sábado, 31 de outubro de 2009

Que país é este??? - Por Carolina Martins Araujo / Rio de Janeiro

Ao saber da notícia sobre a demolição da escola, meu filho ficou profundamente triste e preocupado. Crianças não deveriam se preocupar com isso...essa deveria ser uma preocupação do Estado, entretanto a prioridade de nosso representantes não tem sido esta. Minha filha com 06 anos, aluna, por amar a escola me perguntou: Por que?

Essa é uma pergunta que me ENVERGONHO de responder.

Por que demolir uma escola?

Por que demolir uma escola comprometida com a EDUCAÇÃO, com uma equipe pedagógica coesa e verdadeiramente preocupada com o futuro?

Por que demolir uma escola em perfeitas condições com sala de informática, leitura, projetos música, talentos e valorização a cultura?

Por que demolir uma escola em que o aluno é encarado como um ser pleno e capaz de produzir um futuro mais digno?

Terceiro lugar no IDEB?

TALVEZ POR TUDO ISSO?

Os resultados falam por si...Me pergunto que país é este? Que interesse movem essas pessoas? Não consigo e jamais conseguirei responder esta pergunta.

Como mãe e principalmente como cidadã.

Vivemos em uma cidade violenta em que as injustiças sociais, desemprego e despreparo são evidentes... Entretanto é muito claro que a principal forma de combate de tudo isso é a EDUCAÇÃO.

Políticos que almejam demolir a escola Friendenreich para um espaço VAZIO em função Copa não desejam um futuro melhor para ninguém! Me pergunto QUE FUTURO COMEÇA AQUI?

Que futuro podemos esperar de um país que NÃO PRIORIZA A EDUCAÇÃO? QUE NÃO RESPEITA SEUS PROFESSORES? QUE NÃO VALORIZA SUA CULTURA?

A Escola Municipal Friedenreich ( Anexo do Maracanã) será demolida para a Copa de 2014, entretanto é importantíssimo ressaltar que nada ficará no lugar. Conforme o projeto já autorizado e divulgado a escola será um espaço vazio!!!E mais, no PAN em 2007, tudo transcorreu normalmente.

A Escola é um modelo de Educação Fundamental . As instalações estão em perfeito estado, com laboratório de informática e é a única do município que recebeu um "smart board" (uma lousa digital interativa caríssima) em função de seu desempenho, o que se deu também em caráter experimental (a ser expandido para outras escolas se o projeto der certo).É FUNDAMENTAL que a opinião pública saiba deste absurdo!!! O povo não quer pão e circo! O povo quer EDUCAÇÃO!!!

Sem mencionar o desperdício de dinheiro público!!!

POR FAVOR REPASSEM AO MAIOR N° DE PESSOAS !

O FUTURO NÃO COMEÇA AQUI, COMEÇA AGORA!!!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Minha vidinha mais ou menos - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Lendo o blog de Taís Luso de Carvalho, Porto das Crônicas, um de meus preferidos, deparei-me com seu interessante relato sobre a vida e resolvi esticar o comentário que fiz sobre a crônica: “Nem tudo são flores”, e postá-lo aqui.

Lembrei-me de uma velha frase de minha mãe: “Vida boa é a dos outros.” Ela sempre repetia isso quando alguém se queixava da vida.

Baseados nas aparências e num olhar imaginativo criamos verdadeiras expectativas sobre vidas que não vivemos, mas na realidade, assim como as estações do ano tudo se alterna na vida do ser humano.

Não tenho dúvidas que os jardins, as sacadas que tanto nos encantam, deixam a mostra, em sua grande maioria, o seu lado mais encantador. Pois sabemos que, por mais bela que seja uma roseira ela jamais deixará de ter os seus espinhos.

Assim é a vida, cheia de tristezas e alegrias, glorias e derrotas e é justamente esta alternância que deixa a vida interessante. Que nos faz lutar, que nos deixa fortes.

Não existe felicidade plena, até Adão e Eva, trataram logo de pecar e botar o pé na estrada porque não suportariam o enfado da mesmice.

Também não tenho dúvidas que “vida boa é a dos outros”. Principalmente as que nos chegam apenas superficialmente.

É por isso que adooooro essa minha vidinha mais ou menos. E você?

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cristo e Walt Disney . . .  - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
``Comecei a ler, mas parei quando ele junta Jesus Cristo com Walt Disney e caracteriza Jesus como um contador de história`` & diz integrante do Grupo Ethos-paideia, que, na Internet, coordeno, sobre a crônica Educar é como contar histórias, de Cláudio de Moura Castro, na Revista Veja.

