas partes íntimas."

Décio Lencioni Machado, assistente jurídico da Uniban, sobre a expulsão da aluna que usou vestido curto em sala de aula

sábado, 7 de novembro de 2009

Biografia de Edmundo Bezerra de Medeiros - Por Renato Bonfim Medeiros / Fortaleza


Edmundo Bezerra de Medeiros nasceu no dia 27 de março de 1914, filho mais velho do casal Cesário de Sousa Medeiros e Maria de Paiva Bezerra; neto paterno de Jerônimo de Sousa Medeiros e Petronília Maria da Silva, neto materno de José de Paiva Bezerra e Maria de Sousa Lima; bisneto paterno de João de Sousa Medeiros e Margarida da Silva Medeiros; bisneto materno de José de Sousa Lima e Delfina Vieira de Paulo.

Nos anos de 1924 a 1927 iniciou seus estudos na zona rural com os professores Manoel Antônio da Silva, Gonçalo Alves Faustino, Cláudio de Sousa Junior. Estudou em Ipueiras com ótimos professores, com destaques para Aniceto Araújo Lima, Maurício Mamede Moreira, Massilon Tavares Moura e com o Juiz Dr. Aloísio Góis de Oliveira, cujos ensinamentos repassou aos seus irmãos.

No dia 12 de maio de 1928, aos 14 anos, começou a trabalhar em Ipueiras na mercearia de Vicente Ferreira Lima, onde permaneceu até o dia 15 de janeiro de 1930, quando passou a trabalhar na loja de João José de Lima até o dia 15 de julho de 1934, em cujo período foi agente da Companhia de Sorteio Crédito Operário Mercantil e Caixa Popular.

Em primeiro de agosto de 1934 passou a trabalhar em Nova Russas; inicialmente com o Sr. Artur Pereira de Sousa em seu armazém de exportação. Em 20 de agosto do mesmo ano foi nomeado Escrevente do 1º Cartório daquela cidade, que tinha como titular o Senhor Antônio Bezerra do Vale.

Retornando a Ipueiras a chamado do Sr. Sebastião Matos, trabalhou com este em seu armazém durante alguns meses. Em janeiro de 1935 fundou a Loja Edmundo Medeiros, a qual completará 75 anos de atividades ininterruptas em janeiro de 2010.

Casado no dia 08 de dezembro de 1936 com Edite Bonfim Medeiros, tendo como celebrante o Monsenhor Francisco Felipe Fontenele, de cuja união nasceram seus 12 filhos: Renato, Edésio, Nemésio , Maria Aglaê, Dinorá, Dagmar, Leda, Francisco, Maria das Graças, Antônio, Maria de Fátima e Antônia.

Exerceu a função de Correspondente do Banco do Brasil S/A, por 33 anos. Colaborou, ainda, como correspondente do Banco de Crédito Comercial S/A, Banco dos Exportadores de Fortaleza S/A, Banco União S/A, Sul América Capitalização S/A, Sul América Seguros de Vida e Companhia Seguradora Brasileira S/A.

Correspondente do Jornal “O POVO” por 37 anos, onde publicou centenas de notícias e inúmeros artigos. Por sua valiosa contribuição à imprensa cearense, era sócio efetivo da Associação Cearense de Imprensa - ACI e da Associação dos Jornalistas do Interior - ACEJI.

No campo político foi 1º Secretário do Diretório da UDN; Presidente do diretório da ARENA; Vereador da Câmara Municipal de Ipueiras em três legislaturas (01/06/1936 a 10/11/1937; 31/01/1951 a 25/03/1955 e de 01/07/1959 a 25/03/1963) e Prefeito Municipal de Ipueiras, no período de 07.03.1947 a 06.01.1948, por nomeação do Governador Faustino de Albuquerque e Sousa.

Prestou sua colaboração ao setor cultural como Tesoureiro e Secretário do Grêmio Cultural e Diversional Ipueirense.

Colaborou com a religiosidade dos Ipueirenses como 1º secretário da União dos Moços Católicos de Ipueiras e da Conferência de São Vicente de Paulo de Ipueiras.

Serviu ao Governo do Estado como funcionário da Secretaria da Agricultura do Ceará, lotado no Posto de Revenda de Ipueiras, no período de 01/02/1957 a 30/06/1959 e na Secretaria de Educação como Auditor na Região de Crateús, no período de 01/02/1964 a 07/11/1971 e Supervisor do Ensino de 08/11/1971 a 07/01/1977, data de sua aposentadoria.

Exerceu a função de Adjunto de Promotor de Justiça de 01/07/1946 a 07/03/1947; 24/08/1948 a 07/01/1951; 23/04/1955 a 19/01/1957, com todas as atribuições do titular, funcionando em todos os termos processuais ligados ao Ministério Público.

Alvo de enorme admiração por sua reconhecida cultura e irretocáveis condutas moral, religiosa e pública, Edmundo Bezerra de Medeiros faleceu, em Fortaleza, no dia 12 de maio de 2005.

Renato Bonfim Medeiros

Lei gaúcha sobre sacolas plásticas deve ser exemplo para o Brasil - Por Marcio Freitas / Rio Grande do Sul


A Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos acredita que a Lei adotada pelo Rio Grande do Sul, sancionada semana passada, que proíbe a disponibilização de sacolas plásticas fora da norma 14.937, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), deve ser um exemplo para outras localidades do Brasil reverem seus projetos de lei sobre este tipo de embalagem.

Isso porque a Lei gaúcha (13.272) garante dois direitos do consumidor. O primeiro é o de poder usar sacolas plásticas. Pesquisa Ibope, realizada com mulheres das classes B, C e D, responsáveis pelas compras de seus domicílios, revela que 69% consideram as sacolas plásticas consideram como a embalagem ideal para carregar suas compras e 75% dizem que é função do varejo seu fornecimento. Além disso, 100% reutilizam as sacolinhas após as compras. O segundo direito é o de contar com sacolinhas de qualidade, com espessura mínima de 0,027 milímetros e que leva a indicação do peso que realmente agüenta. Isso garante o transporte das compras, sem que haja a necessidade de colocar uma dentro da outra, o que evita desperdício.

A Plastivida acredita que preservação ambiental e a sustentabilidade dependem da ação de todos: da indústria e varejo, ao fornecerem produtos certificados; do consumidor, ao usar e reutilizar os produtos evitando o desperdício, além de descartá-los adequadamente, destinando-os para a coleta seletiva; e do poder público em garantir uma política adequada de coleta de resíduos.

Desta forma, o Rio Grande do Sul, torna-se o primeiro estado brasileiro a exigir o atendimento à norma técnica da ABNT, garantindo a qualidade das sacolas plásticas de supermercados e contribuindo assim para a redução do desperdício e o aumento de seu consumo responsável.

A Lei é altamente disciplinadora, porque obrigará os fabricantes a colocar no mercado somente sacolas plásticas fabricadas dentro da Norma Técnica. Por serem mais resistentes, essas embalagens deverão levar a uma redução de seu consumo em torno de 30%.

Marcio Freitas é jornalista

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Nova  Russas rumo a segundona - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Foto: Carlos Moreira


O Campeonato Cearense de Futebol da Terceira Divisão é a última divisão do Campeonato Cearense de Futebol Profissional. Começou a ser disputado em 2004, e já conta com um grande número de clubes, incluindo os antigos campeões cearenses da Primeira Divisão América (duas vezes) e Calouros do Ar (uma vez).

Participantes em 2009

Arsenal de Caridade (Caridade)
Aliança (Aquiraz)
América-CE (Fortaleza)
Predefinição:Futebol Maguary (Fortaleza)
Barbalha (Barbalha)
Predefinição:Futebol Paracuru (Paracuru)
Calouros do Ar (Fortaleza)
Crateús (Crateús)
Jardim (Jardim)
Predefinição:Futebol Pacajuense (Pacajus)
Messejana (Fortaleza)
Morada Nova (Morada Nova)
Predefinição:Futebol Itapajé (Itapajé)
Caucaia (Caucaia)
Predefinição:Futebol Eusébio (Eusébio)
Predefinição:Futebol Nova Russas (Nova Russas)

Lista dos Campeões

Década de 2000
2004 - Crateús Esporte Clube
2005 - Associação Desportiva São Benedito
2006 - Eusébio Esporte Clube
2007 - Barbalha Futebol Clube
2008 - Aracati Esporte Clube

Estádio José dos Santos Neto (Nova Russas-Ce)
Nova Russas: 3
Caucaia: 0

Carlos Moreira

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dia nacional da cultura será celebrado com livro sobre o carnaval - Por Amanda Lopez / Rio de Janeiro


Dia 05 de novembro, dia nacional da cultura, será lançado o livro Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval, resultado de uma parceria entre o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), com a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e o Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RJ). O lançamento será realizado no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) às 19 horas.