De imediato, vi-me criança, a velha babá a repisar-me estórias de Trancoso. E, em mim, o bordão ficado: ``Princesa surda, uda e muda``. Adolescente, em Petrópolis, ouvia fábulas de Fedro e Esopo, que, nas aulas, traduzia do latim e do grego ao lado das parábolas de Cristo. Em Campinas (SP), padre Joseph Comblin, professor de grego e teólogo, conjugava tal relação.

Jovem, retornado ao Ceará, a narrativa me chega, no Curso de Letras, como parâmetro mais alto, nos estudos do formalismo russo, a embasar linguística e semiologia modernas. E, já casado, surpreendo-me, com o primogênito, literalmente ``in/fante`` (ainda não falante), tentando, em meio a gestos e ímpetos interjectivos, narrar seu recente esmagar de uma barata...

Hoje, meus netos vão além. Já me fizeram modernizar o programa de Teoria Literária, para compreender o texto literário (o narrativo aí incluído) construtivo dialógico entre autor e leitor. Eles, nas estórias que lhes conto, dão seu tom, mudando-lhes o curso. Elas têm de ir na direção do horizonte projetado por eles ouvintes...

As palavras de Cristo hão, sim, de varar os séculos, perenizando-se como textos abertos à interpretação, numa relação dialógica com seus leitores e ouvintes... São textos narrativos e, como tal abertos à interpretação por todos.

Razão a Cláudio Moura Castro. Educar é, sim, como contar histórias. Com ele, haverá de concordar o escritor e sensível profissional da informática Vilemarfc. Professores e alunos, na escola, hão de construir um produtivo diálogo!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Frase do dia
"É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?"

Dilma Rousseff, rebatendo as críticas às suas viagens com Lula

sábado, 24 de outubro de 2009

Um Herói Cearense - Por Bérgson Frota / Fortaleza


(Foto do busto de João Nogueira Jucá, situado na Praça da Lagoinha (Capistrano de Abreu) – Arquivo do autor)


Nascido em Fortaleza a 24 de novembro de 1941, João Nogueira Jucá foi um jovem que como muitos de sua época e idade tiveram seus sonhos, queria ser Oficial da Marinha, e para isso preparava-se, cursando na época o Científico no Colégio São João e freqüentando com dedicação uma academia de ginástica, fato que lhe dava um físico forte combinado à altura que tinha.

Mas para ele reservava o destino outro caminho, que deixaria para sempre seu nome na nossa história, o nobre sacrifício de sua vida em prol de outras tantas.

Na tarde de 04 de agosto de 1959, precisamente às 14h:20m, uma grande explosão se deu na

Maternidade Dr. César Cals.

A seguir, começou com estrondos um grande incêndio e também a enorme correria da população local em busca de afastar-se o mais rápido possível do lugar, pois as labaredas em poucos segundos já iam altas.

Um jovem de porte atlético, que junto a outros amigos passava próximo, ao contrário dos que com medo, afastavam-se ante os gritos lancinantes por socorro que se ouvia de dentro da maternidade, lançou-se sem pensar junto a vários outros abnegados para dentro do hospital que já ardia.

De lá saíam trazendo recém-nascidos nos braços e parturientes feridas.
Outras grandes explosões eram ouvidas e a maternidade transformava-se agora numa dantesca sala de grandes labaredas.

O tempo em minutos parecia uma eternidade diante do poder destrutivo do fogo que alimentado por estoques de balões de oxigênio só fazia aumentar.

Dos que laboravam naquele socorro, não se poderia omitir a coragem daquele jovem que vinha e voltava rápido, trazendo crianças e mulheres, o corpo já queimado parecia não ser empecilho para a coragem e o heroísmo daquela grande alma.

Gritavam alguns para que parasse, pois no corpo já se via fogo. Suas vestes carcomidas deixavam a carne viva transparecer, e a quem assistia na tamanha confusão mais comovido ficava diante daquele ato nobre e corajoso.

O número de vidas que salvou este jovem herói nunca foi ao certo calculada, entre recém-nascidos e parturientes estima-se 25 pessoas, da tragédia que resultou em quatro mortes e inúmeros feridos.

Na última tentativa de mais uma investida para dentro das labaredas, foi fortemente detido e caiu desfalecido. O corpo deformado, as queimaduras de terceiro grau lhe tomavam 80% de todo o corpo, mas pareciam não deter sua ânsia de salvar quantos fossem. As forças porém já não mais respondiam a sua férrea vontade.

Em 11 de agosto de 1959, na Assistência Municipal, depois de muita agonia e sofrimento, intercalando lucidez e delírio, sem nunca ter se arrependido do que fez, veio a falecer aos 17 anos este grande cearense.

O exemplo de João Nogueira Jucá, moço de personalidade altiva e grande amor ao próximo ficou-nos, e são como marcos eternos na terra, e marcas indeléveis nas almas de quem os praticou, presenciou ou escutou tais feitos, não deixando de transparecer com isso a tênue, mas conflitante divisão perene entre o divino e humano latente e por vezes exposto nos grandes atos de altruísmo raros mas presente pela natureza humana praticados.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Frase do dia
"Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão."

Lula
O Couro na Janela - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Esse é um “causo-piada” que por mais de uma vez, ouvi nos alpendres e calçadas das Ipueiras. Quando o povo ainda tinha o habito de se reunir em volta das grandes bacias de alumínio ou cestos de cipó debulhando milho e feijão.

Contam que um sujeito do interior, casado, tinha como ofício, vender e comprar couro de animais.E por conta da profissão estava sempre a viajar.

A mulher que gostava de pular a cerca, ou costurar pra fora, como se costuma dizer no interior, arrumou um amante. E, toda vez que o marido viajava, ela pendurava um couro na janela para avisar o sujeito que o marido tinha viajado e o espaço estava livre para ele.

Certo dia o marido viajou, porém o tempo ruim, o trouxe de volta antes do combinado. Muita chuva, muita lama seguir viagem era impossível. Chegando em casa, jantou e foram dormir. Já era tarde da noite, quando o marido ouviu umas pancadas na porta.

Ele muito medroso perguntava: --Mulher que “diacho” é isso!? E a mulher sabendo dos medos do marido, respondeu:- -- só pode ser alma, marido, coisa do outro mundo, assombração!

---- E agora?

----Pode deixar que vou até a porta, faço uma oração especial e ela sobe para o céu ou seu lugar de direito.

E o marido:- -- Só se for você mesmo, por que eu não tenho coragem, morro de medo de assombração.

Assim a mulher foi até a porta, e começou sua oração especial para espantar visagem:

“ As almas que andam penando,
vão para o reino da glória,
meu marido está em casa,
me lembrei do couro agora.”.

Acabando a oração, voltou tranqüilamente a dormir ao lado do marido medroso, que estava embrulhado da cabeça aos pés.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
Frase do dia
"É muito fácil assumir a Presidência da República e não fazer nada porque ninguém nunca fez. Os outros presidentes são todos da mesma laia. Mas eu precisava fazer."

Lula

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A gravata e o professor - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
“Dia do professor. Recebi de presente uma gravata. Tenho vontade de me enforcar com ela”. É mensagem que, de professor universitário, recebo por via e1etrônica. Com ela, artigos vários. Todos sob o tom do “não há o que se comemorar”. O dia inteiro, como outro qualquer. Salvo as escolas fechadas.

Um só telefonema a destoar: Parabéns, hoje é nosso dia – rejubila-se uma colega. Por instantes, fico a pensar na farisaica convivência, em nossa sociedade entre retórica e realidade,. quando o tema é o professor. Ator importante, nesta “era do conhecimento”. Afinal, a economia (todo repetem) não mais se gera na fazenda, na indústria ou nos bancos, mas na escola.

E a inclusão social não se opera a não ser pela escolaridade, única via para a distribuição da renda. Essa retórica, contudo, não chegou à contabilidade, que não tem formas de escriturar a “propriedade intelectual”.

Enquante isso, os professores, nas filas dos crediários e dos bancos, continuam a amargar mil vergonhas. Róseos tempos já tivemos. Foi quando a música popular e a literatura decantavam a normalista. Ou quando os professores do velho Liceu do Ceará ostentavam vencimentos iguais a nossos desembargadores.

Uma repórter me desperta dos sonhos nostálgicos. Ela quer invadir-me a intimidade dos contracheques. Em pauta, os ditos “supersalários” da Universidade Federal do Ceará (UFC), requentados sob piada de revista nacional. Em casa, à noite, ouço com orgulho o filho Leonardo, com sua Banda Matutaia, após apresentação no “Ceará Music”, construindo castelos da fama por vir, na contramão da via do pai. Antè o espelhó, vejo-me ao peito não medalhas nem gravatas. Apenas cicatrizes de um peito dilacerado.