Na publicação são abordados os aspectos de fornecimento de metais e matérias primas para confecção de fantasias (muitas importadas de outros países); efeitos especiais para carros alegóricos; gestão de marcas e direitos autorais das comunidades e artistas do ramo. O estudo realizado foi coordenado pelo Núcleo de Estudos de Economia da Cultura sob orientação do professor Luiz Carlos Prestes Filho.

De acordo com Glória Braga, Superintendente Executiva do Ecad, a parceria firmada nesse projeto representa uma contribuição para a valorização da cultura nacional. "Somos reconhecidos mundialmente como o país do Carnaval. Agora temos um estudo científico que comprova e evidencia a importância da música em toda a cadeia produtiva desse grande espetáculo", declara a executiva.

Para os autores do livro, Luiz Carlos Prestes Filho e consultores, o Carnaval é uma cadeia produtiva de serviços, segmento que ganha cada vez mais força no Rio de Janeiro por conta da cidade sediar em breve a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Serviço:

Lançamento do livro Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval

Local: Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) - praça Tiradentes, 71, Centro

Data: 5 de novembro

Horário: 19 horas

Amanda Lopez

O Tetéu me avisou - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Ouvi a zuada do Tetéu
Eu olhei para porteira.
Vi meu amor chegando
Meti os pés na carreira.
Me joguei em seus braços,
E foi tanto beijo e abraço,
Que me deu até tonteira.

Entre nós dois se jogou
O cachorro de estimação.
Um velho vira-lata,
Que atende por barão
Latindo e abanando o rabo
Demonstrando satisfação.

Hoje a galinha caipira,
Vai cheirar lá na panela
Vou fazer como ele gosta,
Com pirão e à cabidela
E vou separar pra só ele
Coração fígado e moela.

Uma cachacinha já tem,
Vou ao pé buscar cajá.
Um suco bem refrescante,
Ligeirinho vou preparar,
Vou caprichar no almoço,
Sem me esquecer do jantar.

No terreiro à noitinha
Vai ter dança e cantoria
Para celebrar a volta,
De quem é minha alegria
E que longe de casa, feliz,
Por certo jamais viveria.

Mas a festa só se acaba,
Ao matar a minha sede.
Suando junto com ele
No balançado da rede.
O armador que agüente!
Pra não cair da parede.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O bode ioiô - Por Bérgson Frota / Fortaleza



Fortaleza conheceu na primeira metade do século XX, uma figura popular e pitoresca. Era um bode que com desenvoltura circulava entre os cafés boêmios da cidade, fazendo uma rota que mais lembrava um ioiô.

Sua história é um pouco rocambolesca, mas ao mesmo tempo curiosa.

Na seca de 15, chegou a Fortaleza um sertanejo trazendo consigo como único bem, um bode. O retirante necessitado vendeu o animal à Rossbach Brazil Company, conhecida empresa inglesa instalada na Praia de Iracema.

O bode logo tomou gosto pela cidade e com certa familiaridade circulava pelas ruas, indo diariamente à Praça do Ferreira, centro da cidade na época onde funcionavam os principais cafés.

Em pouco tempo, o bode já era tratado com familiaridade pelos freqüentadores e transeuntes que faziam quase sempre a mesma rota do caprino.

Ioiô ficou famoso por freqüentar cafés aonde iam grandes escritores tais como o famoso e inesquecível Java. Muitos dos boêmios e poetas relatam em obras da época fatos sobre o carismático bode Ioiô.

O bode era portanto, um “membro” da elite intelectual da cidade, participando de atos políticos em coretos e praças.

Corre a lenda urbana de que na inauguração do Cine Moderno comeu a fita inaugural do mesmo.

O bode Ioiô foi para muitos uma figura caricata e para outros um personagem que em muito incorporava a íntima relação do cearense com o humor e a brincadeira.