Marcas em mim deixadas pela vida. Sinais de marcas outras que deixei nos alunos. No peito, decerto, a honra e o respeito. E isso me basta. Tal qual César, ouso afirmar: “Vim, vi, venci”.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Flamengo bate o Palmeiras por 2 x 0

Foto: O Globo


Com dois gols de Petkovik o Flamengo bateu o Palmeiras por 2 x 0. A vitória rubro-negra embola o campeonato Brasileiro. O Palmeiras, que continua líder, tem agora em seu encalço o Atlético Mineiro, Internacional, São Paulo e Flamengo, que passa a sonha com o título.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fortaleza na Segunda Guerra Mundial - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Fortaleza início da década de 1940 – Foto Nirez

Há exatamente setenta anos atrás, precisamente em setembro de 1939, iniciava-se na Europa a Segunda Grande Guerra.

Fortaleza que sempre se guiou, seja na moda e nas idéias por sua fonte européia observava com atenção e receio os fatos que se desenrolavam no Velho Mundo.
Com o início do bombardeio de cidades e a guerra se estendendo para o norte da África, o receio tornou-se medo.

Era o ano de 1941, e Fortaleza temia também vir a se tornar um alvo de ataque aéreo, em virtude disso criou um programa de treinamento denominado “defesa passiva”.

Na época a cidade tinha uma população estimada em 180.185 habitantes, e o medo vindo pelas notícias da Europa criava um clima de ansiedade e desassossego, despreparo e desinformação.

Em agosto de 1942 o Brasil entrou na guerra junto aos aliados.

As regiões do Nordeste brasileiro passaram a ser pontes à aviões norte–americanos que partiam para atacar o continente próximo. Porém a virada de perspectiva em Fortaleza se deu quando Natal por já está muito congestionada, fez surgir em Fortaleza mais uma base de ataque em direção à África.

Agora mais do que nunca Fortaleza sentiu a necessidade de criar uma proteção eficaz, pois se via de fato sujeita aos ataques aéreos.

Em 26 de janeiro de 1943 o jornal O Povo noticiava “foi realizado domingo, na zona fabril de Fortaleza, o segundo exercício de defesa pacífica antiaéreo, promovido pela diretoria regional...”

Às 9h30min precisamente, os bombeiros que se localizavam na torre de comando do quartel, no edifício da Praça Fernandes Vieira (Praça do Liceu), anunciaram a aproximação dos aviões inimigos. A medida era tida como necessária para “preservar” a cidade de possíveis ataques por submarinos.

As sirenes soaram o alarme. Os aparelhos do aeroclube do Ceará, em número de quatro, sobrevoaram a zona visada, “atacando” de preferência, os prédios do Liceu e do Corpo de Bombeiros.

Treinamentos diários de sobrevivência eram realizados com a população. Cada simulação de bombardeio realizada pelos monomotores do aeroclube do Ceará, faziam os fortalezenses entrarem em pânico.

Em vôos rasantes durante 30 minutos as Praças do Ferreira, José de Alencar e Praça do Liceu eram riscadas por aviões em rápidas manobras.

O pânico não saía do imaginário dos habitantes.

O “setor civil” orientava as famílias para pintarem de preto as vidraças das janelas e portas, impedindo que à noite a cidade ficasse vulnerável, principalmente as residências mais próximas da orla marítima

Estas aeronaves que faziam seus vôos noturnos, não tinham luzes de navegação por serem antigas, ocorria então se amarrar lanternas nas montantes dos aviões para evitar possíveis colisões.

Sirenes eram acionadas e o povo corria para se abrigar se caso estivessem na zona “atacada”.
Para defender a cidade ainda foram transferidos para o farol do Mucuripe (farol velho) doze canhões da marca Krupp, com a finalidade de revidar e intimidar possíveis submarinos, tinham alcance médio de dois mil metros e sua serventia só seria de fato eficaz em luta terra-a-terra.

Assim foi Fortaleza na Segunda Guerra Mundial, descrita numa narrativa que hoje pode até nos soar ridícula, lembremos porém que o medo e a insegurança reinantes na época geraram reações que não mediam lógica ou crítica, pesavam somente e tão somente o instinto mais forte e primário do ser humano : a sobrevivência.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Primavera e sonhos - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


É começo de primavera
E um vento começa a bater,
Levemente em meu corpo,
E eu penso logo em você.

É o recomeço dos sonhos,
Que não devem se perder,
Nas amarras que existem,
Entre o meu e o seu querer.

É a esperança brotando,
Feito o botão de uma flor.
É o futuro querendo,
O que o passado negou.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Frase do dia
"O Brasil precisa de governantes que sejam íntegros, que sirvam ao povo, em vez de se servirem do povo."

José Serra (PSDB), governador de São Paulo

domingo, 11 de outubro de 2009

A catástrofe de nossa educação - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
“75,6 mil crianças de 6 e 7 anos são analfabetas”, confessa a Secretaria de Educação do Ceará. “A escola pública no Estado enfrenta situação de verdadeira catástrofe” - diz-nos Márcia Campos - “75,6 mil das crianças entre 6 e 7 anos estão na escola mas não sabem ler, escrever ou entender.

Tais desafios envolvem os amplos atores da educação (escola, família, sociedade). E nossas forças produtivas, sob a liderança do Centro Industrial do Ceará (CIC), lança-nos a par com 14 cidades brasileiras, o “Observatório de Educação”, a nos transpor o arcaicoo das “indústrias de chaminés” rumo ao moderno das “indústrias culturais” para toda a federação (União, estados e municípios) no clima de responsabilidade social e ecológico.

Nessa linha, recebo, de Ariosto Holanda, discurso a propor, no combate às desigualdades regionais no País, “revolução educacional, científica e tecnológica, hoje com 1.200 CVTs (Centros Vocacionais Tecnológicos)”. Tudo, à luz da lição que, de Dom Aureliano Mattos, colheu: “sem uma arte e um ofício, não se é filho de Deus”.

Do Senador Cristovam Buarque, acompanho a luta sem tréguas pela educação em artigos, discursos, pronunciamentos. E de Sérgio Machado, presidente da Transpetro, leio loas ao Programa de Aceleramento de Lula, com 25% de investimentos ao Nordeste – “o dobro da fatia do PIB”, possível rede de fornecedores. Mas evitando-se “enfrentar situação de catástrofe: indústrias isoladas a importar matéria-prima do Sul-sudeste”...

Abro a Carta Magna e a LDB. Saltam-me os três horizontes prescritos para a educação: o cidadão (ser social), o profissional (o construtor da vida pelo trabalho) e a pessoa (o ser transcendente). E a martelar-me, os versos de Gonzagão e Zé Dantas: “... uma esmola a um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sábado, 10 de outubro de 2009

Proteja nossas crianças - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Nossa Senhora de Aparecida,

Santa das águas resgatada.

Padroeira do nosso Brasil,

Por muitos és venerada.


Peço-te ó mãe querida,

Que tenhas compaixão

Das crianças que padecem

E penam em sórdidas mãos.


Livrai nossas crianças,

De toda essa violência.

Não deixe que sordidez

Macule sua inocência.


É triste ver tanta criança,

Espancadas e violentadas

É inconcebível velas,

Barbaramente assassinadas.


Ó minha mãe generosa,

Livrai-nos desta cruz.

Interceda pelas crianças,

Junto ao seu filho Jesus.


Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Frase do dia
"Eu disse ao Fernando (Haddad, ministro da Educação) que foi bom o que aconteceu, porque não apenas nós, mas toda a sociedade se tornou consciente da grande importância que tem o Enem para a educação no Brasil."

Tarso Genro, ministro da Justiça, sobre o vazamento das provas do Enem

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Lembrando o “Poeta das Ipueiras” - Por Bergson Frota / Fortaleza


Em 28 de julho de 1926 nascia em Ipueiras um dos seus mais célebres filhos , Jeremias Catunda Malaquias, filho de Luís Malaquias e Maria Catunda.

Sendo o primogênito de uma família de cinco filhos este poeta, cronista e escritor dedicou toda a sua vida a divulgar sua terra com um ardor tão raro nos dias de hoje que poderia chamar-se quase uma obsessão.

Jeremias Catunda foi membro da ACI(Associação Cearense de Imprensa) tendo sido distinguido com o "Chevron" de ouro pelos seus 40 anos de atividade jornalísticas sendo sócio fundador da Associação Cearense de Jornalistas do Interior, escolhido e premiado em seis congressos da classe como um dos mais atuantes membros.