Quando faleceu em 1931, Ioiô foi empalhado e até hoje pode ser visitado no Museu do Ceará.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha
Já vimos esse filme...  - Por Lúcio Cavalcante de Albuquerque / Rondônia
Duas testemunhas idôneas, o empresário João Lobo e o professor Abnael Machado de Lima contaram a mesma história a este escrivinhador de mal traçadas linhas. Em 1964, quando a “redentora”, aconteceu no Brasil, em Rondônia houve um caso inusitado: o capitão Anacreonte, que apareceu por aqui como representante da “redentora”, tirou do governo do Território, e prendeu a todos os membros, inclusive o prefeito de Porto Velho, sob alegação de “corrupção”. E colocou no governo outro grupo.

Só que quem estava no governo eram membros do partido liderado nacionalmente pelo governador paulista Adhemar de Barros, apoiador de primeira hora da dita cuja “redentora”. E o novo fuhrer colocou no governo membros do PTB, partido ao qual era filiado o presidente João Goulart, defenestrado da função pelos “redentoristas”.

Entenderam? Ninguém entendeu, conforme o professor Abnael Machado. Pior ainda que, conforme João Lobo, em entrevista em 2004 na Escola do Legislativo “botaram os comunistas no quartel da 3ª Companhia (atual 17ª Brigada), no alojamento dos oficiais e os caras do partido que tinha dado o golpe no xadrez da Guarda Territorial (atual Polícia Militar”, localizado onde hoje é a sede do 1º BPM, na Arigolândia.

O que tem a ver com o “Já vimos esse filme...”, título do comentário, perguntarão os que se derem ao trabalho de ler essas mal traçadas linhas. Refere-se o título ao fato político, de já ter acontecido em Rondônia, há 45 anos e alguns meses, o que estamos vendo acontecer agora no Brasil onde “nunca antes neste país”.

Ora, os mandarins durante mais de 25 anos “venderam” a idéia de que havia autênticos demônios que deveriam ser afastados sem trégua de dentro do círculo do poder: José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Color, apenas para citar três, mas há mais, muitos mais, como aconteceu em recente eleição municipal paulistana, quando Paulo Maluf fez campanha para a ex-ministra Marta Suplicy, a da famosa frase “relaxa e goza”. Paulo Maluf pedindo voto para o PT? Claro, da base aliada....

Aí, no poder, eis que os diabos já não são eles, que passaram a ser chamados de “base aliada”, mas sim outros que durante muito tempo estiveram junto aos senhores atuais do feudo. É só olhar em volta.

Para nós, de Rondônia, nada de novo no front. Já vimos esse filme, talvez nem tanto com a cara-de-pau de agora.

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Foto do dia


Foto: Carlos Moreira / Comércio de Gado - Guaraciaba do Norte-Ce

Um meio ou uma desculpa - Por Antonio Alves Neto / Ipueiras
Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.

Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.

O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.

Não se compare à maioria, pois, infelizmente ela não é modelo de sucesso.

Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp com batatas fritas.Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá é modelo é modelo de trabalhar enquanto os outros tomam Sol à beira da piscina.

O mundo não está nem aí, se vc está cansado ou triste, ele não para.

E quem vive lamentando ou reclamando da vida nunca vai conseguir chegar em lugar nenhum.

A realização de um sonho depende de dedicação.

Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores pois...

Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO.Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA, e isso vale pra tudo na vida!!

Antonio Alves Neto é secretário Adjunto de Educação do muncipio de Ipueiras-Ce
Cajueiros de minha terra - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Foto:Dalinha Catunda

Cajueiros de minha terra.
Cajueiros do meu sertão.
Logo que chega outubro,
Carrega que cai no chão.
Alegrando a passarada,
Que na copa faz zoada,
Vendo farta alimentação.
.
Com Cajus de minha terra,
Faço suco, doce e gostosuras.
E ainda como com feijão,
Nesses tempos de fartura.
A castanha fica guardada,
Pra depois comer assada
Como manda nossa cultura.
.
Bonitos e bem saborosos,
Cajus vermelhos e amarelos,
Coloridos e apetitosos,
Naturalmente tão belos,
Como que me lambuzo,
Confesso que até abuso
Sem temer nódoa me melo.
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Acompanhando uma cachaça,
Amigo não me leve a mal...
Um cajuzinho bem fatiado,
É um tira-gosto sem igual.
Conheço desde menina,
Essa moda nordestina,
Que no sertão é habitual.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
Frase do dia
"O Estado tem que ser competente. Não se pode trazer de volta a ideia de transformar empresas em repartições públicas. A governança tem que ser empresarial. Caso contrário, vira divisão entre partidos políticos."

Fernando Henrique Cardoso