Sócio correspondente da Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi correspondente dos : Diários e Rádios Associados, O Povo, Diário do Povo, Gazeta de Notícias, O Estado, Correio da Semana, Gazeta do Centro-Oeste, Folha Regional, Revista Itaitera do Crato, Almanaque da Parnaíba, Ceará Rádio Clube, Dragão do Mar, Radio Tupinambá, Iracema e Rádio Vale do Rio Poty de Crateús.

Vereador em três legislaturas seguidas 1947/56, sendo até hoje o mais novo representante do povo na Câmara, eleito em 1947 com 21(vinte um) anos obtendo em 1954 mais de 10% dos votos apurados.

Por ocasião do Primeiro Centenário do Município, ocorrido em 1983, publicou "Ipueiras, uma síntese histórica" e em 1985 na Primeira Semana Cultural de Ipueiras lançou o seu livro poético : Versos Versus Minha Vontade.

Foi escrivão e coletor da Coletoria Estadual de Ipueiras, escriturário do DAER (hoje DERT) e inspetor de linhas telegráficas do DCT.

Jeremias Catunda Malaquias foi uma figura das mais valiosas no campo cultural de Ipueiras, seu trabalho rico em crônicas, poemas e poesias nasceu como fruto de um grande amor pela terra natal.

No ano em que o grande poeta, jornalista e contista completou seus 83 anos, deixou de forma plácida entre os seus, as labutas terrenas.

Ipueiras se queda em gratidão a mais um filho que partiu para a eternidade, mais um filho que fez da vida um grande discurso de amor inconteste à terra em que nasceu, criou-se, dela nunca apartando-se até novamente a ela juntar-se.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

Este trabalho é dedicado a equipe do blog Primeira Coluna que sempre destacou e respeitou os trabalhos de meu pai como a todos que prestaram uma ou duas linhas de respeito por sua partida.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Carro de Bois na poesia cearense - Jeremias Catunda / Ipueiras


Uma das figuras que muito honra a magistratura do Ceará, o nobre e culto amigo, doutor Antônio Nirson Montiro, diz no início do seu erudito trabalho literário “Achega sentimental para sua memória”: “O carro de bois, veículo rústico de tração animal de antigo uso nas mais diversas civilizações, foi o primeiro grande contributo para a economia brasileira lado a lado com o braço escravo. Esteve presente nos quatro pontos cardeais do Brasil, desde a mais remota data colonial até os dias de hoje”.

No vigor dos nossos 12-14 anos, década de 1930, Ipueiras, como as demais pequenas cidades do interior, era sulcada o dia inteiro pelas possantes rodas de madeira dos “chorosos” carros de bois, veículo rústico que atendia os reclamos do comércio e até servia para transportar pessoas nos dias de festas, casamentos, para os sítios da periferia ou para a zona rural. Carros com mesas feitas de grossas tábuas de angico, o cambão da mesma madeira, uns longos para duas juntas de bois, outros menores para uma junta; as rodas eram especialmente feitas de pau-d’arco, para maior resistência e bemoleadas com extrato de mamona para o gemido característico que fazia vez de buzina e levava também muita saudade aos que na época iam virar o mundo, deixando o interior.

Nas noites enluaradas, o carro de bois ao longe, distante quilômetros até já era ouvido nos ermos das estradas do sertão, gemendo aos gritos dos carreiros, quando não entoando cantigas nativas, loas como: Vai “Mandingueiro” / Vai Azulão / Vai meu carro ligeiro / Vai rei do sertão...

O serviço do carro de boi em nossa terra foi de muita utilidade em anos remotos, se levarmos em conta que hoje está praticamente “aposentado”, pois muito raramente ainda se vê um trabalhando. Para a estação ferroviária (agora desativada) por onde no passado era transportada a produção do município, milho, feijão, mamona, algodão, oiticica, e de onde se traziam as mercadorias para a cidade, distava do Centro quase um quilometro a mais e havia um alto que exigia muito sacrifício das juntas de bois puxando os enormes pranchões ladeira acima.

Recordamo-nos ainda dos carros do Cesário Capeta, Vicente Lúcio (Carnaúbas), Inácio Rufino (Vamos-Ver), Raimundo Alexandre (Estação), Raimundo Victor e Zé Galdino. Quando rodavam só dentro das ruas era uma festa para a meninada, principalmente no fim das aulas. E se por azar se pegasse um carreiro zangado, quase sempre “queimado” da branquinha, o chiqueirador cantava bonito e vez por outra éramos alcançados pela ponta do relho. Tempo bom de muita saudade...

Jeremias Catunda

Publicado no O Povo em 01.08.2009